16:41 · 7 de outubro de 2026

As ações da Webull registam uma queda de 20 % devido a receios quanto a possíveis ligações à China

As ações da Webull (BULL.US) registaram hoje uma queda superior a 20 %, na sequência da publicação de um relatório da Comissão Especial da Câmara dos Representantes dos EUA sobre a China, de caráter bipartidário, que levantou preocupações em matéria de segurança nacional relativamente aos laços da plataforma com a China. As ações caíram para cerca de 5,80 dólares, à medida que os investidores reagem às preocupações em torno da estrutura acionista da empresa, da infraestrutura tecnológica e dos fluxos de dados. A Webull contesta partes do relatório e afirma que este contém imprecisões significativas. A empresa foi fundada por um antigo colaborador da Xiaomi e da Alibaba, tendo as suas potenciais ligações à China sido alvo de debate há vários anos.

  • A comissão afirmou que a estrutura acionista, as operações tecnológicas, a infraestrutura, o financiamento e os sistemas de conformidade da Webull estão materialmente ligados à China.
  • De acordo com o relatório, a empresa apresenta-se publicamente como uma empresa norte-americana, enquanto algumas operações tecnológicas fundamentais são, alegadamente, geridas por uma entidade sediada na China continental.
  • Desde outubro de 2025, a Webull detém diretamente os fundos dos clientes, o que, segundo a comissão, aumentou a exposição do capital norte-americano a riscos potenciais.
  • O relatório argumenta que partes do software, da infraestrutura de dados e das operações de engenharia da Webull podem estar sujeitas à legislação chinesa, a qual, em determinadas circunstâncias, pode exigir que as empresas cooperem com as autoridades estatais.
  • A Webull contesta as conclusões do relatório e afirma que a comissão não solicitou esclarecimentos à empresa antes de publicar as suas conclusões.
  • A empresa salienta que as suas operações nos EUA são geridas a partir de escritórios na Flórida e em Nova Iorque, enquanto os dados dos clientes norte-americanos são armazenados no país e o acesso a informações sensíveis é controlado nos Estados Unidos.

O relatório da comissão poderá representar um dano significativo à reputação de uma empresa que gere contas de corretagem para clientes norte-americanos, embora a Webull não tenha aceitado as conclusões da comissão. Ainda assim, um ambiente regulatório mais restritivo poderá tornar-se um desafio significativo para a empresa e complicar os seus esforços para atrair e reter clientes no mercado norte-americano.

Webull (D1)

Fonte: xStation5

João Cruz

Analista XTB

João Cruz é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde participa na produção de conteúdos educativos (artigos, vídeos e webinars) dirigidos a investidores de retalho. É licenciado em Finanças pela Universidade de Aveiro e possui experiência em trading e na análise de diferentes classes de ativos, com especial foco na análise técnica de índices e ETFs. Colabora com a Rankia na criação de conteúdos financeiros e publica análises de mercado em plataformas como o Investing Portugal. É ainda o criador do projeto From Trader to Trader, que integra um canal de YouTube dedicado à análise técnica de ativos financeiros e um blog com cerca de 400 artigos publicados sobre análise macroeconómica e análise técnica.

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