16:54 · 6 de julho de 2026

As declarações do Secretário-Geral da OTAN apoiam as ações do setor da defesa europeu

As ações das empresas europeias do setor da defesa iniciaram a semana com ganhos evidentes, na sequência das declarações do Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, que salientou que os fabricantes de armamento têm cada vez mais dificuldade em acompanhar o aumento repentino das encomendas.

Para o mercado, este foi mais um sinal e uma confirmação de que o maior desafio para a indústria europeia não é a procura, mas sim a capacidade do setor para entregar o equipamento dentro do prazo.

A italiana Fincantieri foi a que mais se destacou, com as suas ações a subirem mais de dez por cento.

Também se registaram ganhos, entre outras, na Leonardo, Saab, Hensoldt, Rheinmetall, Thales, Indra, Dassault Aviation e Safran, com subidas na ordem dos 2 a 5 por cento.

Fincantieri (D1)

Fonte: xStation5

O fabricante italiano de sistemas destinados à guerra naval perdeu mais de 60 por cento da sua valorização em relação ao pico registado no final de 2025. Os ganhos de hoje são impressionantes e extremamente necessários do ponto de vista da procura, caso a empresa pretenda recuperar a iniciativa, mas podem não ser suficientes para alterar a tendência a longo prazo. A valorização da empresa é prejudicada por uma «cruz da morte» que se verificou em março de 2026. Os investidores devem acompanhar a evolução do preço em relação aos níveis de Fibonacci. Apenas uma subida acima do nível de Fibonacci de 38,2% pode ser considerada um sinal significativo que ofereça esperança de um regresso a uma tendência ascendente.

A reação dos investidores demonstra que o mercado está cada vez mais a incorporar nos preços não só orçamentos de defesa mais elevados, mas também uma potencial melhoria nas margens e no poder de negociação dos fabricantes que operam com a máxima utilização da capacidade produtiva.

Rutte salientou que a OTAN só agora está a passar da fase das declarações políticas para a fase da execução das ordens. De acordo com dados da OTAN, os aliados europeus (e o Canadá) aumentaram as despesas com a defesa em 20 por cento em relação a 2024, para mais de 574 mil milhões de dólares. Ao mesmo tempo, ao abrigo da nova meta, os aliados deverão atingir 5 por cento do PIB em despesas relacionadas com a defesa e a segurança até 2035.

Rutte observou ainda que as limitações dizem respeito tanto à capacidade industrial como à capacidade de recrutar e formar pessoal militar. De acordo com as suas observações, já foram atribuídas encomendas no valor de cerca de 300 mil milhões de dólares a fabricantes de armamento norte-americanos, o que ilustra ainda mais a dimensão da procura gerada pelos países da OTAN.

Do ponto de vista das empresas europeias do setor da defesa, este é um sinal ambíguo, mas positivo para o mercado. Por um lado, a capacidade de produção limitada implica o risco de atrasos, pressão sobre as cadeias de abastecimento e a necessidade de incorrer em elevados gastos de capital.

Por outro lado, se a procura for estrutural e de longo prazo, os fabricantes podem contar com carteiras de encomendas mais extensas, melhor qualidade das receitas e, potencialmente, melhores condições contratuais.

Um catalisador adicional é a próxima cimeira da OTAN em Ancara, agendada para 7 e 8 de julho. A reunião deverá centrar-se nas despesas com a defesa, nas capacidades de transferência e logística e no apoio adicional à Ucrânia. Uma área particularmente promissora para despesas adicionais poderá ser a dos drones e dos sistemas de combate a drones.

Do ponto de vista do sentimento do setor, é absolutamente crucial que estes ganhos sejam vistos no contexto dos comentários de Donald Trump de que «Putin sente pressão» e que «o fim da guerra está mais próximo do que todos pensam». No passado, tais declarações teriam exercido uma pressão significativa sobre as valorizações das empresas do setor da defesa. Hoje, no entanto, o mercado vê mais oportunidades do que riscos para as valorizações do setor, o que é importante após vários meses de quedas acentuadas em relação aos picos atingidos.

João Cruz

Analista XTB

João Cruz é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde participa na produção de conteúdos educativos (artigos, vídeos e webinars) dirigidos a investidores de retalho. Possui experiência em trading e na análise de diferentes classes de ativos, com especial foco na análise técnica de índices e ETFs.

Colabora com a Rankia na criação de conteúdos financeiros e publica análises de mercado em plataformas como o Investing Portugal. É ainda o criador do projeto From Trader to Trader, que integra um canal de YouTube dedicado à análise técnica de ativos financeiros e um blog com cerca de 400 artigos publicados sobre análise macroeconómica e análise técnica.

Encontra-se atualmente em fase de conclusão da licenciatura em Finanças pela Universidade de Aveiro.

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