O Millennium BCP é a ação em destaque neste mês de fevereiro. O banco registou resultados históricos em 2025, com um lucro líquido de €1.018,6 milhões, ultrapassando pela primeira vez a barreira psicológica de mil milhões de euros. A gestão surpreendeu o mercado ao anunciar uma política de distribuição de capital aos acionistas de até 90%, combinando dividendos e recompra de ações, reforçando a confiança na solidez financeira da instituição e na sua capacidade de gerar valor sustentável.
Assista à análise completa de João Cruz no vídeo abaixo ou continue a leitura para uma análise detalhada do BCP.
Resultados Financeiros de 2025: Crescimento e Rentabilidade
O desempenho financeiro foi impulsionado por um crescimento transversal em todas as linhas de negócio. A receita operacional atingiu €3.815,2 milhões, um aumento de 6,8%, sustentada por uma margem financeira resiliente de €2.898,1 milhões (+2,4%) e por um excelente desempenho nas comissões, que subiram 4,3% para €847,4 milhões.
A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) melhorou para 14,1%, com o ROTE (rentabilidade do capital tangível do banco) a atingir 14,7%, refletindo a capacidade do banco em gerar valor acima do seu custo de capital estimado.
Eficiência Operacional
A eficiência operacional continua a ser um dos grandes trunfos do Millennium BCP. O rácio “cost-to-income” (percentagem da receita usada para cobrir custos operacionais) situou-se num sólido valor de 36,5%, posicionando a instituição entre os bancos comerciais mais eficientes da Europa.
Esta disciplina de custos é fundamental num ambiente de pressão inflacionista e permite ao banco libertar recursos para investir na transformação digital e absorver eventuais choques adversos.
Do lado do balanço, o crédito a clientes registou um dinamismo notável, crescendo 7,3% para €62,6 mil milhões. Este crescimento foi particularmente expressivo no mercado doméstico português, onde a carteira de crédito expandiu 9,3%, sinalizando que o banco está a apoiar ativamente a economia e as famílias, enquanto ganha quota de mercado num contexto competitivo desafiante.
Solidez do Balanço e Qualidade de Ativos
O BCP mantém uma posição de capital sólida:
- CET1 fully implemented: 15,9%
- Total Capital Ratio: 19,9%
- Leverage Ratio: 6,3%
A qualidade dos ativos atingiu o melhor nível da última década. A percentagem de crédito do banco que não está a ser pago recuou para 1,5%, comparado com 1,9% em 2024, enquanto o rácio de crédito malparado (NPL > 90 dias) fixou-se em apenas 1,2%.
Esta limpeza do balanço, fruto de uma gestão de risco rigorosa e de um enquadramento económico favorável, reduz significativamente o risco para os investidores e diminui a necessidade de constituição de imparidades futuras.
Política de Distribuição aos Acionistas
Um dos pontos altos da apresentação de resultados foi a clarificação da política de remuneração acionista.
O banco propõe um payout total até 90% do lucro de 2025, distribuído da seguinte forma:
- Dividendo em numerário: 50% do lucro (~€509 M)
- Programa de recompra de ações: 40% (~€407 M)
Esta combinação revela-se altamente eficiente do ponto de vista fiscal e de alocação de capital.
Para o investidor, isto traduz-se num dividend yield estimado de cerca de 3,6% aos preços atuais, mas num total “shareholder yield” (rendimento total para o acionista) superior a 6,5% quando se inclui o efeito das recompras de ações. Este nível de retorno é altamente competitivo no setor bancário europeu e demonstra o compromisso da gestão em devolver o excesso de capital aos acionistas.
Olhando para o futuro, o banco apresentou um plano progressivo que prevê aumentar o payout do dividendo regular em numerário até 75% em 2028.
Esta visibilidade sobre a política de dividendos é crucial para investidores institucionais e orientados para o rendimento, reduzindo a incerteza e potencialmente suportando uma reavaliação dos múltiplos de mercado do banco.
Avaliação e Métricas de mercado
À cotação atual de €0,9176, o Millennium BCP negocia com um múltiplo Preço/Lucro (P/E) de aproximadamente 13,9x e um Preço/Valor Contabilístico (P/BV) de 1,54x. Estes múltiplos representam um prémio face à média histórica do banco e situam-se na parte superior do intervalo de avaliação dos pares da banca europeia (tipicamente entre 8x e 12x P/E), refletindo a qualidade superior dos ativos e a rentabilidade elevada (ROE > Cost of Equity).
É importante notar que a ação valorizou cerca de 84% durante o ano de 2025. Esta performance excecional sugere que o mercado já incorporou grande parte das boas notícias, incluindo a melhoria da rentabilidade e o regresso dos dividendos, no preço atual.
O potencial de valorização adicional via expansão de múltiplos parece, portanto, mais limitado a partir destes níveis, dependendo agora fundamentalmente do crescimento dos lucros e da execução do plano estratégico.
Principais Riscos a monitorizar
- Exposição à Polónia (Bank Millennium): volatilidade legal e provisões associadas a hipotecas em CHF
- Descida das taxas de juro pelo BCE: pressão na margem financeira
- Disrupção digital e concorrência de fintechs: ameaça às margens de pagamentos e crédito ao consumo
- Avaliação de mercado: múltiplos já incorporam grande parte das boas notícias
Análise Técnica
Do ponto de vista da análise técnica, o preço continua com uma tendência altista bem definida, mas tem demonstrado alguma dificuldade em romper a resistência dos 0.95€, sendo a zona relevante para continuar a atingir máximos relativos.
No caso de haver correções, o mercado parece estar a formar um padrão de megafone que levaria à zona de suporte dos 0.83€. Ainda assim, a média móvel de 200 dias, que serve como suporte de médio prazo, encontra-se na zona dos 0.78€, que continua a ser o suporte principal de curto prazo para o caso de ocorrerem correções mais fortes no preço. Em caso de rompimento em alta da resistência dos 0,95€, encontra-se o nível psicológico de 1€ que pode servir como uma barreira.
Gráfico BCP.PT (D1)
Conclusão
O Millennium BCP apresentou um conjunto de resultados que confirmam a recuperação estrutural e a solidez da instituição. O lucro recorde, a qualidade de ativos exemplar e a eficiência operacional de topo são testemunho de uma gestão competente e focada. A política de distribuição de capital de até 90% constitui um sinal de confiança significativo e coloca o BCP entre os bancos que mais remuneram os seus acionistas na Europa.
Contudo, para o investidor que analisa o título no momento atual, a equação de risco-retorno revela-se mais equilibrada do que há um ano. A ação já incorpora no seu preço o cenário otimista, negociando muito próxima do preço-alvo médio dos analistas. Para investidores de longo prazo focados em rendimento, o “yield total” superior a 6,5% continua a ser bastante atrativo.
Para quem procura valorização de capital no curto prazo, o potencial parece mais limitado. A monitorização da situação na Polónia e da evolução das margens num ambiente de juros mais baixos será crucial nos próximos trimestres.
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