09:36 · 14 de setembro de 2026

O petróleo volta a ultrapassar os 100 dólares

O petróleo voltou a ultrapassar os 100 dólares por barril, com o Brent a aproximar-se agora dos 110 dólares. Desta vez, porém, esta evolução não se deve apenas a um prémio de risco geopolítico mais elevado. O mercado está cada vez mais preocupado com o facto de o conflito prolongado estar a começar a ter um impacto real na disponibilidade de crude.

Estreito de Ormuz continua a ser o principal risco para o petróleo

O Estreito de Ormuz continua a ser a questão-chave. Uma parte significativa do comércio global de petróleo passa normalmente por esta via navegável, e o adiamento das negociações destinadas a reabri-la significa que os investidores continuam sem ter uma indicação clara de quando os fluxos poderão regressar ao normal. Ao mesmo tempo, estão a surgir problemas ao longo de rotas alternativas.

Os ataques dos Houthis estão a aumentar os riscos para a navegação pelo Mar Vermelho e por Bab el Mandeb, enquanto os danos no oleoduto Este-Oeste da Arábia Saudita reduziram ainda mais a capacidade do país de transportar crude sem depender de Ormuz.Trata-se de uma mudança importante para o mercado petrolífero. Quanto menos rotas alternativas estiverem disponíveis, mais difícil se torna substituir os barris que não conseguem chegar ao mercado a partir do Médio Oriente. Consequentemente, cada novo ataque a infraestruturas energéticas ou perturbação na navegação está agora a ter um impacto muito mais rápido nos preços.

China intensifica compras e aumenta a pressão sobre o mercado físico

A China está também a tornar-se uma parte cada vez mais importante desta história. As refinarias chinesas estão a intensificar as compras de crude da Rússia, África e das Américas, na tentativa de substituir os fornecimentos perdidos do Médio Oriente. Com a disponibilidade global já escassa, um dos maiores importadores mundiais de petróleo está agora a competir de forma mais agressiva pelos barris disponíveis. As entregas físicas de crude na China já estão a ser negociadas com prémios muito elevados em relação ao Brent, o que destaca o quão restrito o mercado físico se tornou.

Até recentemente, a China conseguia atenuar parte das perturbações recorrendo aos seus stocks existentes. No entanto, essa flexibilidade está a esmorecer gradualmente, ao mesmo tempo que as importações começam a recuperar. Se as refinarias chinesas continuarem a aumentar as compras, a pressão sobre um mercado de oferta já de si restrito poderá permanecer elevada.

É por isso que a atual evolução do petróleo parece diferente de um típico pico geopolítico de curta duração. O mercado já não está a precificar apenas o risco de uma nova escalada. Está, cada vez mais, a precificar a possibilidade de que a própria disponibilidade física de crude se torne um problema. Com opções limitadas para substituir os fornecimentos interrompidos, mesmo perturbações adicionais relativamente pequenas poderão ter um impacto significativo nos preços.

Nos próximos dias, os fatores-chave a acompanhar serão os desenvolvimentos em torno do Estreito de Ormuz, a situação no Mar Vermelho e o estado das infraestruturas petrolíferas da Arábia Saudita.

Gráfico petróleo cfd (d1)
XTB App

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times. É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

Mais sobre o analista
14 de setembro de 2026, 09:29

Gráfico do dia: IA deverá abrandar; IPO da OpenAI «cancelada»; O Nasdaq-100 desce 1,7% no início da semana

14 de setembro de 2026, 08:03

Calendário económico: Relatório de inflação no Canadá e declarações de Lagarde

14 de setembro de 2026, 08:01

Destaques da manhã (14/09/26)

11 de setembro de 2026, 17:33

⚠️Três mercados a acompanhar na próxima semana (11.09.2026)

Este material é uma comunicação de marketing na aceção do artigo 24.º, n.º 3, da Diretiva 2014/65 / UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de maio de 2014, sobre os mercados de instrumentos financeiros e que altera a Diretiva 2002/92 / CE e Diretiva 2011/61/ UE (MiFID II). A comunicação de marketing não é uma recomendação de investimento ou informação que recomenda ou sugere uma estratégia de investimento na aceção do Regulamento (UE) n.º 596/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho de 16 de abril de 2014 sobre o abuso de mercado (regulamentação do abuso de mercado) e revogação da Diretiva 2003/6 / CE do Parlamento Europeu e do Conselho e das Diretivas da Comissão 2003/124 / CE, 2003/125 / CE e 2004/72 / CE e do Regulamento Delegado da Comissão (UE ) 2016/958 de 9 de março de 2016 que completa o Regulamento (UE) n.º 596/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho no que diz respeito às normas técnicas regulamentares para as disposições técnicas para a apresentação objetiva de recomendações de investimento, ou outras informações, recomendação ou sugestão de uma estratégia de investimento e para a divulgação de interesses particulares ou indicações de conflitos de interesse ou qualquer outro conselho, incluindo na área de consultoria de investimento, nos termos do Código dos Valores Mobiliários, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 486/99, de 13 de Novembro. A comunicação de marketing é elaborada com a máxima diligência, objetividade, apresenta os factos do conhecimento do autor na data da preparação e é desprovida de quaisquer elementos de avaliação. A comunicação de marketing é elaborada sem considerar as necessidades do cliente, a sua situação financeira individual e não apresenta qualquer estratégia de investimento de forma alguma. A comunicação de marketing não constitui uma oferta ou oferta de venda, subscrição, convite de compra, publicidade ou promoção de qualquer instrumento financeiro. A XTB, S.A. - Sucursal em Portugal não se responsabiliza por quaisquer ações ou omissões do cliente, em particular pela aquisição ou alienação de instrumentos financeiros. A XTB não aceitará a responsabilidade por qualquer perda ou dano, incluindo, sem limitação, qualquer perda que possa surgir direta ou indiretamente realizada com base nas informações contidas na presente comunicação comercial. Caso o comunicado de marketing contenha informações sobre quaisquer resultados relativos aos instrumentos financeiros nela indicados, estes não constituem qualquer garantia ou previsão de resultados futuros. O desempenho passado não é necessariamente indicativo de resultados futuros, e qualquer pessoa que atue com base nesta informação fá-lo inteiramente por sua conta e risco.