07:45 · 8 de outubro de 2026

Destaques da manhã (08.10.26)

Os índices bolsistas dos EUA ficaram sob pressão ontem, após terem atingido recentemente máximos históricos, enquanto os futuros de Wall Street estão a ser negociados praticamente estáveis hoje. A subida dos preços do petróleo para cerca de 100 dólares por barril reacendeu as preocupações com a inflação e as expectativas de um novo aperto monetário por parte da Reserva Federal, pesando sobre a propensão ao risco dos investidores.

  • A agenda económica de hoje é relativamente escassa. Os principais dados a acompanhar são os pedidos iniciais de subsídio de desemprego nos EUA (12h30 GMT) e a ata da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu (11h30 GMT). Esta manhã, o índice da Pesquisa de Expectativas Económicas do Japão subiu para 47, superando as expectativas de 46,7 e registando uma melhoria em relação ao valor anterior de 46,4.
  • O S&P 500 recuou em relação aos máximos históricos, enquanto o petróleo Brent encerrou a sessão de ontem perto dos 100 dólares por barril e regista hoje uma subida de quase 2%, ultrapassando os 102 dólares. Os preços do petróleo estão a ser sustentados pela escalada das tensões no Médio Oriente, incluindo ataques a petroleiros perto do Estreito de Ormuz, a par de perturbações persistentes no abastecimento regional de petróleo.
  • A Casa Branca estará, alegadamente, a considerar novos ataques contra alvos iranianos antes das eleições intercalares nos EUA, apesar de um período de relativa calma militar nas últimas semanas. De acordo com a revista «The Atlantic», o Pentágono recebeu instruções para preparar possíveis opções militares, mesmo que a administração Trump procure reduzir os preços dos combustíveis e limitar as repercussões políticas de um conflito impopular antes das eleições.
  • A taxa de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos recuou em relação ao pico de ontem, de 5,35%, o seu nível mais elevado desde 2002. A pressão sobre o mercado obrigacionista persistiu, apesar da forte procura num leilão de títulos do Tesouro no valor de 39 mil milhões de dólares. Entretanto, a Bitcoin caiu abaixo dos 83 000 dólares, refletindo uma atitude mais cautelosa em relação aos ativos de risco.
  • Os índices bolsistas asiáticos têm estado sob pressão na sequência das quedas registadas ontem em Wall Street. O Índice MSCI All Country World registou uma descida de cerca de 0,2%, recuando dos máximos históricos após ter subido 1,5% no início da semana. Os investidores estão a reduzir a sua exposição a ativos de risco num contexto de subida dos preços da energia e de uma nova escalada de tensões no Médio Oriente.
  • O ouro está a recuperar gradualmente após ter caído para 4 070 dólares por onça, recuperando para acima dos 4 130 dólares. A platina e o paládio também estão a valorizar-se, subindo 1,8% e 2,3%, respetivamente.
  • Os mercados estão a incorporar cada vez mais a possibilidade de um novo aumento da taxa de juro pela Reserva Federal antes do final de 2026. Os preços da energia persistentemente elevados, o aumento dos custos de financiamento das empresas e o investimento substancial em infraestruturas de inteligência artificial poderão sustentar as pressões inflacionistas e limitar a margem de manobra da Reserva Federal para flexibilizar a política monetária.
  • A ata da reunião de setembro da Reserva Federal confirmou que todos os 19 responsáveis apoiaram o aumento da taxa de juro. Muitos participantes consideraram o aumento como uma precaução contra um potencial ressurgimento da inflação, reforçando as expectativas de que o Fed possa manter uma política monetária restritiva por mais tempo.
  • A SpaceX está, alegadamente, em negociações com bancos e investidores para angariar aproximadamente 40 mil milhões de dólares para adquirir chips da Nvidia. O potencial financiamento figuraria entre as maiores transações relacionadas com a expansão das infraestruturas de IA, fornecendo mais provas da procura sustentada por processadores avançados utilizados em centros de dados.
