09:36 · 8 de julho de 2026

Bolsas europeias registam quedas com o aumento das tensões entre os EUA e o Irão

Principais conclusões
Principais conclusões
  • Os índices europeus estão a registar quedas, uma vez que o aumento dos preços do petróleo e as tensões geopolíticas alimentam as preocupações com a inflação e as perspetivas para a política do banco central.
  • Donald Trump criticou o Irão, afirmando que o Memorando de Entendimento (MoU) provavelmente fracassou.
  • Os investidores aguardam a divulgação da ata da primeira reunião da Reserva Federal presidida por Kevin Warsh, à procura de pistas sobre a trajetória futura das taxas de juro.
  • As ações do setor energético estão a apresentar um desempenho superior ao do mercado em geral, com as ações da Shell e da BP a valorizarem-se a par da subida dos preços do petróleo.

Os mercados bolsistas europeus abriram a sessão desta quarta-feira sob pressão devido ao agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na expectativa da divulgação da ata da primeira reunião da Reserva Federal presidida por Kevin Warsh.

A subida dos preços do petróleo, impulsionada pela escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irão, pesou sobre o sentimento dos investidores, embora a queda generalizada do mercado se mantenha relativamente contida. Os investidores estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de o aumento dos custos da energia reacender as pressões inflacionistas e adiar a perspetiva de futuros cortes nas taxas de juro.

A agravar a incerteza está a estratégia de comunicação em evolução da Reserva Federal sob a liderança do seu novo presidente, o que reduziu a disposição dos investidores para assumir riscos. Em contrapartida, as empresas de petróleo e gás estão a apresentar um desempenho superior, beneficiando da recuperação dos preços do crude.

Donald Trump afirmou que o acordo de paz com o Irão provavelmente fracassou e criticou a liderança de Teerão, sinalizando que os Estados Unidos estão preparados para retomar a ação militar, se necessário.

Principais desenvolvimentos

  • O índice pan-europeu STOXX Europe 600 registou uma descida de cerca de 0,6%, refletindo um sentimento de cautela por parte dos investidores, em vez de uma onda de vendas em pânico generalizada.
  • O DAX alemão está a perder cerca de 1%, o CAC 40 francês registou uma descida de 0,9%, enquanto o FTSE 100 do Reino Unido e o FTSE MIB italiano estão, cada um, a registar uma descida de cerca de 0,7%.
  • Os futuros do petróleo Brent registam uma subida de cerca de 2%, para aproximadamente 75,60 dólares por barril, na sequência do recrudescimento das tensões entre os EUA e o Irão e da decisão de Washington de revogar uma isenção fundamental que permitia ao Irão exportar petróleo bruto.
  • A subida dos preços do petróleo reforçou as preocupações de que a inflação possa permanecer elevada por mais tempo, impulsionando os rendimentos das obrigações de Estado europeias e reduzindo o apetite por ativos de risco.
  • Os investidores estão atentos à divulgação da ata da reunião de junho da Reserva Federal, a primeira sob a presidência de Kevin Warsh, que tem dado sinais de uma abordagem de comunicação menos transparente do que a dos seus antecessores.
  • Com quase metade dos responsáveis pela política monetária da Reserva Federal a indicar, na última reunião, que se mantêm abertos a novos aumentos das taxas de juro, um tom mais restritivo na ata poderá levar os mercados a reavaliar as expectativas globais em matéria de taxas de juro.
  • As grandes petrolíferas estão a apresentar um desempenho superior na sessão de hoje, com a BP a valorizar cerca de 2,3% e a Shell a subir aproximadamente 1,6%, o que as coloca entre as empresas com melhor desempenho nos mercados acionistas europeus.

EU50, DE40 (intervalo D1)

Os contratos de futuros do Euro Stoxx 50 continuam a ser negociados perto do limite superior do canal, sugerindo que ainda existe uma margem considerável para uma correção, caso as tensões geopolíticas continuem a agravar-se. O nível de suporte importante situa-se atualmente perto dos 6 240 pontos, reforçado pela evolução anterior dos preços.

Fonte: xStation5

O DAX recuou para a média móvel exponencial de 50 dias, perto do nível dos 25 000 pontos. Uma quebra abaixo deste suporte poderá sinalizar outro impulso de descida de magnitude semelhante e abrir a porta a um teste da MME de 200 dias. Os desenvolvimentos geopolíticos envolvendo o Irão continuarão a ser o principal catalisador a acompanhar, uma vez que qualquer nova escalada poderá exercer pressão adicional sobre as ações alemãs.

gráfico do índice alemão
 

Fonte: xStation5

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times.

É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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