07:44 · 17 de agosto de 2026

Destaques da manhã (17.08.2026)

📊 Índices e Empresas

  • Após uma sessão de sexta-feira marcada pela incerteza, os futuros dos índices norte-americanos retomam as subidas, aproximando-se de máximos históricos. Os futuros do Nasdaq são os que mais valorizam (US100: +0,3%). Os futuros do S&P 500 (US500: +0,15%) e do Russell 2000 (US2000: +0,05%) também registam subidas. As quedas nos futuros do DJIA (US30: -0,05%) sugerem uma continuação da migração de capitais para as ações do setor tecnológico.
  • A Ásia está a registar uma recuperação impulsionada pela diminuição das expectativas quanto a subidas das taxas de juro nos EUA, na sequência dos dados fracos sobre o consumo divulgados na sexta-feira (uma queda nas vendas a retalho e nos índices de confiança). As subidas foram lideradas por Hong Kong (HK.cash: +1,1%) e pela China (CHN.cash: +1,15%). Os futuros do Nikkei 225 (JP225) valorizaram 0,3%, apesar dos dados significativamente mais fracos relativos ao PIB japonês. A Austrália mantém-se estável, enquanto a Coreia do Sul se encontra encerrada por feriado.
  • O setor dos semicondutores liderou as subidas no Japão e na China (incluindo a Kioxia +7,6%, a SMIC +7,1% e a Cambricon +5%). A Alibaba registou uma subida de 1,5% na sequência de notícias sobre a venda planeada do estúdio de jogos Lingxi Games (avaliado em mais de 1,5 mil milhões de dólares). Na Austrália, algumas empresas registaram quedas acentuadas após a divulgação dos resultados: a retalhista JB Hi-Fi e o banco NAB (com uma queda superior a 3,5% na sequência de alertas para uma recessão no mercado hipotecário).

🌍 Economia e Geopolítica

  • O PIB japonês cresceu a uma taxa anualizada de 1,1% no segundo trimestre (0,3% em relação ao trimestre anterior), ficando muito abaixo do consenso de 2%. Uma queda inesperada na procura interna foi o principal fator por trás deste resultado abaixo do esperado. O consumo privado registou uma descida pela primeira vez em dois anos (-0,02% em relação ao trimestre anterior), enquanto o CAPEX contraiu 1,2% em relação ao trimestre anterior devido à incerteza na cadeia de abastecimento relacionada com a guerra no Médio Oriente. Estas quedas compensaram o impacto positivo das exportações líquidas, que foram impulsionadas pela procura de equipamento de IA e de veículos híbridos.
  • Em contrapartida, a produção industrial proporcionou uma surpresa positiva (4,9% em termos homólogos; previsão: 4,2%, valor anterior: -2,1%), refletindo o otimismo recentemente sinalizado no inquérito Tankan.
  • Os ministros dos Negócios Estrangeiros de oito países (incluindo a Turquia, a Arábia Saudita e o Egito), juntamente com o Hamas, condenaram a rejeição por parte de Israel do plano do Conselho de Paz. O presidente turco Erdogan afirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz continua a ser uma prioridade máxima.

💱 Moedas, matérias-primas e criptomoedas

  • O índice do dólar regista uma descida pela terceira sessão consecutiva (USDIDX: -0,15%), atingindo mínimos que marcaram um suporte importante em meados de junho. O aumento do apetite pelo risco na Ásia é confirmado pelos ganhos generalizados dos dólares australiano e neozelandês (AUDUSD: +0,4%, NZDUSD: +0,6%). O iene está a valorizar, apesar dos dados fracos do PIB (USDJPY: -0,15%). O EURUSD (+0,2%) está a ser negociado num máximo de dois meses, perto de 1,1585.
  • Os futuros do Brent (OIL) mantêm-se estáveis em relação ao fecho de sexta-feira (cerca de 88,50 dólares por barril), num contexto de ausência de alterações significativas no Médio Oriente. Os futuros do gás natural europeu abriram em alta (NATGAS.EU: +2%, NATGAS: -2%).
  • As expectativas quanto aos aumentos das taxas de juro da Reserva Federal estão, mais uma vez, a impulsionar os metais preciosos. O ouro valoriza 0,4%, para 4 393 dólares por onça, enquanto a prata sobe 1,6%, para 65,70 dólares por onça. Os futuros da platina e do paládio também estão a ser negociados em alta.
  • No mercado das criptomoedas, prevalece um otimismo moderado. A Btcoin subiu 0,9%, para 63 520 dólares, enquanto a ethereum registou um ganho de 1,3%, para 1 900 dólares.

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times.

É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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