  • O Irão e Omã estão a manter discussões sobre a navegação segura pelo Estreito de Ormuz, incluindo coordenadas geográficas para as rotas de trânsito e a forma de apresentar os seus acordos a nível internacional. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que Teerão continua empenhado em restaurar a segurança na região, acrescentando que a resposta do Irão às propostas dos EUA será transmitida através de intermediários.
  • A Unidade de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) comunicou um ataque a um petroleiro a cerca de 51 milhas náuticas a norte de Madinat Ash Shamal, no Catar. De acordo com relatórios preliminares, a embarcação foi atingida por vários projéteis, tendo-se registado vítimas entre a tripulação, o que suscitou novas preocupações quanto à segurança marítima e aos transportes de energia provenientes do Golfo Pérsico.
  • Washington está a intensificar os esforços para proteger tecnologias estratégicas, ao mesmo tempo que expande a cooperação com o setor da inteligência artificial. Na sequência de um incidente envolvendo componentes de caças F-35 que terão sido enviados para a China através da UPS, surgiram preocupações relativamente aos controlos de exportação, enquanto um responsável da administração norte-americana revelou que estão em curso discussões com 20 a 25 empresas de IA e planos para a supervisão, por parte da FAA, das aplicações de IA na aviação.
  • As taxas de fretamento de superpetroleiros de crude atingiram novos máximos, o que poderá aumentar os custos de transporte de petróleo e agravar as pressões inflacionistas ao longo das cadeias de abastecimento. As tensões no Médio Oriente permanecem elevadas na sequência de novos ataques a infraestruturas estratégicas, com os rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, a atacarem dois aeroportos na Arábia Saudita, matando três pessoas, enquanto os confrontos envolvendo forças apoiadas pela Arábia Saudita continuam no Iémen.
  • O aumento dos preços da energia está a complicar as perspetivas de inflação na sequência do aumento das taxas de juro pelo Fed em setembro, enquanto os investidores estão a voltar cada vez mais a sua atenção para a próxima época de divulgação de resultados nos EUA. Os mercados estarão atentos a indícios de que o investimento recorde em infraestruturas de IA se está a traduzir num crescimento tangível das receitas e dos lucros, suficiente para justificar as elevadas valorizações das ações.
  • O euro mantém-se relativamente estável face ao dólar norte-americano, embora os investidores estejam a prestar maior atenção à deterioração da situação orçamental da França. As crescentes preocupações com as finanças públicas estão a aumentar o risco de tensões nos mercados obrigacionistas europeus e de um potencial confronto com o BCE, enquanto o Ministério das Finanças francês indicou que não tem planos para alterar a sua estratégia de emissão de dívida, apesar da incerteza acrescida.
  • As importações alemãs aumentaram 0,9% em termos mensais, em comparação com as expectativas de um aumento de 2,8% e uma queda de 5,7% registada anteriormente (ajustadas sazonalmente), enquanto as exportações alemãs diminuíram 0,8% em termos mensais, contrariando as expectativas do mercado de um aumento de 0,9% e na sequência de uma queda de 0,8% no mês anterior (ajustadas sazonalmente). O excedente comercial da Alemanha situou-se nos 19,5 mil milhões de euros, em comparação com previsões de 19 mil milhões de euros e 21,3 mil milhões de euros anteriormente (ajustados sazonalmente).

Gráfico do PETRÓLEO (intervalo H1)

Os futuros do Brent estão a recuperar após uma breve queda para cerca de 95 dólares, registando um ganho de aproximadamente 8% e atingindo um máximo local. O RSI ainda não entrou em território de sobrecompra, enquanto o MACD também sugere potencial para uma nova subida. Uma quebra acima dos 103,5 dólares poderá abrir caminho para os 104,5 e 105,5 dólares, correspondentes aos níveis de retração de Fibonacci de 61,8% e 71,6% do mais recente movimento descendente. A zona dos 97–99 dólares continua a ser uma importante zona de suporte, reforçada pelo nível de retração de Fibonacci de 38,2%.

Fonte: XTB

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times. É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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