A semana que agora termina nos mercados
Os mercados financeiros encerraram o ano ainda sob a influência da liquidez reduzida típica da época festiva, mas com movimentos relevantes tanto nas ações como nas matérias-primas e ativos de risco/refúgio.
Nos índices acionistas, os mercados globais continuaram a refletir o sentimento de otimismo que predominou em 2025, embora o padrão de negociação tenha sido caracterizado por volumes baixos e movimentos técnicos, mais do que por grandes catalisadores de mercado. Em Wall Street, por exemplo, os futuros do S&P 500 caíram um pouco na última sessão antes do Ano Novo, com ações de tecnologia como a Tesla e a Nvidia a pressionarem a tendência positiva no Nasdaq, sugerindo alguma cautela no encerramento de posições num contexto de fim de ciclo anual e antecipação de eventos macro futuros.
O ambiente geral nos mercados acionistas reflete uma narrativa de forte desempenho em 2025, com os índices americanos a acumularem ganhos ao longo do ano, apesar dos receios macro e de política monetária que se sobrepuseram a momentos de volatilidade. Na Europa, o destaque de 2025 foi a performance do FTSE 100 no Reino Unido, que registou o seu melhor ano desde 2009 com uma valorização de cerca de 21,5%, superando Wall Street e refletindo o apetite de investidores por sectores como os de metais preciosos, telecomunicações e defesa. Também o Ibex 35 surpreendeu ao valorizar quase 50% e ultrapassar a marca dos 17.000 pontos pela primeira vez na história.
Nas matérias-primas, este foi um ano muito atípico: os metais preciosos como o ouro e a prata protagonizaram um rally extraordinário ao longo de 2025, impulsionados por expectativas de cortes nas taxas de juro pela Reserva Federal, pela fraqueza do dólar e tensões geopolíticas, levando o preço do ouro para níveis acima dos US$4.500 por onça e a prata a ultrapassar US$80 por onça, movimentos de grande envergadura para ativos tradicionalmente considerados activos de refúgio. No entanto, a correção técnica nos metais preciosos foi um dos temas marcantes desta semana. A COMEX (através da CME) aumentou as exigências de margem para futuros da prata para enfrentar a volatilidade extrema, o que levou a quedas de preços no curto prazo — com a prata a sofrer um recuo mais acentuado, devolvendo parte dos ganhos recentes e caindo cerca de 8-9% nas últimas sessões, um movimento que aponta para ajustamentos de risco e desalavancagem no final de ano.
Quanto ao tão falado “rally de Natal” (o clássico fenómeno de subida de mercados no fim do ano), os dados sugerem que houve alguma forma de extensão de ganhos em 2025 nas semanas finais de dezembro, mas que não foi tão acentuada nem tão generalizada como noutros anos — os mercados apresentaram movimentos mistos nas últimas sessões, com alguns índices a consolidarem ganhos e outros a realizarem lucros, especialmente em sectores mais expostos ao risco.
Destaques da semana que vem
Reunião da OPEP
Data: domingo, 4 de Janeiro
Na reunião agendada para o dia 4 de janeiro de 2026, os membros da OPEP devem confirmar a sua política de oferta de crude para o início do ano. O consenso dos mercados até agora é de que a OPEP+ deve manter a decisão que tomou no final de 2025 de suspender aumentos adicionais de produção, mantendo o status-quo de oferta para tentar estabilizar os preços do petróleo num contexto de queda significativa em 2025. A reunião de 4 de janeiro é uma das primeiras grandes decisões de política de oferta de 2026 e será observada de perto por investidores em energia, dado que qualquer mudança, mesmo uma reafirmação das quotas existentes, pode influenciar os preços do crude e o sentimento em torno de sectores expostos à energia.
Emissão de dívida pública portuguesa
Data: semana de 5-9 de Janeiro
Embora o IGCP não tenha (até agora) divulgado publicamente um leilão específico com data exata, o programa de financiamento anual indica que serão realizadas operações regulares de emissão de Bilhetes do Tesouro (BT) e, em momentos subsequentes, de Obrigações do Tesouro (OT) em todo o primeiro semestre de 2026. Portanto, espera-se que, como em semanas anteriores, possa haver uma operação de BT de curto prazo ou uma emissão/ajuste de dívida no mercado primário durante a semana de 5 a 9 de janeiro, mesmo que os detalhes finais (montantes, maturidades e condições) sejam definidos normalmente apenas uns dias antes de cada leilão. Ainda assim espera-se que a agência pretenda colocar títulos com maturidade normalmente entre 10 e 12 meses, num montante indicativo que pode chegar a cerca de 1 250 milhões de euros ou próximo desse valor, conforme o plano de leilões regulares de dívida que o IGCP tem implementado para gerir a curva e alargar a liquidez no mercado primário O IGCP também tem feito operações de recompra (reverse auctions) e reembolsos antecipados de dívida, o que faz parte da gestão dinâmica da sua carteira de dívida pública, e que pode influenciar a liquidez e os spreads dos títulos no mercado secundário.
Variação de emprego não agrícola nos EUA
Data: sexta-feira, 9 de Janeiro às 13h30 GMT
Este será o indicador mais importante da primeira semana do ano, dado o seu impacto potencial nas expectativas de política monetária da Reserva Federal e nas trajectórias dos mercados de ações, obrigações e divisas. Segundo dados mais recentes, a economia dos EUA adicionou um número relativamente modesto de empregos em Novembro (+64.000), numa série que mostra pouca alteração líquida desde Abril, com setores como saúde e construção a compensar perdas noutros segmentos.
As expectativas do mercado para o próximo relatório situam-se em terreno de crescimento moderado — com consenso de analistas a apontar para um crescimento de 55.000 novos postos de trabalho em Dezembro, valor que fica abaixo dos níveis de robustez observados em anos mais fortes, reflectindo uma economia que parece estar a abrandar o ritmo de criação do emprego, mas mantendo um mercado laboral relativamente resiliente.
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