10:20 · 5 de junho de 2026

Gráfico do dia: EUR/USD

Esta manhã foram publicados novos dados sobre a economia europeia, onde o PIB trimestral acabou por mostrar que a Zona Euro entrou em contração no primeiro trimestre deste ano. Por outro lado, os dados em termos homólogos continuaram a mostrar um crescimento, mas muito mais lento do que se esperava inicialmente. 
No mercado cambial, o euro acabou por vaorizar na sequência dos dados, mas continua a consolidação que já dura há várias semanas. 

Fonte: xStation5

O que está a influenciar o EUR/USD?

O NFP assume o protagonismo

O evento mais importante do dia é a divulgação dos dados do mercado de trabalho dos EUA. O relatório sobre o emprego não agrícola (NFP) tem-se mantido, há meses, como um dos principais indicadores do Federal Reserve, oferecendo informações valiosas sobre a solidez da economia e as pressões salariais subjacentes.

Para o mercado cambial, a importância destes números é difícil de sobrestimar. Um resultado acima do esperado poderia reduzir as expectativas de futuros cortes nas taxas de juro nos Estados Unidos, apoiando as taxas de rendimento dos títulos do Tesouro e impulsionando o dólar americano. Por outro lado, dados mais fracos aumentariam a probabilidade de uma postura mais acomodatícia da Reserva Federal, o que poderia pesar sobre o dólar e dar apoio ao EUR/USD.

Em termos práticos, a divulgação de hoje poderá tornar-se o principal catalisador dos movimentos do mercado antes do fim da semana.

Um quadro decepcionante da economia da zona euro

Ao mesmo tempo, os investidores estão a prestar cada vez mais atenção aos dados que chegam da Europa. A estimativa final do PIB do primeiro trimestre ficou significativamente abaixo do esperado. A economia da zona euro contraiu-se 0,2% em termos trimestrais, em comparação com as expectativas do mercado de uma expansão de 0,1%. O valor anual foi ainda mais decepcionante, abrandando para apenas 0,3% contra previsões de 0,8%.

Um desvio tão substancial sugere que a recuperação económica da região continua a ser muito mais frágil do que se supunha anteriormente. Para o euro, este é um sinal desfavorável, uma vez que um crescimento mais fraco pode limitar a capacidade do Banco Central Europeu de manter uma postura de política monetária restritiva.

Os consumidores estão a enviar sinais de alerta

A pressão sobre a moeda única também foi reforçada pelos recentes dados relativos às vendas a retalho, que apontaram para uma atividade de consumo mais fraca e aumentaram as preocupações quanto ao abrandamento do dinamismo económico em toda a zona euro.

Isto é particularmente importante porque o consumo das famílias continua a ser um dos principais pilares do crescimento económico. Se os consumidores continuarem a reduzir as despesas, torna-se cada vez mais difícil esperar uma aceleração significativa da atividade económica nos próximos trimestres. Consequentemente, os mercados começam a avaliar se a fraqueza na Europa é meramente temporária ou um sinal de problemas estruturais mais profundos.

Fed versus BCE

Outro ponto-chave continua a ser a divergência nas expectativas de política monetária em ambos os lados do Atlântico. Ainda há poucos meses, os investidores estavam principalmente focados no momento em que ocorreriam os primeiros cortes nas taxas de juro. Hoje, a atenção está a deslocar-se para uma questão diferente: qual dos bancos centrais acabará por ser forçado a flexibilizar a política monetária de forma mais agressiva?

Se a economia dos EUA continuar a mostrar relativa resiliência enquanto os dados europeus se mantêm fracos, a divergência nas expectativas entre a Reserva Federal e o Banco Central Europeu poderá, mais uma vez, proporcionar apoio ao dólar. Este continua a ser um dos fatores mais importantes a médio prazo para o EUR/USD.

Geopolítica e Sentimento dos Investidores

Outra fonte de incerteza decorre das tensões geopolíticas em curso no Médio Oriente. Os mercados continuam a acompanhar os desenvolvimentos na região do Golfo Pérsico e a avaliar o seu potencial impacto nos preços da energia e nos fluxos comerciais globais.

Durante períodos de aversão ao risco acentuada, o capital tende a gravitar em direção ao dólar americano, que continua a ser um dos principais ativos de refúgio do mundo. Consequentemente, mesmo que os dados macroeconómicos não forneçam um sinal direcional claro, os desenvolvimentos geopolíticos poderão continuar a oferecer um suporte subjacente ao dólar.

Perspetivas de Mercado

O par EUR/USD está atualmente a ser puxado em várias direções opostas. Por um lado, os investidores aguardam dados cruciais do mercado de trabalho dos EUA que poderão redefinir significativamente as expectativas quanto à futura política do Fed. Por outro lado, os dados económicos cada vez mais fracos da zona euro estão a alimentar preocupações quanto às perspetivas de crescimento e às perspetivas para a política do BCE.

A aumentar a incerteza está o contexto geopolítico, que continua a manter os investidores cautelosos nos mercados financeiros globais. A curto prazo, a combinação de dados macroeconómicos e de expectativas em mudança dos bancos centrais deverá continuar a ser o principal fator determinante da direção do EUR/USD.

 

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