Logo após a divulgação dos seus resultados, a Netflix registou uma queda superior a 6%, após o fecho do mercado.
Apesar de ter superado ligeiramente as expectativas do mercado no que diz respeito aos principais indicadores financeiros, a empresa desiludiu os acionistas noutras áreas importantes para o seu negócio.
As expectativas do mercado eram moderadamente otimistas, embora a fasquia ainda não estivesse colocada muito alta:
- Receitas: 12,87 mil milhões de USD, contra o nível esperado acima dos 12,8 mil milhões de USD.
- Lucro por ação (EPS): 0,87 USD, acima das expectativas do mercado em torno dos 0,82 USD. Isto representa um crescimento homólogo de cerca de 60%.
- O forte crescimento dos lucros foi impulsionado por um aumento impressionante da margem, com a margem operacional a subir para 34,6%, o que representa 1,4 pontos percentuais acima das orientações da administração.
O que correu mal?
O aumento dos lucros e da margem parece impressionante, mas não é orgânico. O resultado operacional do ano passado foi prejudicado por mais de 620 milhões de USD relacionados com um litígio fiscal com o governo brasileiro. O aumento da margem registado em relação ao ano anterior chega a 6 pontos percentuais, mas, após ajustar a base de comparação, a melhoria reduz-se para cerca de 1 ponto percentual.
Mas esta não é a maior preocupação dos acionistas.
A administração viu-se obrigada a rever em baixa a sua previsão de EPS para o 4.º trimestre. A nova previsão situa-se em cerca de 0,67 dólares por ação, contra os 0,73 dólares esperados antes da teleconferência sobre os resultados. Trata-se de uma queda de quase 10%.
Pior ainda, um dos motores de crescimento esperados para os próximos trimestres e anos, a publicidade, apresentou um desempenho abaixo do esperado. A empresa prevê receitas limitadas a 2,7 mil milhões de dólares, contra os 3,0 mil milhões de dólares esperados. A administração explica esta desilusão pela implementação mais lenta do que o previsto de soluções destinadas a melhorar a monetização. Isto tem implicações significativas para a avaliação, uma vez que um atraso ou abrandamento pode desencadear uma onda de vendas muito maior do que a diferença nominal no resultado possa sugerir.
Isto decorre do conceito do valor temporal dos fluxos de caixa, que é fortemente amplificado pela alavancagem operacional com que os acionistas contam.
As preocupações mantêm-se
No segundo trimestre, a receita cresceu 13,4%, enquanto o total de horas de visualização em todo o primeiro semestre do ano aumentou apenas 2%. A empresa também sinalizou, nessa altura, que a amortização de conteúdos cresceria mais lentamente na segunda metade do ano, o que se esperava que apoiasse a rentabilidade.
Isto significa que a empresa está a demonstrar uma elevada eficiência de monetização, mas o ritmo de crescimento orgânico continua a ser muito baixo. Tal cria uma clara limitação à rentabilidade máxima da empresa e, ao mesmo tempo, aumenta o risco operacional.
Análise técnica de NFLX.US (D1)
Fonte: xStation5.
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