O açúcar tem uma particularidade que o distingue de praticamente todas as outras commodities agrícolas: a mesma matéria-prima, a cana brasileira, pode ser convertida em açúcar ou em etanol, consoante a rentabilidade de cada um, o que faz deste mercado um híbrido entre o setor agrícola e o setor energético.
Nesta secção, explicamos o que é o açúcar enquanto commodity, como funciona o trading de açúcar através de CFDs e o que torna este mercado especialmente ligado ao preço da energia.
Na XTB, pode negociar CFDs sobre futuros de açúcar, especulando sobre a evolução do preço sem necessidade de comprar, armazenar ou receber fisicamente o produto.
O que é o açúcar enquanto commodity?
O Brasil, maior produtor e exportador mundial, tem um sistema conhecido como "flex sucroalcooleira": as usinas de processamento de cana podem decidir, ao longo da safra, que proporção da matéria-prima destinam à produção de açúcar e que proporção destinam à produção de etanol. Esta flexibilidade é praticamente exclusiva do açúcar entre as principais commodities agrícolas e faz da rentabilidade relativa entre os dois produtos um dos fatores mais determinantes do mercado.
A Índia e a Tailândia são os outros dois grandes polos de produção mundial, mas com um perfil diferente do Brasil: a produção indiana é fortemente influenciada por políticas internas de subsídio e por restrições pontuais à exportação, decididas pelo governo consoante os stocks internos.
A referência de preço global é a Intercontinental Exchange (ICE), onde se negoceia o contrato de açúcar bruto nº 11.
Como funciona o trading de açúcar?
Negociar açúcar via CFD permite especular sobre o preço dos futuros ICE sem necessidade de entrega física, através de posições longas ou curtas, com alavancagem.
Um aspeto a ter em conta neste mercado é a sua correlação frequente com o preço do petróleo: como as usinas brasileiras ajustam a produção entre açúcar e etanol consoante a rentabilidade de cada um, uma subida do petróleo (que torna o etanol mais atrativo) pode reduzir a quantidade de cana destinada ao açúcar e pressionar o seu preço em alta, mesmo sem alterações na procura direta pelo produto alimentar.
Como habitual em CFDs alavancados, a exposição pode exceder o capital investido, sendo fundamental gerir o risco de forma criteriosa.
O que move o preço do açúcar?
O comportamento do preço do açúcar reflete a sua natureza híbrida entre agricultura e energia:
- Rentabilidade relativa açúcar vs. etanol no Brasil: o fator mais específico deste mercado, determina quanto da cana processada é convertida em cada produto.
- Preço do petróleo: por via da concorrência com o etanol, tende a mover-se em correlação com o açúcar em determinados períodos.
- Política de exportação da Índia: restrições ou incentivos à exportação indiana podem alterar rapidamente a oferta disponível nos mercados internacionais.
- Condições climáticas na região Centro-Sul do Brasil: onde se concentra a maior parte da moagem de cana, secas ou excesso de chuva durante a colheita têm impacto direto na produção.
- Câmbio do real brasileiro: por ser cotado em dólares mas produzido maioritariamente em reais, a taxa de câmbio afeta diretamente a margem dos produtores brasileiros e a sua disposição para exportar.
Como interpretar o gráfico do açúcar?
Ao contrário de cereais como o trigo ou o milho, o calendário do açúcar está dividido entre dois hemisférios com regimes distintos: o Brasil mói cana entre abril e novembro (época de safra), enquanto a Índia e a Tailândia têm os seus próprios ciclos entre outubro e abril, pelo que, na prática, há quase sempre produção ativa em algum lugar do mundo, tornando o mercado menos sujeito a "janelas mortas" do que outras commodities agrícolas.
Um indicador particularmente útil para o açúcar é o spread entre o preço do açúcar e o preço do petróleo/etanol: quando este diferencial se estreita, pode sinalizar que as usinas brasileiras estão a desviar cana para o etanol, com potencial impacto na oferta futura de açúcar.
Do ponto de vista fundamental, vale acompanhar dados de moagem divulgados por associações do setor sucroalcooleiro brasileiro, além de relatórios sobre stocks mundiais e decisões de política comercial indiana.