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11:54 · 12 de março de 2026

Conflito no Médio Oriente e mercados agrícolas: porque trigo, milho e soja reagiram pouco

Polina Rytova / Unsplash
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Desde o início da escalada do conflito no Médio Oriente, os mercados de matérias-primas reagiram sobretudo através de uma forte subida nos preços da energia, enquanto as matérias-primas agrícolas tiveram um comportamento muito mais contido.

Mercados agrícolas mostram reação moderada e maior volatilidade

No caso de produtos como o trigo, o milho e a soja, a reação inicial foi moderada e caracterizou-se mais por um aumento da volatilidade do que por uma tendência de subida acentuada.

Nos mercados de futuros internacionais, nomeadamente em Chicago, registaram-se alguns movimentos pontuais de valorização, mas na maioria dos casos estas matérias-primas continuam a negociar dentro do intervalo de preços em que se encontravam já ao longo de 2024.

Porque o Médio Oriente tem impacto limitado na oferta global de cereais

Potes de vidro com cereais diversos em cima de mesa de madeira
Markus Spiske

Esta evolução relativamente estável pode parecer surpreendente à primeira vista, sobretudo tendo em conta o impacto geopolítico do conflito.

No entanto, do ponto de vista fundamental, a explicação é relativamente simples: ao contrário de outras regiões em conflito que tiveram impacto direto na produção agrícola global, o Médio Oriente não é um grande exportador de cereais. Pelo contrário, trata-se sobretudo de uma região importadora líquida de alimentos.

Assim, a escalada militar não está a retirar uma quantidade relevante de oferta ao mercado mundial de trigo, milho ou soja. A maior parte da produção global destas matérias-primas continua concentrada em países como os Estados Unidos, o Brasil, a Argentina, a União Europeia, a Rússia e a Ucrânia, pelo que a dinâmica fundamental da oferta global permanece praticamente inalterada. 

Impactos indiretos do conflito: energia, fertilizantes e custos logísticos

Apesar de o impacto direto ser limitado, o conflito pode afetar o mercado agrícola através de canais indiretos, principalmente relacionados com os custos de produção. Um dos mais relevantes prende-se com os fertilizantes, cuja produção depende fortemente do gás natural e de cadeias logísticas que passam em grande parte pelo Golfo Pérsico.

Caso as tensões geopolíticas se prolonguem e perturbem o comércio internacional, os custos de produção agrícola podem aumentar. Esse efeito, contudo, tende a manifestar-se com algum atraso, refletindo-se mais nas próximas campanhas agrícolas do que nos preços imediatos das matérias-primas.

Como o aumento do preço do petróleo pode afetar o transporte e os alimentos

Outro canal importante é o custo do transporte. O aumento do preço do petróleo, provocado pelas tensões na região, encarece o transporte marítimo e a logística internacional, fatores que acabam por influenciar toda a cadeia alimentar.

Além disso, o preço da energia tem um peso significativo em várias fases da produção e distribuição de alimentos, desde a mecanização agrícola até ao processamento industrial.

Bloqueio do Estreito de Ormuz: qual o risco para o comércio agrícola

No que diz respeito ao eventual bloqueio do Estreito de Ormuz, o impacto direto sobre o comércio global de cereais é relativamente limitado. Apesar de ser um dos pontos estratégicos mais importantes para o transporte de petróleo e gás natural, a sua relevância para o comércio mundial de trigo, milho e soja é bastante menor. Apenas uma pequena fração do comércio global destas matérias-primas passa por esta rota marítima.

Consequentemente, mesmo num cenário de perturbação parcial do tráfego marítimo, o impacto direto na oferta global de cereais tenderia a ser reduzido. Ainda assim, poderão surgir efeitos regionais relevantes, sobretudo nos países do Golfo, que dependem fortemente da importação de alimentos e que podem enfrentar custos logísticos mais elevados ou atrasos no abastecimento.

Conflito no Médio Oriente vs guerra na Ucrânia: porque o impacto é diferente

Para compreender melhor a reação relativamente moderada dos mercados agrícolas ao conflito atual, é útil compará-la com o que aconteceu aquando do início da guerra na Ucrânia em 2022. Nesse caso, o impacto foi muito mais significativo, porque tanto a Rússia como a Ucrânia são dois dos principais exportadores agrícolas do mundo.

Antes da guerra, os dois países representavam em conjunto cerca de um terço das exportações globais de trigo e uma parcela significativa das exportações de milho e de óleo de girassol. O bloqueio dos portos do Mar Negro e a interrupção das cadeias logísticas provocaram um choque direto na oferta mundial, levando a uma forte subida dos preços das matérias-primas agrícolas.

Na altura, os preços do trigo chegaram a disparar mais de 50% em poucos meses, refletindo o receio de escassez no mercado global.

A diferença fundamental entre os dois conflitos reside precisamente nesse fator estrutural. Enquanto a guerra na Ucrânia afetou diretamente um dos principais centros exportadores de cereais do mundo, o conflito atual no Médio Oriente não tem impacto direto relevante sobre a produção global de alimentos.

Como resultado, os mercados agrícolas reagem sobretudo ao aumento do risco geopolítico e aos potenciais efeitos indiretos através da energia e dos fertilizantes, e não a uma quebra efetiva da oferta.

Evolução do preço do trigo nos primeiros dias após o início da guerra na Ucrânia

xStation5

Evolução do preço do trigo nos primeiros dias após o início do conflito no Médio Oriente

xStation5

O conflito pode aumentar os preços dos alimentos para os consumidores?

Em termos de impacto para o consumidor final, nomeadamente no preço de produtos como o pão, é importante ter em conta que o preço do trigo representa apenas uma parte relativamente pequena do custo final. Em muitos casos, a matéria-prima agrícola corresponde a cerca de 10% a 15% do preço pago pelo consumidor. Outros fatores, como a energia, o transporte, os custos laborais e o processamento industrial, têm um peso frequentemente superior na formação do preço final.

Assim, mesmo que o preço do trigo venha a registar alguma subida moderada, o impacto direto no preço do pão tende a ser limitado. No entanto, se a escalada geopolítica continuar a pressionar os preços da energia, então o efeito inflacionista nos alimentos poderá surgir sobretudo por esse canal.

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