12:29 · 21 de agosto de 2026

Destaques da semana que vem (24 Agosto -30 Agosto)

Principais conclusões
Principais conclusões
  • Mercados: Bolsas norte-americanas em queda, com o Nasdaq sob pressão, num contexto de subida dos preços da energia e receios de inflação.
  • EUA: Dados económicos foram globalmente robustos, com forte melhoria da atividade industrial e pedidos de desemprego abaixo do esperado.
  • China e Japão: Dados chineses revelaram um abrandamento da atividade e consumo, enquanto o Japão apresentou exportações fortes, mas crescimento económico abaixo do esperado.
  • Europa: Inflação no Reino Unido acelerou para 2,9%, enquanto a confiança económica da zona euro melhorou significativamente em agosto.
  • Inflação: O IPC da Austrália e, sobretudo, o PCE dos EUA serão determinantes para as expectativas sobre as próximas decisões das taxas de juro.
  • Jackson Hole: O simpósio da Fed, entre 27 e 29 de agosto, será o principal foco dos mercados, com atenção ao discurso de Kevin Warsh e à política monetária.
  • Resultados nos EUA: A época de resultados aproxima-se do fim, com destaque para NVIDIA, Salesforce e HP, além de Zoom, Best Buy e Marvell.

A semana que agora termina nos mercados

Os mercados acionistas americanos deverão encerrar a semana em baixa, liderados pelo Nasdaq. As quedas ocorreram à medida que a subida incessante dos preços da energia reacendeu as preocupações com a inflação, o que, aliado a um calendário intenso de emissões de dívida relacionadas com a inteligência artificial (IA), empurrou os rendimentos dos títulos de longo prazo dos EUA de volta para um máximo de 20 anos, bem como de outros países como o Japão. As obrigações a 30 anos dos EUA atingiram os 5,3% (o valor mais elevado desde 2007), e os juros das obrigações a 10 anos japonesas subiram para cerca de 2,95% (níveis não observados nas últimas três décadas).

EUA

- O índice de atividade industrial da Fed ea Filadélfia subiu para 47,4 em agosto, superando largamente a previsão de 25, enquanto o índice Empire State de Nova Iorque subiu para 20,60, bem acima dos 11 esperados;
- Os pedidos iniciais de subsídio de desemprego nos EUA caíram para 206.000, superando a previsão de 210.000 e registando uma descida em relação aos 212.000 da semana anterior;
- As novas construções nos EUA em julho caíram 12,4% em relação ao mês anterior, para 1,239 milhões, ficando aquém da previsão de 1,35 milhões, enquanto as licenças de construção subiram 5% em relação ao mês anterior, para 1,443 milhões, excedendo a previsão de 1,37 milhões.

APAC

- A produção industrial da China, em termos homólogos, registou em julho um crescimento de 4,5%, ficando aquém da previsão de 5,0% e abrandando face aos 5,3% anteriores, enquanto as vendas a retalho, em termos homólogos, cresceram apenas 0,6% contra a previsão de 1,5%;
- Os preços das habitações novas na China caíram 3,2% em termos homólogos em julho, marcando o 37.º mês consecutivo de quedas anuais;
- A taxa preliminar de crescimento do PIB do Japão no segundo trimestre situou-se nos 0,3%, ficando aquém da previsão de 0,5%, enquanto a taxa de inflação em julho, em termos homólogos, acelerou de 1,6% para 1,9%;
- As exportações do Japão, em termos homólogos, registaram um aumento de 23,2% em julho, superando a previsão de 19,9%, enquanto as encomendas de maquinaria, em termos homólogos, registaram um aumento de 16,9% em junho, muito acima da previsão de 10,8%;
- O relatório sobre a força de trabalho da Austrália, relativo a julho, revelou que o número de postos de trabalho diminuiu em 15.800, contrariamente às previsões que apontavam para um aumento de 15.000, o que fez subir a taxa de desemprego para 4,5%, face aos 4,4% esperados.

Europa

- A taxa de inflação do Reino Unido em julho, em termos homólogos, aumentou de 2,6% para 2,9%, em linha com as expectativas, enquanto a taxa de inflação subjacente, em termos homólogos, subiu ligeiramente para 2,6%, superando a previsão de 2,5%;
- A taxa de desemprego do Reino Unido em junho manteve-se estável nos 4,9%, ligeiramente acima da previsão de 4,8%, uma vez que a variação no emprego registou um aumento de 83.000;
- O índice de confiança económica ZEW da zona euro, relativo a agosto, subiu para 31,4, superando a previsão consensual de 25,4 e aumentando em relação aos 23,4 anteriores.

