09:13 · 27 de outubro de 2026

Ouro recua abaixo dos $4.000

Principais conclusões
Principais conclusões
  • O ouro caiu abaixo de 4 000 USD por onça devido à pressão nos mercados de metais preciosos.
  • A prata desceu quase 2% para negociar perto de 53 USD por onça.
  • Os preços elevados da energia aumentam o risco de inflação persistente e taxas de juro elevadas.

Os metais preciosos têm estado sob pressão, com a amplitude das quedas a indicar uma deterioração do sentimento do mercado, na expectativa de novos sinais por parte da Reserva Federal. O ouro registou uma descida de cerca de 0,5%, caindo abaixo dos 4 000 dólares por onça, enquanto a prata desceu quase 2%, para cerca de 53 dólares.


As expectativas em relação à Reserva Federal continuam a ser o principal fator. Os mercados esperam que o banco central mantenha as taxas de juro inalteradas na próxima reunião, mas continuam a prever a possibilidade de um novo aumento das taxas antes do final do ano. Os preços elevados da energia aumentam o risco de inflação persistente, o que poderá levar a Reserva Federal a manter as taxas elevadas por mais tempo do que o inicialmente previsto. Tal cenário é desfavorável para o ouro e a prata, que não geram rendimentos de juros.


A quebra do nível dos 4 000 dólares pelo ouro é particularmente importante. Este limiar psicológico poderá agora tornar-se uma resistência, e a incapacidade de recuperar rapidamente acima desse nível aumenta o risco de novas quedas para realização de lucros. A prata continua ainda mais vulnerável à volatilidade. Para além das alterações nas expectativas relativas às taxas de juro, responde também às perspetivas para a atividade industrial e para o crescimento económico global, o que poderá agravar as suas perdas quando o sentimento do mercado se deteriorar.


O próximo movimento dependerá principalmente das obrigações, do dólar norte-americano e das comunicações da Reserva Federal. Uma mensagem de tom hawkish poderá aumentar a pressão sobre os metais preciosos, enquanto o enfraquecimento das expectativas de um aumento das taxas em dezembro criaria margem para uma recuperação. Por enquanto, a quebra do ouro abaixo dos 4 000 dólares e a queda mais acentuada da prata apontam para uma perspetiva cautelosa.

Fonte: XTB Research

Fonte: XTB Research

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times. É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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