Correlações entre mercados

  • ABC dos investimentos
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Os mercados financeiros são sistemas ligados por vasos. Se o valor das obrigações descer ou subir significativamente, isto pode influenciar o preço das moedas e das ações. Não é uma regra generalizada, mas há instrumentos que historicamente se movem como uma bicicleta tandem. Porquê? Bem, existem inúmeras razões. O dólar canadiano é um exemplo perfeito disso. A moeda está fortemente ligada ao petróleo, uma vez que esse produto tem um impacto muito significativo na economia do país. Vejamos algumas das correlações mais populares para perceber como podem ser usadas nas suas estratégias de trading.

Nesta aula, vai aprender:

  • O que são correlações e como podem influenciar os mercados
  • Que mercados se podem correlacionar uns com os outros
  • Porque razão algumas matérias-primas podem ter um impacto nas moedas
     

Os mercados financeiros são sistemas ligados por vasos. Se o valor das obrigações descer ou subir significativamente, isto pode influenciar o preço das moedas e das ações. Não é uma regra generalizada, mas há instrumentos que historicamente se movem como uma bicicleta tandem. Porquê? Bem, existem inúmeras razões. O dólar canadiano é um exemplo perfeito disso. A moeda está fortemente ligada ao petróleo, uma vez que esse produto tem um impacto muito significativo na economia do país. Vejamos algumas das correlações mais populares para perceber como podem ser usadas nas suas estratégias de trading.

Como mede a correlação?

A correlação é uma das estatísticas mais comuns e mais úteis. A correlação é um único número que descreve o grau de relação entre dois ativos. Pode ser usado para ações individuais ou ativos, ou pode medir como mercados mais abrangentes se movem um em relação ao outro. É medido numa escala de -1 a +1: uma correlação positiva perfeita entre dois ativos será de +1, e uma correlação negativa perfeita lê-se -1. No entanto, estas correlações são extremamente raras. Vejamos um exemplo visual:

Como pode ver, existe uma correlação bastante agradável entre o dólar canadiano e o petróleo. Esta correlação é definida como positiva, porque ambos os mercados se movem em tandem – o mesmo é dizer que um mercado aumenta quando o outro mercado aumenta, e que desce quando o outro desce. Claro que isto é uma regra geral, e que podem por vezes aparecer alguns desvios.

Dólar australiano (AUD) vs. Minério de Ferro

O dólar australiano é uma moeda ligada à matéria-prima (commodity currency), o que significa que a sua força depende muito do preço de matérias-primas específicas. A Austrália é o maior produtor do minério de ferro do mundo e, por isso, não é nenhuma surpresa que a riqueza da economia e o valor da sua moeda dependa fortemente das perspetivas sobre o minério de ferro. Assim, o cenário que se antecipa para esta matéria-prima pode ser considerado representativo da posição do dólar australiano.

Por exemplo, se o preço do minério de ferro subir, os investidores costumam normalmente comprar mais dólares australianos para adquirir a mesma quantidade de minério de ferro da Austrália. Isto aumenta a procura agregada da moeda, o que valoriza o AUD.

Dólar neozelandês (NZD) vs. Preços dos Laticínios

À semelhança do Canadá, a Nova Zelândia está muito dependente dos preços de uma matéria-prima: o leite. Ao contrário do petróleo ou do ouro, o leite não é uma matéria-prima sobre a qual os traders debruçam a sua atenção. Aliás, raramente se ouve falar no preço dos produtos lácteos na televisão ou na rádio. No entanto, isto não significa que o leite não seja crucial para negociar o NZD.

Pode dizer-se que a Nova Zelândia é a Arábia Saudita do leite. É o maior exportador mundial de leite, responsável por 40% das negociações internacionais de laticínios. Os produtos lácteos compõem 7% da produção económica total do país. Além disso, a maior empresa exportadora de laticínios do mundo, a Fonterra, é também a maior empresa da Nova Zelândia. Como pode ver, a deterioração dos preços do leite pode afetar toda a economia do país, levando a uma desvalorização da moeda.

