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Queda da bolsa: como agir e proteger a sua carteira

Embora todos queiramos que os mercados mostrem sempre o seu lado mais simpático, é impossível não ter momentos de dúvida e quedas acentuadas. É precisamente nestes momentos que é mais conveniente manter a calma e avaliar todas as alternativas possíveis antes de passar à ação.

Embora todos queiramos que os mercados mostrem sempre o seu lado mais simpático, é impossível não ter momentos de dúvida e quedas acentuadas. É precisamente nestes momentos que é mais conveniente manter a calma e avaliar todas as alternativas possíveis antes de passar à ação.

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Para o ajudar nestes momentos chave, apresentamos-lhe de seguida uma série de alternativas que pode considerar para poder levar a cabo antes, durante e depois de passar por um episódio de queda da bolsa.

Correção, bear market ou crash: de que estamos a falar?

Nem todas as quedas são iguais, e distingui-las ajuda a calibrar a reação:

  • Correção: Uma descida de cerca de 10% face ao máximo recente. São frequentes e fazem parte do funcionamento normal dos mercados.
  • Bear market (mercado em baixa): Uma descida na ordem dos 20% ou mais, geralmente prolongada no tempo e associada a deterioração das perspetivas económicas.
  • Crash: Uma queda abrupta e severa em poucos dias, normalmente desencadeada por um choque súbito.

A distinção importa porque a resposta adequada não é a mesma. Uma correção raramente justifica alterações estruturais na carteira; um mercado em baixa prolongado pode justificar uma revisão da alocação. Se quiser perceber o que historicamente antecedeu as maiores quedas, veja as lições dos maiores crashes da bolsa.

Conselhos para preparar a sua carteira para as quedas da bolsa

Linha vermelha a cair que simboliza a queda dos mercados
 
  • ​Diversificar: "Não ponha todos os ovos no mesmo cesto". Uma carteira diversificada, que invista em diferentes tipos de ativos, reduz o risco específico e, por conseguinte, minimiza o risco total. Consoante o apetite de risco do investidor, uma parte da carteira pode consistir em investimentos de menor risco (ações com dividendos, Obrigações do Tesouro, metais preciosos e liquidez), enquanto o restante capital pode ser aplicado em ativos mais arriscados. O guia sobre ​​como diversificar os seus investimentos detalha as várias formas de o fazer.
  • Invista regularmente: É impossível escolher sempre o momento perfeito para entrar no mercado, pelo que investir tudo de uma vez pode ser arriscado. A solução passa por dividir as entradas ao longo do tempo, quer através de uma estratégia de custo médio ​Dollar-Cost Averaging, quer através de reforços periódicos, como nos ​Planos de Investimento. Uma das grandes vantagens dos reforços periódicos é que atenuam o efeito das oscilações do mercado: quando os preços estão elevados, compra menos unidades de participação com o mesmo dinheiro; quando estão baixos, compra mais. A prazo, isto pode ajudar a reduzir o risco e a aumentar o potencial de retorno.
  • Controle o seu risco: É importante saber a todo o momento que nível de risco pretende assumir na carteira. Quer ao nível de cada ação ou ETF, quer ao nível global, convém estabelecer um limite com o qual se sinta confortável e programar os níveis de fecho de posição (stop loss) caso o mercado se comporte de forma diferente da esperada.

Como agir quando o mercado está a cair?

Mantenha a calma

É nestas alturas que os investidores tendem a deixar-se levar pela situação e a tomar decisões impulsivas. Antes de mais, procure informar-se sobre as razões das quedas, a sua origem e as possíveis consequências. Com toda a informação, avalie se a situação será temporária ou permanente e como pode afetar a sua carteira. É aconselhável distanciar-se da evolução diária dos preços: quem observa constantemente o mercado corre maior risco de agir por impulso. ​A venda em pânico é, aliás, um dos erros mais comuns quando se investe.

Reduza o risco da carteira

Se decidir reduzir o risco, tem várias alternativas. Pode efetuar vendas parciais, com o objetivo de recomprar depois de terminado o período de queda. Se não quiser vender, pode procurar ativos que funcionem como cobertura e que valorizem quando os mercados caem: os ETF inversos sobem de preço sempre que o índice que acompanham desce. Existe ainda a possibilidade de obter exposição em baixa através de derivados, como futuros ou ​opções.

