15:27 · 5 de novembro de 2026

Venda massiva no Nasdaq 🚩 Ações do setor tecnológico sofrem perdas avultadas

O contrato US100, que acompanha o índice Nasdaq 100 dos EUA, registou hoje uma queda superior a 4,5%, à medida que os investidores entram em pânico e se apressam a vender ações do setor tecnológico.

Vários fatores podem explicar esta onda de vendas em curso. O primeiro é a vitória dos Democratas, que acabou por lançar dúvidas significativas sobre o ritmo futuro do investimento em centros de dados de IA em determinados estados dos EUA. Tal poderá afetar diretamente as carteiras de encomendas de dezenas de empresas para as quais se previa que a construção de novos centros de dados de grande escala gerasse milhares de milhões de dólares em receitas e que, em alguns casos, constituíam a própria base dos seus modelos de negócio.

  • Outro fator é a inflação e as taxas de rendibilidade das obrigações persistentemente elevadas, a par da incerteza em torno da situação no Médio Oriente. De acordo com a IFX, a Rússia terá aconselhado os seus cidadãos a evitar viajar para o Irão, o que poderá sugerir que os Estados Unidos se preparam para intensificar as operações militares, apesar das negociações em curso com Teerão.
  • É difícil identificar uma única razão por detrás da onda de vendas, para além de uma mudança dramática no posicionamento dos investidores e da incerteza quanto à trajetória futura da tendência da inteligência artificial. O mercado receia que a tendência que tem beneficiado gigantes das infraestruturas, como a Nvidia e outros fornecedores de semicondutores, possa começar a inverter-se. A maior onda de vendas das ações da Qualcomm desde 2020, na sequência do seu relatório de resultados, apenas reforça a opinião de que o setor dos semicondutores está no centro da atual queda do mercado.
  • Outra preocupação é a perspetiva incerta para as chamadas empresas «neocloud», especializadas no aluguer de capacidade computacional. Por exemplo, as ações da CoreWeave estão a cair mais de 8 % hoje, enquanto os investidores se protegem contra potenciais problemas entre empresas com modelos de negócio semelhantes que, até recentemente, dependiam fortemente de endividamento agressivo. Isto também se reflete nos mercados de crédito.
  • Os dados macroeconómicos divulgados hoje relativos à economia dos EUA não justificam uma onda de vendas desta magnitude. Os pedidos iniciais de subsídio de desemprego diminuíram, a produtividade melhorou no trimestre anterior e os custos com a mão-de-obra baixaram. A evolução do mercado de hoje parece ser impulsionada principalmente pela alavancagem excessiva e por um reposicionamento estratégico por parte dos principais investidores, agravada pelas condições desafiantes nos mercados de crédito.
  • Ao mesmo tempo, os investidores continuam incertos quanto à forma como modelos de IA dispendiosos, como o Claude e o ChatGPT, irão competir com alternativas de código aberto cada vez mais populares e mais baratas, bem como com os modelos chineses. Nestas circunstâncias, a potencial entrada da Anthropic na bolsa de valores parece cada vez mais incerta, a menos que os investidores alterem a sua perspetiva num futuro próximo.

Vale também a pena referir que ainda não foram tomadas decisões definitivas relativamente aos centros de dados nos EUA. As quedas atuais parecem ser impulsionadas mais pela incerteza do que por dados concretos que apontem para uma inversão da tendência da inteligência artificial.

Gráfico do US100

O contrato do Nasdaq 100 está a cair para o seu nível mais baixo desde 30 de julho de 2026. O contrato de futuros do S&P 500 também está em queda, embora de forma significativamente menor do que o Nasdaq, que tem maior exposição às ações do setor tecnológico. Mesmo a recente queda significativa dos preços do petróleo não conseguiu dar apoio aos índices bolsistas norte-americanos.

Gráfico do NASDAQ
XTB

 

 

Gonçalo Caeiro

Analista XTB

Gonçalo Caeiro é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde acompanha a evolução dos mercados e participa na produção de conteúdos dirigidos a investidores. É licenciado em Gestão pela Universidade de Évora e possui uma pós-graduação em Análise Financeira pelo ISEG – Lisbon School of Economics & Management. A sua especialização centra-se em estratégias de curto prazo nos índices norte-americanos, com particular foco no Nasdaq, e na análise de ações numa perspetiva de curto e médio prazo. A sua abordagem combina análise técnica, price action e momentum, com especial atenção à identificação de oportunidades e à gestão do risco nos mercados financeiros.

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