07:38 · 18 de agosto de 2026

Destaques da manhã (18.08.2026)

📈 Mercados bolsistas e ações

  • A gigante norte-americana Nvidia comprometeu-se a investir até 105 mil milhões de dólares na construção de um complexo de centros de dados com 8 GW em Ohio, para arrendamento à OpenAI, enquanto a Microsoft e a Salesforce estão de olho na aquisição da plataforma Darwinbox antes da sua entrada na bolsa.
  • A receita recorrente anual (ARR) da Anthropic ultrapassou os 65 mil milhões de dólares no final de julho, o que representa um aumento de mais de sete vezes desde o final do ano passado, gerando otimismo antes da sua oferta pública inicial (IPO) prevista.
  • Os índices asiáticos registaram quedas significativas: o Nikkei 225 do Japão perdeu mais de 1,6% (com fortes vendas na Kioxia e na Murata), o KOSPI da Coreia do Sul caiu 1,1% e as empresas tecnológicas chinesas, incluindo a JD.com e a Meituan, também enfrentaram ondas de vendas.
  • Wall Street encerrou a sessão sob pressão de venda: o S&P 500 desceu para 7742 pontos (-0,3%), o Nasdaq 100 para 29 898 pontos (-0,6%) e as ações da Microsoft perderam mais de 3%, para 480 dólares.
  • O índice europeu CAC 40 registou uma queda de 0,79% devido ao aumento das posições curtas sobre títulos do Tesouro francês (OAT), desencadeado por um conflito político em torno do orçamento para 2027.

🏛️ Macroeconomia

  • Os mercados obrigacionistas estão a registar também quedas: os juros das obrigações a 30 anos dos EUA atingiu os 5,3% (o valor mais elevado desde 2007), e os juros das obrigações a 10 anos japonesas subiram para cerca de 2,95% (níveis não observados nas últimas três décadas).
  • A nível global, estamos a observar uma clara diminuição do volume de obrigações do Tesouro dos EUA detidas. Em junho, verificou-se uma queda para 9,299 biliões de dólares, impulsionada por reduções nas carteiras de investidores do Japão, do Reino Unido e da China, o que, segundo os analistas do ING, poderá prolongar a onda de vendas de obrigações, levando a rendimentos mais elevados e com potencial impacto no ouro, entre outros.
  • O Goldman Sachs considera altamente improvável um possível aumento das taxas pelo Fed devido aos dados de inflação moderados, mas os mercados temem pressões de custos decorrentes das matérias-primas na véspera do simpósio de Jackson Hole.
  • As autoridades chinesas apresentaram um plano para estimular o consumo a nível municipal, enquanto o PBoC está a considerar um corte na taxa LPR e a reorientar a principal ferramenta de liquidez para operações de recompra reversível overnight.

🛢️ Matérias-primas

  • Os preços do Brent estão a subir novamente, ultrapassando os 91 dólares por barril, enquanto o WTI se mantém acima dos 84 dólares na sequência de um ataque a um navio mercante no Estreito de Ormuz e do termo do prazo de um memorando de 60 dias entre os EUA e o Irão, que, na prática, já se encontrava caducado. No entanto, não parece provável que os Estados Unidos decidam por um ataque mais contundente nesta fase.
  • Embora não estejam a decorrer negociações oficiais, estão a realizar-se conversações por intermédio de representantes. Surgiram rumores de que o Irão iria controlar os navios que entrassem no Estreito de Ormuz e Omã os que saíssem, com a participação dos EUA. Tal proposta terá sido rejeitada pelo Irão.
  • O ouro recuou para cerca de 4392 dólares por onça, enfrentando uma forte resistência técnica nos 4500 dólares, apesar de a procura por parte dos bancos centrais ter atingido quase 300 toneladas no segundo trimestre e de o Wells Fargo manter uma meta de 4900–5100 dólares para 2026.
  • O cobre enfrenta uma crise de oferta e um aumento dos spreads na LME, tendo a BHP anunciado que o metal ultrapassou o minério de ferro como principal motor de lucros da empresa.
  • Os mercados de matérias-primas agrícolas registam fortes ganhos: o cacau subiu 5,09% (+9,94% na semana) e o sumo de laranja valorizou 3,18%.

💱 Moedas

  • O Banco Central da Índia (RBI) realizou uma intervenção cambial, vendendo dólares para aliviar a pressão sobre a rupia (USD/INR perto de máximos) desencadeada pelas saídas de capitais e pelos elevados preços do petróleo.
  • A taxa USD/JPY oscila em torno de 159,7, mantendo-se perto dos mínimos de duas semanas do iene, à medida que o efeito das intervenções conjuntas anteriores entre os EUA e o Japão se desvanece.
  • O dólar neozelandês (NZDUSD) caiu abaixo de 0,5900 após dados chineses dececionantes relativos às vendas a retalho e à produção industrial de julho.
  • As análises institucionais apontam para uma potencial fraqueza a médio prazo do dólar norte-americano a favor do EUR e da GBP (Westpac) e para a atratividade das posições de carry trade do EURAUD com um objetivo de 1,53 (Morgan Stanley).

₿ Criptomoedas

  • A Bitcoin está a consolidar junto do nível dos 64 000 dólares, com a Fundstrat a prever um aumento da volatilidade de, pelo menos, 30% nos próximos dois meses.

🌍 Geopolítica

  • Uma explosão num navio mercante no Estreito de Ormuz (sala de máquinas danificada, uma vítima mortal entre a tripulação) coincidiu com o fim da trégua entre os EUA e o Irão e com ameaças por parte de Washington, aumentando significativamente o risco de escalada do conflito.
  • Mais de 180 drones foram abatidos na região de Moscovo num ataque em grande escala que atingiu, entre outros alvos, o centro logístico da empresa Wildberries.

 

 

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times.

É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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