Destaques da semana que vem

IPC na Austrália de Julho
Data: quarta-feira, 26 de agosto, às 02h30 GMT

Os dados de junho relativos ao índice de preços no consumidor (IPC) revelaram que a inflação global abrandou para 3,8% em termos homólogos nos 12 meses até junho de 2026, abaixo dos 4,0% registados em maio e inferior ao consenso de 4,0%. O valor mensal registou uma descida de 0,1%. Os dados mais moderados de junho, combinados com o tom mais equilibrado do governador Bullock, que reconheceu a fraqueza nos setores da habitação e do emprego, reforçaram a decisão do RBA de manter a taxa de juro de referência nos 4,35% na reunião de agosto. Na publicação do IPC mensal de julho, na próxima quarta-feira, os mercados estarão atentos para verificar se a recente moderação se mantém. A expectativa preliminar é de que a taxa global desça para 3,5% em termos homólogos, e o IPC subjacente se mantenha em linha com as previsões ou mais moderado reforçaria os argumentos para que o RBA mantivesse a taxa inalterada na sua reunião do Conselho de Setembro.

Índice de Preços PCE nos EUA
Data: quarta-feira, 26 de agosto, às 13h30 GMT

No mês passado, o PCE global caiu 0,1% em relação ao mês anterior em junho, reduzindo a taxa anual de 4,1% para 3,7%. O indicador de inflação preferido da Reserva Federal, o PCE subjacente, subiu apenas 0,1% em relação ao mês anterior, após três aumentos consecutivos de 0,3%, fazendo com que a taxa anual baixasse de 3,4% em maio para 3,3%. Embora o valor mensal do PCE subjacente tenha ficado abaixo do consenso de 0,2%, o valor homólogo manteve-se bem acima da meta de 2% da Fed. Com a reunião de setembro a menos de um mês de distância e o simpósio de Jackson Hole, no final da próxima semana, a proporcionar a próxima grande oportunidade de comunicação, a divulgação na quarta-feira do PCE subjacente de julho terá um peso significativo. O consenso aponta para que o PCE subjacente suba 0,2% em relação ao mês anterior em julho, mantendo a taxa anual inalterada em 3,3%. Um resultado mais elevado do que o esperado aumentaria a probabilidade de um aumento das taxas em setembro. Um resultado mais fraco ajudaria a moderar essas expectativas e a sustentar a opinião de que a Fed pode dar-se ao luxo de permanecer paciente.

Simpósio de Jackson Hole
Data: quinta-feira, 27 de agosto

O Simpósio Económico de Jackson Hole é uma conferência anual organizada pela Fed de Kansas City em Jackson Hole, no Wyoming. O evento reúne responsáveis de bancos centrais, ministros das Finanças, académicos e participantes nos mercados financeiros de todo o mundo para debater questões importantes que a economia global enfrenta. Embora seja historicamente mais valorizado pelas suas discussões académicas do que como um palco para a orientação imediata da política monetária por parte dos líderes da FOMC, tem servido, nos últimos anos, como palco para alguns anúncios significativos. Em 2022, o então presidente Powell utilizou o simpósio para contrariar as expectativas de flexibilização. Em 2020, utilizou o mesmo simpósio para anunciar a adoção de uma meta de inflação média flexível. O simpósio deste ano decorre de 27 a 29 de agosto e espera-se que a agenda se centre nos pagamentos digitais, nas stablecoins, na tokenização e em questões estruturais relacionadas. O presidente Kevin Warsh já indicou uma clara preferência por abordar questões de visão global e tem demonstrado uma relutância consistente em fornecer orientações explícitas a curto prazo.

Época de divulgação de resultados do 2º trimestre nos EUA

A época de resultados do 2.º trimestre de 2026 nos EUA está na reta final. A próxima semana ainda conta com alguns nomes importantes, incluindo a Zoom Communications na terça-feira. O foco principal, no entanto, recairá sobre a NVIDIA, a Salesforce e a HP na quarta-feira, seguidas pela Best Buy e a Marvell Technology na quinta-feira. O foco será sobretudo a NVIDIA, dada a sua forte exposição à IA e à procura de centros de dados.

Nuno Mello

Head of Sales XTB

Nuno Mello é licenciado em Engenharia Civil e desenvolveu desde cedo uma forte ligação aos mercados financeiros, onde opera há mais de 15 anos. Ao longo do seu percurso, acumulou vasta experiência em mercados de referência como a New York Stock Exchange, Chicago Board of Trade, Chicago Mercantile Exchange, Euronext e no mercado Forex, com especialização em matérias-primas.

Atualmente, combina estratégias de day trading e swing trading, adotando uma abordagem disciplinada, assente numa gestão de risco rigorosa e numa leitura técnica aprofundada dos mercados.

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