Quando os preços do leite estão elevados, os países importadores normalmente precisam de mais dólares neozelandeses para lhes comprar mais leite. Quando os preços do leite caem, há uma menor procura pelo dólar neozelandês, o que pode fazer com que desvalorize.

Dólar americano (USD) e Ouro

Ao contrário dos casos do AUD e do NZD, a economia dos Estados Unidos não está dependente dos preços de uma matéria-prima específica, neste caso, do ouro. No entanto, há uma forte correlação inversa entre o dólar e o ouro. Uma correlação inversa, também conhecida por correlação negativa, é a relação inversa entre os dois mercados. Por isso, quando o valor de um mercado aumenta, o outro normalmente desce. Isto acontece por dois importantes motivos:

Um dólar em queda pode aumentar o valor das outras moedas. Isto faz muitas vezes com que a procura por matérias-primas, incluindo o ouro, aumente.

Quando o dólar começa a desvalorizar, os traders procuram fontes alternativas para acumular valor. Isto acontece porque uma queda no USD está normalmente ligada às taxas de juro. Com a descida nas taxas, os traders procuram rendimento noutros lados, e o ouro pode ser uma boa alternativa.

Como se pode ver no gráfico abaixo, o ouro está fortemente correlacionado com o par inverso USD/CHF (dólar americano e franco suíço). Isto significa que à medida que o seu preço aumentou, o valor do dólar caiu.

No entanto, há um ponto que não deve esquecer. É possível que o dólar e o ouro aumentem ao mesmo tempo. Isto pode acontecer se houver uma crise ou deterioração no sentimento de mercado. Tal cenário pode levar os traders a procurar os ativos considerados tradicionalmente “seguros”, incluindo o dólar e o ouro.

Negociar a divergência

Existem muitos instrumentos que se correlacionam uns com os outros, por isso é quase impossível apresentá-los a todos. Por exemplo, tanto o dólar como o ouro estão muito dependentes dos movimentos dos mercados de obrigações, enquanto o Nikkei normalmente se move em tandem com o USD/JPY. O petróleo influencia o preço do rublo russo e a coroa norueguesa, enquanto o rand sul-africano (ZAR) está correlacionado com o ouro. Não nos focamos em cada um deles, mas podemos ver como usar a correlação na sua estratégia de trading. Retomemos o último exemplo. Como podemos ver, existiram períodos nos quais a taxa USD/CHF esteve acima ou abaixo do que o preço do ouro indicava (realçado com as linhas verticais a vermelho).

Este fenómeno é conhecido como divergência entre dois instrumentos e pode ser utilizado para abrir uma negociação. Se souber que dois instrumentos se costumavam mover em tandem, então a sua expectativa será de que os preços se vão encontrar novamente no futuro. Por isso, se o par USD/CHF estiver acima do que o ouro sugere, o trader pode vender o par e comprar ouro. No entanto, há algo que deve ser claro: os períodos de divergência podem durar mais tempo, o que pode tornar a experiência de trading um pouco dolorosa.

Oportunidades e correlações

Correlações entre mercados são uma parte importante da análise fundamental. Como mencionado anteriormente, algumas matérias-primas podem ter um impacto significativo em diferentes moedas. Por outro lado, algumas moedas, como o caso do dólar americano, podem ter um impacto nos preços das matérias-primas. Além disso, os períodos de divergência entre os instrumentos correlacionados podem oferecer algumas oportunidades interessantes de trading. É por isso que é importante olhar para os mercados enquanto negoceia moedas, não só para calcular o seu valor, como para ver se alguma negociação interessante poderia ser aberta.

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Os CFD são instrumentos complexos e apresentam um elevado risco de perda rápida de dinheiro devido ao efeito de alavancagem. 81% das contas de investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD com este distribuidor. Deve considerar se compreende como funcionam os CFD e se pode correr o elevado risco de perda do seu dinheiro.

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