Wall Street inicia a sessão de hoje em alta, com uma melhoria do clima de mercado impulsionada por dois fatores distintos, mas igualmente importantes. Por um lado, os dados de ontem relativos à inflação do PCE revelaram-se mais moderados do que o esperado, dando aos mercados a esperança de que a Reserva Federal não precise de proceder a novos aumentos das taxas de juro nos próximos meses. Por outro lado, a economia dos EUA continua a demonstrar resiliência, com o crescimento do PIB a situar-se acima das previsões. Esta é exatamente a combinação de que Wall Street precisava.
No entanto, existe outro catalisador, talvez ainda mais importante, por trás do movimento do mercado de hoje. Os resultados da Micron já não podem ser tratados como mais um relatório de resultados de uma empresa de semicondutores. A empresa registou um trimestre recorde, gerando 54,2 mil milhões de dólares em receitas, em comparação com os 41,4 mil milhões de dólares do trimestre anterior, enquanto as suas perspetivas para o próximo período se revelaram, mais uma vez, bem acima das expectativas. Mais importante do que os números em si é o que o relatório revela sobre a procura de memória utilizada na infraestrutura de IA.
A Micron está, portanto, a demonstrar que o boom da IA não se limita aos processadores e aos chips de computação. Sem memória suficiente, a expansão dos centros de dados e de modelos de IA cada vez mais avançados também é impossível. A empresa já garantiu vendas para uma parte significativa da produção do próximo ano, enquanto a administração não vê, de momento, sinais claros que apontem para um rápido reequilíbrio entre a oferta e a procura no mercado de memória. Em última análise, isto poderá ter mais importância para Wall Street do que o próprio trimestre recorde.
De certa forma, os resultados da Micron estão a começar a desempenhar um papel semelhante ao dos relatórios de resultados da Nvidia. A questão não é simplesmente a saúde de uma empresa, mas o que os seus resultados revelam sobre o mercado mais alargado da IA. Se a procura por memória se mantiver tão forte e os clientes de centros de dados já estiverem a garantir o abastecimento para os próximos anos, é difícil argumentar que o atual ciclo de investimento esteja a chegar ao fim.
É por isso que as valorizações de hoje em Wall Street têm bases mais sólidas do que uma simples reação a um dado favorável sobre a inflação. A inflação do PCE mais baixa dá aos mercados algum espaço de manobra no que diz respeito à Reserva Federal, um PIB mais forte destaca a resiliência da economia, enquanto a Micron fornece mais uma prova de que as despesas relacionadas com a IA continuam a crescer. Após um mês de setembro muito difícil, os índices norte-americanos estão a iniciar o novo mês com uma clara recuperação, colocando mais uma vez o setor tecnológico no centro das atenções.
S&P 500 (D1)
Os futuros do S&P 500 (US500) registam hoje uma ligeira subida, enquanto o sentimento do mercado continua a ser sustentado por vários fatores positivos que surgiram nos últimos dias. Uma inflação do PCE inferior ao esperado, dados de crescimento económico mais sólidos e resultados muito positivos das empresas tecnológicas, lideradas pela Micron, proporcionaram aos investidores mais argumentos para a continuação da tendência de valorização. Ao mesmo tempo, os mercados continuam altamente sensíveis aos sinais da Reserva Federal e à evolução das taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA, o que poderá determinar o ritmo do próximo movimento em Wall Street.
Notícias empresariais:
Micron (MU.US) está a registar fortes ganhos após ter divulgado resultados que demonstram como a procura por memória está a tornar-se cada vez mais forte, em resultado do boom da IA. A Micron já não se limita a beneficiar do aumento dos preços da memória, a magnitude do crescimento dos lucros demonstra que os centros de dados necessitam de quantidades cada vez maiores de DRAM e HBM, enquanto a empresa continua a ser um dos principais fornecedores desta infraestrutura. É importante referir que as suas perspetivas para o próximo trimestre também se mantêm muito sólidas, sugerindo que o atual ciclo de procura está longe de ter chegado ao fim.
Principais resultados:
- Receitas: 11,32 mil milhões de dólares contra 7,75 mil milhões de dólares no ano anterior
- Lucro líquido: 4,88 mil milhões de dólares contra 887 milhões de dólares no ano anterior
- Lucro por ação (EPS): 4,26 dólares contra 0,79 dólares no ano anterior
- Previsão de receitas para o próximo trimestre: aproximadamente 12,5 mil milhões de dólares
- Margem bruta prevista: aproximadamente 51%
- Dividendo: 0,15 dólares por ação
O fator mais importante para o mercado continua a ser o aumento contínuo da procura por memória HBM utilizada em servidores de IA. Este segmento torna os resultados da Micron relevantes não só para a própria empresa, mas também como mais um sinal da dimensão do investimento que está a afluir para o ecossistema mais alargado das infraestruturas de IA.
A Broadcom (AVGO.US) está no centro das atenções após notícias de que poderá conceder à Anthropic um empréstimo de até 42 mil milhões de dólares para financiar chips utilizados na expansão da sua infraestrutura de IA. A dimensão potencial deste financiamento destaca a rapidez com que os requisitos de computação estão a crescer entre as empresas que desenvolvem os seus próprios modelos de IA. Para a Broadcom, trata-se de mais um indício de que a procura por chips especializados e pela infraestrutura necessária para os suportar poderá manter-se forte nos próximos anos.
A Rocket Lab (RKLB.US) está a registar ganhos após ter assinado o maior contrato comercial da história da empresa relativo aos foguetões Electron. O acordo abrange 20 lançamentos para a empresa japonesa Synspective, que utilizará os foguetões para colocar em órbita satélites de radar SAR. O contrato melhora a visibilidade das receitas futuras da Rocket Lab e demonstra que a procura por serviços comerciais de lançamento de satélites continua forte.
A Accenture (ACN.US) está a registar uma forte subida após os resultados trimestrais terem superado as expectativas do mercado e a empresa ter apresentado perspetivas otimistas. A empresa continua a beneficiar da forte procura pela transformação digital e pela implementação de inteligência artificial, enquanto as suas orientações revistas sugerem que as empresas não estão a reduzir as despesas com novas tecnologias. Os resultados da Accenture são também significativos numa perspetiva mais ampla, uma vez que demonstram que o boom da IA está a estender-se cada vez mais para além dos fabricantes de chips.
As ações da Alphabet (GOOGL.US) estão a subir após a apresentação do Gemini 4 Argon, o mais recente modelo de IA da Google, que, segundo a empresa, superou as soluções concorrentes em 13 dos 19 testes de desempenho que abrangem áreas como a engenharia de software, o trabalho de conhecimento e a cibersegurança. A Google está, inicialmente, a disponibilizar o modelo a utilizadores selecionados, prevendo-se um acesso mais alargado a programadores, empresas e consumidores após a realização de mais testes de segurança.
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