08:12 · 18 de setembro de 2026

Calendário macroeconómico: Banco do Japão decide aumentar os juros

A sessão de hoje nos mercados financeiros está marcada por decisões fundamentais de política monetária na Ásia. O Banco do Japão (BoJ) decidiu aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, para um valor ligeiramente inferior a 1,25%, o que provocou uma forte volatilidade nos pares com o iene. A taxa de câmbio USDJPY subiu acima do nível de 157, atingindo os seus máximos desde o início de setembro.

O BoJ apontou para o aumento das expectativas de inflação e para a repercussão dos custos salariais mais elevados nos preços de retalho. Entretanto, o IPC de base do Japão situou-se em 1,7% em termos homólogos, ligeiramente abaixo do consenso (1,8%). Um fator fundamental por detrás da fraqueza do iene foi a ausência de uma mensagem fortemente hawkish e o facto de dois membros terem votado a favor da manutenção das taxas de juro.

A Nova Zelândia divulgou dados da balança comercial melhores do que o esperado (um défice comercial menor) e um valor mais elevado do índice de preços dos alimentos. Mais tarde, a atenção dos investidores centrar-se-á nos dados das vendas a retalho do Reino Unido, na produção industrial dos EUA e nos discursos dos bancos centrais, incluindo o da presidente do BCE, Christine Lagarde. A situação geopolítica permanece tensa na sequência de relatos de ataques russos a infraestruturas logísticas perto de Odessa.

Principais publicações da sessão asiática

  • Nova Zelândia — O Índice de Preços dos Alimentos (FPI) m/m situou-se em 0,3% (anterior: 0,1%).
  • Nova Zelândia — A balança comercial registou um défice de -1349M, contra previsões de -1775M (anterior: -2118M).
  • Japão - O IPC subjacente nacional, em termos homólogos, abrandou para 1,7%, com um consenso de 1,8% (anterior: 1,8%).
  • Japão - O Banco do Japão aumentou a sua taxa de juro de referência para 1,25% (anterior: 1,00%), apontando para o risco de a inflação se manter acima da meta de 2%.

Calendário macroeconómico (CET)

  • 01:30 CET Austrália - Discurso do governador do RBA, Bullock.
  • 04:54 CET Japão - Declaração de Política Monetária do Banco do Japão.
  • 08:00 CET Alemanha - Índice de Preços no Produtor (IPP) m/m. Consenso: 0,6%. Valor anterior: 1,1%.
  • 08:00 CET Reino Unido - Vendas a retalho m/m. Consenso: -0,2%. Valor anterior: -0,5%.
  • 10:00 CET Zona Euro - Balança corrente. Consenso: 30,7 mil milhões. Valor anterior: 35,1 mil milhões.
  • 12:30 CET Zona Euro - Discurso da presidente do BCE, Lagarde.
  • 15:15 CET EUA - Utilização da capacidade produtiva. Consenso: 76,4%. Valor anterior: 76,3%.
  • 15:15 CET EUA - Produção industrial m/m. Consenso: 0,3%. Valor anterior: 0,2%.
  • 15:30 CET EUA - Discurso de Bowman, membro do FOMC.
  • 16:00 CET EUA - Índice Antecipado do Conference Board m/m. Consenso: 0,1%. Valor anterior: 0,2%.
  • 17:45 CET EUA - Discurso de Schmid, membro do FOMC.
  • Durante todo o dia CET Zona Euro - Reunião do ECOFIN.
  • Durante todo o dia CET Zona Euro - Reunião do Eurogrupo.
  • Durante todo o dia (CET) China - Investimento Direto Estrangeiro acumulado no ano, em termos homólogos. Valor anterior: -6,2%.

Mercados a acompanhar

  • USDJPY - O par de moedas apresenta um forte crescimento, atingindo o seu nível mais elevado desde o início de setembro, na sequência da decisão do Banco do Japão de aumentar as taxas de juro em 25 pontos base. O mercado está a reagir de forma dinâmica à mensagem do banco central e à próxima conferência de imprensa.
  • GBPUSD — A libra esterlina estará sob forte influência da divulgação dos dados das vendas a retalho de agosto. Um resultado superior às expectativas poderá apoiar a libra e levar o Banco de Inglaterra a adotar uma abordagem mais cautelosa em relação à flexibilização da política monetária.
  • EURUSD — O principal par cambial poderá apresentar maior volatilidade devido ao discurso agendado da presidente do BCE, Christine Lagarde, e às reuniões em curso do Eurogrupo e do ECOFIN, que poderão trazer comentários sobre a situação económica da zona euro.

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times. É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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