A soja distingue-se das restantes matérias-primas agrícolas por ser processada em dois produtos com procura própria — óleo e farelo — e por depender, mais do que qualquer outro cereal, de uma única variável externa: a procura chinesa.
Nesta secção, explicamos o que é a soja enquanto commodity, como funciona o trading de soja através de CFDs e o que torna o seu comportamento de preço particularmente sensível ao comércio internacional.
Na XTB, pode negociar CFDs sobre futuros de soja, especulando sobre a evolução do preço sem necessidade de comprar, armazenar ou receber fisicamente o produto.
O que é a soja enquanto commodity?
Ao contrário do trigo ou do milho, a soja não é consumida diretamente em grande escala, é esmagada ("crushed") para produzir dois derivados distintos: farelo de soja, destinado sobretudo à alimentação animal, e óleo de soja, usado tanto na indústria alimentar como na produção de biodiesel. Esta divisão em dois mercados com dinâmicas próprias é uma característica que a distingue de outros cereais.
Brasil, Estados Unidos e Argentina concentram a esmagadora maioria da produção e exportação mundial. Do lado da procura, a China assume um peso desproporcional: é responsável por cerca de 60% das importações mundiais de soja, o que faz da sua política comercial e do apetite da sua indústria de suinicultura um dos fatores mais observados por quem segue este mercado.
A referência de preço global é a Chicago Board of Trade (CBOT), onde se negoceiam os contratos de futuros de soja, de farelo e de óleo de soja separadamente.
Como funciona o trading de soja?
Negociar soja via CFD significa especular sobre o preço dos futuros CBOT sem necessidade de entrega física, abrindo posições longas (se espera valorização) ou curtas (se espera desvalorização), com recurso a alavancagem.
Uma particularidade a ter em conta ao acompanhar este mercado é a chamada "crush margin": a diferença entre o valor da soja em grão e a soma do valor dos seus derivados (óleo + farelo). Quando esta margem se comprime ou expande, pode antecipar alterações na procura das indústrias de processamento, o que por vezes gera movimentos no preço da soja antes de estes aparecerem refletidos noutros indicadores.
Como qualquer CFD alavancado, a exposição pode ser superior ao capital investido, pelo que a gestão do risco é indispensável, especialmente num ativo em que uma única notícia pode mover o preço de forma abrupta.
Saiba mais sobre como negociar soja neste guia completo.
O que move o preço da soja?
Mais do que noutras commodities agrícolas, o preço da soja tende a reagir a decisões políticas e comerciais tanto como a fatores puramente agrícolas:
- Política comercial EUA–China: tarifas, acordos-quadro ou disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo podem alterar de forma imediata os fluxos de exportação, sendo historicamente um dos maiores catalisadores de volatilidade neste mercado.
- Safra sul-americana (Brasil e Argentina): por ocorrer em contraciclo com os EUA, qualquer problema climático na América do Sul tende a ter um impacto amplificado, já que reduz temporariamente uma das duas principais fontes de oferta mundial.
- Procura por biodiesel: políticas de incorporação de biocombustíveis, sobretudo nos EUA e no Brasil, competem diretamente com o uso do óleo de soja na alimentação, criando uma ligação ao mercado energético.
- Doença Asiática da Ferrugem e pragas: determinadas doenças que afetam especificamente a soja podem comprometer colheitas em regiões concretas, com impacto localizado mas por vezes significativo.
- Câmbio do dólar e do real brasileiro: influencia a competitividade relativa entre exportadores americanos e brasileiros.
Como interpretar o gráfico da soja?
Um dos aspetos mais úteis ao analisar a soja é acompanhar a chamada "dupla colheita": como os EUA colhem entre setembro e novembro e o Brasil/Argentina entre janeiro e abril, o mercado está quase sempre focado numa das duas regiões, o que gera janelas distintas de maior sensibilidade ao longo do calendário anual.
Do ponto de vista fundamental, os relatórios mensais do USDA (WASDE) e os relatórios trimestrais de "stocks" são particularmente observados, mas também vale acompanhar dados de esmagamento ("crush reports") da National Oilseed Processors Association, que indicam a procura real da indústria processadora.
Tecnicamente, é comum observar correlação entre o preço da soja e o do milho (dado que ambos competem pela mesma área de cultivo nos EUA), pelo que movimentos relativos entre os dois ativos ("spread soja-milho") são por vezes usados como referência adicional de análise.
Horário de Negociação e Volatilidade Esperada
O SOYBEAN pode ser negociado quase 24 horas por dia durante os dias úteis, refletindo o horário de negociação dos contratos de futuros CBOT de soja subjacentes. As principais sessões de negociação são as seguintes:
- Negociação pré-mercado: Começa às 7:00 PM CST (dia anterior) e vai até a abertura oficial do mercado às 8:30 AM CST.
- Negociação regular de mercado: Das 8:30 AM CST às 1:20 PM CST.
- Negociação pós-mercado: Começa às 1:20 PM CST e termina às 7:00 PM CST.
Volatilidade Esperada
- Abertura do mercado (8:30 AM - 9:30 AM CST): A primeira hora de negociação regular é tipicamente caracterizada por alta volatilidade. Este período assiste a um aumento da atividade de negociação à medida que os participantes do mercado reagem às notícias da noite, relatórios meteorológicos e dados económicos globais.
- Negociação ao meio-dia (9:30 AM - 11:00 AM CST): A volatilidade tende a diminuir após o frenesim inicial de abertura do mercado. Durante este período, os volumes de negociação são geralmente mais baixos.
- Negociação à tarde (11:00 AM - 1:20 PM CST): À medida que o mercado entra na sessão da tarde, a volatilidade pode começar a aumentar novamente.
- Negociação pós-mercado (1:20 PM - 7:00 PM CST): Após o fecho normal do mercado, a negociação continua na sessão after-market.