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17:31 · 6 de março de 2026

Semana nos Mercados Financeiros: principais acontecimentos e tendências (2 - 6 de março de 2026)

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A semana que agora termina nos mercados

A semana foi, sem sombra de dúvida, uma das mais turbulentas dos últimos meses. O evento que a dominou por completo foi o início do conflito militar entre os EUA, Israel e o Irão, com os ataques a terem sido lançados no sábado, 1 de março, alterando instantaneamente o mapa de risco global. 

Os mercados abriram a semana em modo de pânico, com o petróleo a disparar, os mercados acionistas a tombar e o ouro a valorizar. À medida que a semana avançou, os dados económicos, surpreendentemente robustos em várias frentes, ofereceram algum contrapeso, mas não foram suficientes para parar completamente a incerteza geopolítica que pairou sobre cada sessão. 

Estados Unidos

Nos EUA, o início da semana foi marcado por uma das maiores inversões intradiárias do ano: o S&P 500 chegou a ceder 2,5% na abertura de segunda-feira com o choque do conflito, mas recuperou para fechar quase inalterado, numa das maiores reversões intradiárias desde novembro. Na terça-feira, o Dow Jones afundou mais de 400 pontos com o agravamento do conflito, antes de uma nova recuperação parcial na quarta. Contudo, apenas o índice tecnológico Nasdaq100, apresenta uma dinâmica positiva/neutra.

O dado macro mais relevante da semana foi o ISM dos Serviços de fevereiro que surpreendeu muito, atingindo os 56,1 pontos (vs. 53,5 esperados e 53,8 anterior), o nível mais elevado em mais de 3 anos e meio, sinalizando uma economia de serviços surpreendentemente resiliente. Já o ISM da Indústria manteve-se estável nos 52,4 pontos (acima dos 51,8 esperados), embora o índice de preços pagos tenha disparado para 70,5 pontos, o que, combinado com os preços do petróleo em alta, acendeu os alertas de inflação nos mercados. O relatório de emprego de fevereiro, que será divulgado hoje, será relevante numa semana em que o consenso do mercado havia sido revisto agressivamente para baixo, as estimativas apontavam para apenas 50.000 a 60.000 novos postos de trabalho. O relatório ADP do setor privado, divulgado na quarta-feira, havia já sinalizado 63.000 criações de emprego (acima dos 50.000 esperados), e o relatório oficial do Bureau of Labor Statistics (BLS) voltou a superar as previsões. 

Na frente energética e geopolítica, o Brent chegou a atingir hoje cerca de 86 dólares por barril, o valor mais alto desde julho de 2024, refletindo os receios de interrupção do fornecimento global de petróleo pelo encerramento efetivo do Estreito de Ormuz. Os preços do gás natural europeu registaram uma das maiores subidas semanais da história recente, chegando a subidas de quase 100% em 2 dias! Já os metais preciosos mostraram uma dinâmica descendente, fruto da realização de lucros e da subida das yields que valorizaram o dólar e pressionaram os metais. 

Zona Euro

Na Zona Euro, a estimativa flash da inflação de fevereiro subiu para 1,9% em termos homólogos (de 1,7% em janeiro), impulsionada pelos componentes de serviços e alimentação, e a inflação subjacente acelerou para 2,4%. Em paralelo, a terceira estimativa do PIB do quarto trimestre de 2025 confirmou um crescimento de 0,3%, ligeiramente acima das expectativas iniciais de 0,2%, sinalizando que a economia europeia encerrou 2025 com maior resiliência do que o esperado.

A semana que agora começa nos mercados (9 – 13 de março de 2026) 

A semana de 9 a 13 de março apresenta-se como um momento decisivo para a leitura do ciclo inflacionista nos EUA — num contexto em que a subida do petróleo por via do conflito com o Irão adiciona uma camada de incerteza adicional ao panorama macro. 

O dado mais aguardado é a inflação americana de fevereiro, que antecede aos preços do petróleo elevados de março, oferecendo por isso uma janela "limpa" sobre a tendência subjacente de desinflação. 

Índice de Preços ao Consumidor (IPC) EUA

Data: quarta-feira, 11 de março, às 13h30 GMT 

Este será o evento mais esperado da semana. Em janeiro, o IPC abrandou para 2,4% em termos homólogos — o nível mais baixo desde maio de 2025 —, abaixo dos 2,5% esperados e dos 2,7% de dezembro, dando sinais encorajadores de que a desinflação permanecia em curso. A inflação subjacente (excluindo alimentos e energia) situou-se nos 2,5%. Para fevereiro, as expectativas de mercado apontavam para uma leitura em torno de 0,2% a 0,3% em cadeia para o IPC subjacente. É importante notar que os dados de fevereiro cobrem preços anteriores ao início do conflito EUA-Irão (que ocorreu já em março), pelo que não refletirão o choque energético recente. A confirmação de uma nova moderação da inflação em fevereiro seria interpretada como um sinal positivo para a Fed — mas a tensão geopolítica e os preços da energia em alta para março deverão manter os mercados cautelosos quanto ao caminho futuro das taxas.

Dados de emprego finais e PPI nos EUA 

Data: quinta-feira, 12 de março, às 13h30 GMT 

O Bureau of Labor Statistics publicará as revisões finais dos rendimentos horários de fevereiro, e o mercado acompanhará de perto qualquer ajustamento aos dados de salários para avaliar as pressões inflacionárias pelo lado da oferta de trabalho. A componente salarial tem sido uma das mais acompanhadas pela Fed no contexto do seu mandato dual. 

Resultados trimestrais da Adobe (ADBE) 

Data: quinta-feira, 12 de março, após o fecho dos mercados 

Os resultados da Adobe serão o momento mais aguardado da época de resultados desta semana. A empresa enfrenta um momento crítico: o setor de software tem sido um dos mais penalizados em 2026, com o ETF de software iShares IGV a acumular perdas na ordem dos 23% desde o início do ano, fruto das crescentes preocupações com a disrupção que os modelos de IA generativa nativa podem causar nos modelos de negócio tradicionais de SaaS. Os investidores irão focar-se especialmente no crescimento das receitas recorrentes (ARR), nas perspetivas (guidance) para o segundo trimestre e em qualquer orientação estratégica sobre como a Adobe posiciona os seus produtos face à concorrência de ferramentas de IA.

Contexto geopolítico e mercados energéticos 

O conflito EUA-Irão entra na sua segunda semana num momento em que os mercados tentam calibrar a duração e o impacto económico da disrupção no Estreito de Ormuz. Analistas do Morgan Stanley estimam que um conflito prolongado poderia traduzir-se em inflação mais elevada, crescimento mais lento e maior incerteza nos mercados, o chamado cenário de stagflation light. Os mercados de seguros marítimos e de transporte já refletem esta realidade, com o ETF de transporte de petroleiros BWET a registar uma valorização acumulada de 243% desde o início do ano. A evolução diplomática, nomeadamente qualquer sinal de cessar-fogo ou de negociação, poderá ser o maior catalisador de mercado nesta semana, podendo “abafar” inclusive os dados macro e os resultados da Adobe.
 
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