Poucas commodities agrícolas combinam tanta imprevisibilidade como o café: a sua oferta depende de um ciclo biológico de dois anos, de duas variedades negociadas em bolsas diferentes e de uma sensibilidade extrema a um único fenómeno meteorológico: a geada nas plantações brasileiras.
Nesta secção, explicamos o que é o café enquanto commodity, como funciona o trading de café através de CFDs e por que motivo este é um dos mercados agrícolas mais voláteis.
Na XTB, pode negociar CFDs sobre futuros de café, especulando sobre a evolução do preço sem necessidade de comprar, armazenar ou receber fisicamente o produto.
O que é o café enquanto commodity?
O café negoceia-se em duas variedades com mercados próprios: o Arábica, de qualidade superior, cultivado sobretudo em altitude no Brasil e na Colômbia, e negociado na Intercontinental Exchange (ICE) em Nova Iorque; e o Robusta, mais resistente e com sabor mais intenso, cultivado principalmente no Vietname e na Indonésia, negociado na bolsa de Londres. Os dois contratos podem, por vezes, mover-se em direções distintas consoante o que está a acontecer em cada região produtora.
Uma característica pouco comum do café Arábica é o seu ciclo bianual de produção: por razões biológicas da própria planta, tende a alternar entre um ano de colheita mais abundante e um ano seguinte de colheita mais reduzida, independentemente das condições climáticas, o que introduz um padrão adicional aos modelos de oferta.
Como funciona o trading de café?
Negociar café via CFD permite especular sobre o preço dos futuros Arábica (ICE) ou Robusta (Londres) sem necessidade de entrega física, através de posições longas ou curtas, com alavancagem.
O que mais distingue este mercado é a velocidade e a magnitude dos seus movimentos: uma única noite de geada nas plantações do estado de Minas Gerais, no Brasil, pode fazer subir o preço do café Arábica em dezenas de pontos percentuais em poucos dias, algo raro noutras commodities agrícolas. Por esta razão, o café é frequentemente associado a picos de volatilidade mais extremos e súbitos do que o trigo, o milho ou a soja.
Dada esta volatilidade acima da média, a gestão do risco, nomeadamente através de ordens de stop-loss, assume aqui particular importância.
Saiba mais sobre como investir no café neste guia completo.
O que move o preço do café?
O preço do café responde a uma combinação de fatores biológicos, climáticos e logísticos pouco comum noutras commodities:
- Geadas e secas no Brasil: o fator de maior impacto potencial, uma única geada severa durante o inverno brasileiro (maio a setembro) pode comprometer colheitas futuras e disparar o preço de forma abrupta.
- Ciclo bianual do Arábica: anos de colheita naturalmente mais reduzida podem amplificar o impacto de qualquer problema climático adicional nesse mesmo ano.
- Ferrugem do café e outras pragas: doenças que se propagam rapidamente em climas húmidos podem afetar plantações inteiras na América Central e do Sul.
- Stocks certificados na ICE: níveis historicamente baixos de café armazenado e certificado têm sido, nos últimos anos, um fator de suporte estrutural ao preço.
- Diferencial entre Arábica e Robusta: quando o Arábica sobe muito face ao Robusta, torrefadores e indústrias tendem a aumentar a mistura de Robusta nos seus blends, alterando a procura relativa por cada variedade.
Como interpretar o gráfico do café?
Diferente de cereais com um calendário previsível, o café combina um período de maior risco climático concentrado (o inverno brasileiro, entre maio e setembro, quando o risco de geada é mais elevado) com um padrão bianual que se sobrepõe a esse calendário sazonal, o que significa que dois anos com condições climáticas semelhantes podem, ainda assim, gerar reações de preço bastante diferentes consoante seja um "ano alto" ou "ano baixo" do ciclo de produção.
Um aspeto técnico específico deste mercado é observar o gap entre os preços do Arábica e do Robusta: divergências acentuadas entre os dois costumam preceder ajustamentos na procura industrial que acabam por se refletir no preço de ambos.
Do ponto de vista fundamental, os relatórios da International Coffee Organization (ICO) e os dados semanais de stocks certificados da ICE são as referências mais diretas para antecipar pressões de curto prazo no mercado.