O ouro (GOLD) registou hoje uma subida de quase 1,2%, tendo chegado a valorizar 1,5% no pico da sessão, numa tentativa de regressar aos 4 200 dólares por onça. O metal parece ter formado um mínimo local em torno dos 4 070/4 150 dólares por onça, com os investidores a tentarem agora impulsionar os preços para fora de um período de consolidação de vários dias em torno destes níveis. A platina e a prata registam ambas uma subida de cerca de 2%, enquanto um dólar ligeiramente mais forte e um ligeiro aumento das taxas de rendibilidade não estão a impedir que os metais preciosos avancem hoje.
- O ouro está a estabilizar após a sua recente descida para o nível mais baixo desde o início de agosto, embora o elevado Índice do Dólar dos EUA e as taxas de rendibilidade dos títulos elevadas continuem a exercer pressão sobre os metais preciosos. As taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA mantiveram-se elevadas ontem, pela segunda sessão consecutiva.
- Ao mesmo tempo, as crescentes preocupações com o elevado nível da dívida dos EUA podem surtir o efeito oposto e apoiar a procura de ouro como alternativa às moedas fiduciárias e aos ativos públicos. As taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA permanecem elevadas, mas caíram para cerca de 5,25%, face ao pico local de 5,35% registado na quarta-feira.
- A ata da Reserva Federal revelou divisões entre os decisores políticos quanto à justificação para o aumento das taxas de juro em setembro. Alguns participantes centraram-se nos riscos de inflação decorrentes de choques de preços, enquanto um grupo mais «hawkish» (de tendência restritiva) se mostrou igualmente preocupado com a inflação impulsionada pela procura.
- O mercado não consegue identificar um percurso pré-determinado para as futuras decisões do Fed, o que aumenta a incerteza em torno do ouro e poderá manter a volatilidade elevada.
- São ainda possíveis novos aumentos das taxas de juro, embora o ritmo do aperto monetário possa ser flexível. O mercado está a precificar uma probabilidade de cerca de 17% de um aumento em outubro e de aproximadamente 81% de um aumento em dezembro.
- Os riscos geopolíticos em torno do Estreito de Ormuz também permanecem em segundo plano. O risco crescente de ataques e perturbações no transporte marítimo poderá aumentar a procura por ativos de refúgio, embora um potencial aumento dos preços da energia possa também manter a pressão inflacionista elevada e reforçar as expectativas de uma postura mais restritiva por parte do Fed.
- O panorama geral do mercado é, portanto, misto: rendimentos elevados e um dólar forte são fatores negativos para o ouro, enquanto as preocupações com a dívida dos EUA, a incerteza em torno da política do Fed, as tensões geopolíticas e as compras contínuas por parte dos bancos centrais e dos ETFs proporcionam apoio à procura pelo metal.
GOLD (D1)
Preço do ouro vs. posições em ETFs
O gráfico mostra uma divergência clara entre o preço do ouro e o posicionamento dos investidores através dos ETFs. Embora o metal tenha recuado dos máximos deste ano para cerca de 4 200 dólares por onça, as posições totais em ouro nos ETFs subiram para novos máximos locais acima dos 101 milhões de onças. Isto sugere que algum capital de longo prazo está a aproveitar a descida dos preços para aumentar a exposição, em vez de reduzir as posições em sintonia com o mercado. Tal cenário pode ser interpretado como relativamente construtivo a médio prazo, uma vez que os fluxos dos ETF não estão a confirmar a atual fraqueza dos preços. Ao mesmo tempo, as elevadas posições detidas pelos ETF, por si só, não garantem uma recuperação, uma vez que a evolução dos preços a curto prazo poderá continuar a ser impulsionada pelo dólar, pelas taxas de rendibilidade das obrigações e pelas expectativas em torno da Reserva Federal. A questão fundamental é, portanto, se a continuidade dos influxos para os ETF acabará por se traduzir numa procura física mais forte e num novo impulso nos preços.
Posicionamento no ouro (COMEX/Xangai)
O posicionamento na COMEX mantém-se relativamente elevado, mas já não se aproxima dos extremos observados durante fases anteriores de forte valorização do ouro, o que sugere que parte do otimismo especulativo já se tenha atenuado. Tanto as posições longas como o posicionamento líquido na COMEX recuperaram dos mínimos deste ano, mas permanecem abaixo dos picos locais, o que poderá limitar o risco de uma desalavancagem acentuada no caso de uma nova onda de vendas. O mercado de Xangai parece ainda mais interessante, onde tanto as posições longas como o posicionamento líquido permanecem elevados em relação à maior parte do período desde 2020, apontando para uma procura persistentemente forte por parte dos investidores asiáticos. A divergência entre o posicionamento relativamente mais moderado na COMEX e o posicionamento mais forte em Xangai pode indicar que o capital ocidental é mais sensível às taxas de juro e ao dólar norte-americano, enquanto a procura asiática se mantém relativamente resiliente. Este cenário é moderadamente construtivo, uma vez que reduz o risco de um posicionamento extremo, ao mesmo tempo que demonstra que a procura estrutural pelo metal não desapareceu.
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