13:32 · 15 de outubro de 2026

Pânico no mercado do níquel 🚩 INSG revê as previsões: haverá excedente em 2027?

O níquel continua a registar quedas hoje, atingindo o seu nível mais baixo desde o final de dezembro de 2025, na sequência das novas previsões do Grupo Internacional de Estudo do Níquel (INSG). A organização prevê que o mercado global de níquel termine 2026 com um excedente de oferta modesto, que se deverá ampliar ainda mais em 2027. Isto representa uma mudança significativa em relação a abril, altura em que o INSG ainda previa um défice para 2026.

  • Prevê-se que a procura global de níquel primário atinja cerca de 3,85 milhões de toneladas em 2026, um aumento de 7,6% em relação ao ano anterior, enquanto a produção está prevista em aproximadamente 3,87 milhões de toneladas.
  • Isto deixaria o mercado com um excedente de cerca de 19 000 toneladas em 2026, em comparação com o défice de 32 000 toneladas previsto em abril, o que teria representado o primeiro défice anual de oferta desde 2021.
  • Na sua previsão anterior, o INSG esperava uma procura de 3,75 milhões de toneladas e uma produção de 3,72 milhões de toneladas para 2026, indicando que tanto o consumo como a oferta estão a crescer mais rapidamente do que o anteriormente previsto.

Embora o INSG preveja que a procura do setor do aço inoxidável aumente ainda mais no segundo semestre de 2026 e ao longo de 2027, a utilização de níquel nas baterias de veículos elétricos tem, até ao momento, crescido mais lentamente do que o esperado, devido à crescente concorrência da tecnologia LFP (baterias de fosfato de lítio-ferro). A Indonésia, o maior produtor mundial de níquel, aprovou quotas de produção de minério de níquel para 2026 inferiores às do ano anterior. Os pedidos de quotas de produção para 2027 podem ser apresentados até 15 de novembro.

Para 2027, o INSG prevê que tanto a procura como a oferta continuem a aumentar, mas estima-se que o excedente de mercado aumente para cerca de 70 000 toneladas. Prevê-se que o consumo global de níquel atinja aproximadamente 4 milhões de toneladas, enquanto a produção está projetada em cerca de 4,07 milhões de toneladas. Do ponto de vista do preço do níquel, as previsões têm implicações de baixa, uma vez que se espera que o aumento da procura continue a ser mais do que compensado por um crescimento ainda mais rápido da produção. A Indonésia continuará, portanto, a ser um fator-chave para o mercado, particularmente no contexto das futuras quotas de exploração mineira.

Gráfico do preço do níquel (NICKEL), intervalo D1

Analisando o gráfico do níquel, o RSI caiu abaixo de 30, indicando as condições de sobrevenda mais pronunciadas desde o início de dezembro de 2025, enquanto o preço está a ser negociado cerca de 10 % abaixo da média móvel exponencial de 200 sessões (EMA200), confirmando claramente a tendência de baixa. O primeiro objetivo para os otimistas seria uma recuperação em direção aos 15 600, com uma resistência potencialmente chave em torno dos 16 500, enquanto uma importante zona de suporte técnico se situa entre os 13 800 e os 14 000. No entanto, está longe de ser certo que o preço desça até esses níveis, uma vez que, tecnicamente, se aproximou de uma importante área de suporte correspondente à ampla faixa de consolidação observada em 2025. Consequentemente, o mercado poderá, pelo menos temporariamente, começar a estabilizar-se em torno dos níveis atuais, enquanto aguarda um catalisador externo.

Fonte: XTB

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times. É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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