18:16 · 4 de novembro de 2026

Antevisão EDP e EDPR: crescimento do negócio será suficiente para impulsionar os resultados?

Principais conclusões
Principais conclusões
  • EDP: O crescimento de 3% na eletricidade distribuída e os recursos hídricos favoráveis poderão apoiar a rentabilidade e o cumprimento dos objetivos anuais.

  • EDPR: A capacidade instalada cresceu 4%, mas as condições meteorológicas menos favoráveis continuam a pressionar a produção renovável.

  • Dívida e investimento: A evolução da dívida, dos custos financeiros e da geração de caixa será importante para avaliar a solidez financeira das duas empresas.

A EDP e a EDP Renováveis (EDPR) divulgam os resultados dos primeiros nove meses de 2026, numa altura em que os investidores procuram perceber se o crescimento das redes elétricas e da capacidade renovável está a traduzir-se numa melhoria da rentabilidade. Apesar de pertencerem ao mesmo grupo, as duas empresas enfrentam desafios distintos, relacionados com a produção de energia, os preços da eletricidade e os custos de financiamento. A EDP e a EDPR apresentam os seus resultados a 5 de novembro, antes da abertura do mercado e depois do fecho da sessão, respetivamente.

EDP: redes e produção hídrica em destaque

No primeiro semestre, a EDP registou um resultado líquido recorrente de 753 milhões de euros, praticamente em linha com o período homólogo. A empresa beneficiou do desempenho das redes de distribuição e da produção renovável, tendo revisto em alta os objetivos para 2026: um EBITDA de 5.300 milhões de euros e um resultado líquido recorrente de 1.400 milhões de euros.

Os indicadores operacionais dos primeiros nove meses mostram alguns sinais positivos. A eletricidade distribuída aumentou 3%, para 70,2 TWh, enquanto os recursos hídricos em Portugal ficaram 21% acima da média de longo prazo. Será importante perceber se estes fatores foram suficientes para reforçar a rentabilidade e manter a empresa no caminho certo para cumprir as metas anuais.

A evolução da dívida e dos custos financeiros também merece atenção, tendo em conta o elevado investimento necessário para expandir e modernizar as redes elétricas.

Gráfico das ações da EDP
XTB 04/11/2026

Desde o início de 2025, a ação da EDP mantém uma tendência ascendente, negociando dentro de um canal de subida bem definido. Atualmente, a cotação encontra-se próxima dos 5,00 euros, a testar uma zona de resistência nos 5,15 euros, que coincide com o limite superior do canal. Uma quebra consistente deste nível poderá reforçar o movimento positivo e abrir espaço para novas valorizações. 

Por outro lado, uma rejeição nesta zona poderá provocar uma correção em direção ao limite inferior do canal, que funciona como suporte dinâmico. A manutenção da estrutura ascendente será importante para preservar o atual sentimento positivo em torno da cotação.

 

EDPR: crescimento da capacidade, mas pressão meteorológica

Na EDPR, o primeiro semestre ficou marcado por um crescimento de 8% no EBITDA recorrente, para 1.033 milhões de euros, e de 33% no resultado líquido recorrente, para 183 milhões de euros.

Nos primeiros nove meses, a capacidade instalada aumentou 4%, para 20,5 GW, enquanto a produção elétrica cresceu 2%, para 30,9 TWh. No entanto, as condições meteorológicas foram menos favoráveis, com o fator de utilização a recuar de 28% para 27%. Na Península Ibérica, este indicador caiu para 17% no terceiro trimestre, face aos 23% registados no período homólogo.

Os investidores deverão acompanhar também os ganhos com a venda de participações em projetos renováveis e a evolução da dívida líquida, que atingiu 8.682 milhões de euros no final do primeiro semestre, mais 7% do que no final de 2025.

Gráfico das ações da EDPR
XTB 04/11/2026

Desde o segundo trimestre de 2025, a ação da EDPR tem vindo a recuperar, tendo quebrado a linha de tendência descendente que condicionava a cotação desde 2022. 

Atualmente, a ação encontra-se a consolidar dentro de um intervalo lateral, com suporte na zona dos 11,96 euros e resistência nos 14,42 euros. Depois de uma correção recente, a cotação voltou a recuperar, negociando perto dos 13,48 euros. Uma quebra da resistência dos 14,42 euros poderá reforçar o movimento de recuperação e abrir caminho a novas valorizações.

 Pelo contrário, uma perda do suporte dos 11,96 euros poderá aumentar a pressão vendedora e colocar em causa a tendência de recuperação.

 

O que poderá influenciar a reação das ações?

Na EDP, a atenção estará centrada na evolução das redes, na produção hidroelétrica e na capacidade de cumprir os objetivos anuais. Na EDPR, será fundamental perceber se o crescimento da capacidade instalada consegue compensar as condições meteorológicas menos favoráveis e a pressão sobre os preços da eletricidade.

Uma melhoria da rentabilidade, acompanhada por uma geração de caixa sólida e controlo da dívida, poderá ser bem recebida pelo mercado. Pelo contrário, margens inferiores ao esperado ou dificuldades na execução dos investimentos poderão limitar a reação positiva das ações.

Em suma, os resultados deverão permitir avaliar se o grupo EDP está a conseguir transformar o crescimento operacional em maior rentabilidade. Para os investidores, será importante acompanhar não só os lucros, mas também a capacidade de cada empresa para gerar caixa e cumprir as perspetivas definidas para 2026.


 

Gonçalo Caeiro

Analista XTB

Gonçalo Caeiro é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde acompanha a evolução dos mercados e participa na produção de conteúdos dirigidos a investidores. É licenciado em Gestão pela Universidade de Évora e possui uma pós-graduação em Análise Financeira pelo ISEG – Lisbon School of Economics & Management. A sua especialização centra-se em estratégias de curto prazo nos índices norte-americanos, com particular foco no Nasdaq, e na análise de ações numa perspetiva de curto e médio prazo. A sua abordagem combina análise técnica, price action e momentum, com especial atenção à identificação de oportunidades e à gestão do risco nos mercados financeiros.

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