Tire partido da situação

Os períodos de queda também proporcionam oportunidades para comprar ações de boas empresas a melhores preços, ou para reforçar posições em ETFs a preços interessantes. Se tem liquidez disponível, não se deixe levar pelas "promoções" que vê no mercado e compre de forma ordenada. Para isso, é aconselhável ter uma lista prévia de​ ações ou ETFs "desejados", sempre visível no separador "Favoritos" da app XTB.

Como é que cada classe de ativos se comporta durante uma queda da bolsa?

  • Ações: Normalmente suportam o peso das quedas. As empresas cotadas com elevado grau de expectativas futuras, como as tecnológicas, tendem a ser as mais penalizadas em momentos de dúvida. Pelo contrário, as empresas de qualidade, com bons fundamentos e baixo endividamento, tendem a resistir melhor, sobretudo em setores defensivos. Se as quedas afetarem um setor específico, é de esperar que esse grupo de empresas seja o mais atingido, e que as empresas relacionadas (clientes ou fornecedores) ​vejam também os preços afetados. Se as quedas forem generalizadas, há maior probabilidade de encontrar ideias de investimento interessantes.
  • Índices: A diversificação inerente aos índices faz com que as suas quedas sejam mais suaves do que as de muitas das ações que os compõem. Acresce que os índices são revistos periodicamente: as empresas com problemas acabam por sair e ser substituídas por outras. Convém notar, porém, que este mecanismo também distorce as séries históricas de rentabilidade, ao deixar de fora as empresas que falharam o chamado enviesamento de sobrevivência. Como sempre, os ETFs, quer por compra direta quer através de​​ Planos de Investimento, são a forma mais económica e eficiente de obter exposição a este mercado.
  • Matérias-primas: O comportamento pode ser muito errático e dependente dos motivos das quedas. Merece destaque o ouro, historicamente considerado um ativo de refúgio e com correlação reduzida face a ações ou obrigações, um tema aprofundado no artigo sobre​ o ouro em tempos de crise. Para ganhar exposição a uma matéria-prima específica ou a empresas do setor, os ETFs são novamente uma alternativa eficiente.
  • Rendimento fixo:​ Em geral, o rendimento fixo é considerado um ativo mais estável do que o rendimento variável. Isso deve-se à própria natureza do ativo, que permanece inalterado enquanto o emitente não entrar em dificuldades. Se a economia entrar em crise, as obrigações corporativas veem a sua rentabilidade aumentar (e o preço descer), por refletirem risco superior ao das emitidas por Estados. Em todo o caso, se o emitente não entrar em incumprimento e o investidor não vender antes do vencimento, as quedas da bolsa não deverão afetar o investimento. É possível obter exposição a este mercado através de ETFs de obrigações.

O que fazer depois da queda

A fase de recuperação é a mais negligenciada e aquela onde se cometem alguns dos erros mais caros.

  • Reequilibre a carteira. Depois de uma queda acentuada, os pesos das várias classes de ativos afastam-se do que tinha definido. Reequilibrar repõe a alocação original e força, na prática, a comprar o que desvalorizou e a vender o que resistiu melhor.
  • Não espere pelo "sinal" de recuperação. Quem sai do mercado e aguarda confirmação de que a subida começou perde habitualmente os primeiros dias de recuperação, que costumam concentrar uma parte relevante dos ganhos.
  • Reveja o que correu bem e mal. Uma queda é um teste de stress ao seu plano. Se perdeu o sono ou vendeu por impulso, o problema provavelmente não foi o mercado, foi o nível de risco assumido. Ajuste-o antes da próxima.
  • Não confunda recuperação com euforia. O regresso das subidas costuma trazer de volta o entusiasmo e a tentação de reforçar acima do que o plano previa.

Para uma perspetiva mais ampla sobre como atravessar períodos de contração económica, veja também como investir durante uma recessão e estratégias para investir durante uma crise.

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FAQ

Uma correção é uma descida de cerca de 10% face ao máximo recente de um índice ou ativo. São movimentos frequentes e considerados parte do funcionamento normal dos mercados, não implicando necessariamente uma alteração das perspetivas de longo prazo.

Não existe uma resposta única, pois depende do seu horizonte temporal, dos seus objetivos e da sua tolerância ao risco. Vender por impulso durante uma queda cristaliza as perdas e implica acertar depois no momento de regressar ao mercado, algo difícil de conseguir de forma consistente. Se a queda o levou a considerar vender, pode ser sinal de que o nível de risco da carteira está acima do seu conforto.

