12:44 · 21 de setembro de 2026

Derrota histórica para a CDU na Alemanha: o que dizem os mercados?

Principais conclusões
Principais conclusões
  • A CDU sofreu uma derrota histórica nas eleições regionais alemãs, enquanto a AfD registou ganhos significativos.
  • O DAX sobe perto de 1%, indicando que os investidores não estão a atribuir, para já, um prémio de risco significativo ao resultado eleitoral.
  • O principal risco para os mercados é de médio prazo, caso a pressão política sobre Friedrich Merz dificulte a aprovação e execução das reformas económicas.

As eleições regionais na Alemanha produziram um resultado difícil de ignorar do ponto de vista político, mas que, para já, está a ter um impacto praticamente nulo nos mercados. O DAX sobe perto de 1% e o Euro Stoxx acompanha os ganhos, num sinal de que os investidores não estão, neste momento, a atribuir um prémio de risco ao resultado eleitoral.

Eleições regionais na Alemanha: qual o panorama?

Apesar do mercado não ter mexido, a dimensão da derrota da CDU é relevante. Em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, o partido de Friedrich Merz obteve apenas 4,9% dos votos, ficando abaixo do limiar de 5% e sem representação no parlamento regional. É o pior resultado da CDU numa eleição estadual desde o pós-guerra. Ao mesmo tempo, a AfD alcançou 38,2%, mais do dobro dos 17% obtidos em 2021.

Em Berlim, o quadro não foi muito diferente. A CDU caiu de 28,2% em 2023 para menos de 19%, enquanto o Die Linke subiu para cerca de 25,7% e a AfD ultrapassou os 16%. Ou seja, o eleitorado está a afastar-se dos partidos tradicionais do centro, tanto para a direita como para a esquerda.

Porque é que os mercados não estão a penalizar a Alemanha?

Há uma diferença importante entre o impacto político e o impacto de mercado. Estas são eleições regionais e não alteram diretamente a composição do governo federal. Além disso, a AfD continua isolada politicamente, o que reduz a probabilidade de o resultado se traduzir imediatamente numa mudança de política económica ou numa alteração da orientação de Berlim.

Para os mercados, o verdadeiro risco podem vir mais a longo prazo. O resultado aumenta a pressão sobre Merz e pode dificultar a aprovação e execução das reformas económicas que o chanceler pretende implementar. O próprio Merz reconheceu a dimensão da derrota, mas reafirmou que pretende permanecer no cargo e avançar com as reformas.

É precisamente aqui que a reação positiva do índice alemão se torna interessante. O mercado parece estar a interpretar o resultado como um problema político de médio prazo, e não como um choque imediato para o crescimento ou para os lucros das empresas alemãs. Enquanto não houver uma crise de liderança na CDU, uma rutura da coligação ou sinais de bloqueio das reformas federais, é difícil justificar uma reavaliação do prémio de risco sobre as empresas alemãs cotadas.

Por isso, a subida de quase 1% do DAX não significa que o mercado esteja a ignorar o resultado eleitoral. Significa sim, que os investidores estão a separar ruído político de impacto económico imediato.

Desempenho por setores na Europa esta manhã Euro Stoxx
XTB

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times. É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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