Varia consideravelmente. Historicamente, as correções tendem a resolver-se em prazos relativamente curtos, enquanto os mercados em baixa prolongados podem demorar vários anos a recuperar os máximos anteriores. O passado não permite prever a duração de qualquer episódio futuro.

As quedas podem criar oportunidades de compra a preços mais baixos, mas também podem prolongar-se. Por isso, entradas faseadas ao longo do tempo, em vez de uma entrada única, tendem a ser preferíveis para quem não pretende tentar acertar no fundo do mercado.

Historicamente, setores defensivos, empresas com bons fundamentos e baixo endividamento, obrigações de emitentes sólidos e ativos de refúgio, como o ouro, tendem a apresentar quedas menos acentuadas. Nenhum ativo está, contudo, imune a perdas.

Diversificar por classes de ativos, setores e geografias, investir de forma regular em vez de tudo de uma vez, e definir previamente o nível de risco que está disposto a assumir, incluindo os níveis de fecho de posição, são as medidas mais eficazes de preparação.

Vítor Madeira

Analista XTB

Vítor Madeira é economista e responsável pela área de Research na XTB Portugal, com uma forte paixão pelos mercados financeiros. Dedica-se à produção de análises aprofundadas, focadas na identificação de tendências e oportunidades de investimento nas várias classes de ativos.

Com vasta experiência em trading e especialização em análise técnica e fundamental, destaca-se pela capacidade de transformar informação complexa em insights claros, acessíveis e práticos para os investidores, tendo como principal foco o trading de ações.

Concluiu recentemente com sucesso o Nível I do CFA e encontra-se atualmente a preparar o Nível II. O seu trabalho contribui para decisões de investimento mais informadas, reforçando a missão da XTB de promover conhecimento financeiro rigoroso e confiável.

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Este material é uma comunicação de marketing na aceção do artigo 24.º, n.º 3, da Diretiva 2014/65 / UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de maio de 2014, sobre os mercados de instrumentos financeiros e que altera a Diretiva 2002/92 / CE e Diretiva 2011/61/ UE (MiFID II). A comunicação de marketing não é uma recomendação de investimento ou informação que recomenda ou sugere uma estratégia de investimento na aceção do Regulamento (UE) n.º 596/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho de 16 de abril de 2014 sobre o abuso de mercado (regulamentação do abuso de mercado) e revogação da Diretiva 2003/6 / CE do Parlamento Europeu e do Conselho e das Diretivas da Comissão 2003/124 / CE, 2003/125 / CE e 2004/72 / CE e do Regulamento Delegado da Comissão (UE ) 2016/958 de 9 de março de 2016 que completa o Regulamento (UE) n.º 596/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho no que diz respeito às normas técnicas regulamentares para as disposições técnicas para a apresentação objetiva de recomendações de investimento, ou outras informações, recomendação ou sugestão de uma estratégia de investimento e para a divulgação de interesses particulares ou indicações de conflitos de interesse ou qualquer outro conselho, incluindo na área de consultoria de investimento, nos termos do Código dos Valores Mobiliários, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 486/99, de 13 de Novembro. A comunicação de marketing é elaborada com a máxima diligência, objetividade, apresenta os factos do conhecimento do autor na data da preparação e é desprovida de quaisquer elementos de avaliação. A comunicação de marketing é elaborada sem considerar as necessidades do cliente, a sua situação financeira individual e não apresenta qualquer estratégia de investimento de forma alguma. A comunicação de marketing não constitui uma oferta ou oferta de venda, subscrição, convite de compra, publicidade ou promoção de qualquer instrumento financeiro. A XTB, S.A. - Sucursal em Portugal não se responsabiliza por quaisquer ações ou omissões do cliente, em particular pela aquisição ou alienação de instrumentos financeiros. A XTB não aceitará a responsabilidade por qualquer perda ou dano, incluindo, sem limitação, qualquer perda que possa surgir direta ou indiretamente realizada com base nas informações contidas na presente comunicação comercial. Caso o comunicado de marketing contenha informações sobre quaisquer resultados relativos aos instrumentos financeiros nela indicados, estes não constituem qualquer garantia ou previsão de resultados futuros. O desempenho passado não é necessariamente indicativo de resultados futuros, e qualquer pessoa que atue com base nesta informação fá-lo inteiramente por sua conta e risco.