🌍 GEOPOLÍTICA
- EUA–Irão: progressos na Suíça, mas a situação continua frágil. Durante a cimeira em Bürgenstock, no Lago dos Lucerna, os mediadores — o Catar e o Paquistão — anunciaram «progressos importantes» após 18 horas de negociações. Ambas as partes chegaram a acordo quanto a um calendário de 60 dias para alcançar um acordo final e quanto à criação de um Comité de Alto Nível para supervisionar a mediação. Apesar da saída da delegação iraniana, provocada pelas ameaças de Trump na Truth Social de retomar os bombardeamentos, as negociações não foram interrompidas.
- O Estreito de Ormuz: as tensões intensificaram-se, mas depois acalmaram. No domingo, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou o novo encerramento do Estreito de Ormuz; o tráfego de petroleiros caiu para apenas 5 navios (em comparação com 26 no dia anterior). Na sequência de uma declaração dos mediadores, a situação melhorou — foi estabelecido um canal de comunicação específico para garantir o trânsito seguro do tráfego comercial. Irão. O ministro dos Negócios Estrangeiros Araghchi anunciou o levantamento do bloqueio, a reabertura dos portos petrolíferos e petroquímicos e o lançamento de um plano para a reconstrução do Irão; Israel está ausente do comunicado final, o que deixa uma lacuna evidente na sustentabilidade do cessar-fogo.
- Catar: explosão em Ras Laffan. Ocorreu uma grande explosão no maior terminal de GNL do mundo durante a entrada em funcionamento das instalações – 54 pessoas ficaram feridas e 18 continuam desaparecidas. A QatarEnergy não se pronunciou sobre a extensão dos danos na infraestrutura. O incidente serve para recordar o quão frágil é a infraestrutura energética física no Golfo.
- China: retaliação contra o Pentágono. Pequim acrescentou 10 entidades militares norte-americanas à sua lista de controlo de exportações (incluindo a MP Materials e a USA Rare Earth) e excluiu 46 empresas norte-americanas dos contratos governamentais – em resposta à atualização da lista 1260H pelo Pentágono (que incluiu a Alibaba, a Baidu e a BYD). Os analistas consideram esta medida em grande parte simbólica, destinada a salvaguardar as relações bilaterais na sequência da cimeira Trump–Xi.
- Reino Unido: Starmer a caminho da saída. O «The Guardian» noticiou que o primeiro-ministro Keir Starmer deverá confirmar a sua saída neste outono; o pano de fundo para tal é a vitória esmagadora de Andy Burnham nas eleições parlamentares suplementares. Burnham é considerado o favorito para assumir a liderança, enquanto o mercado de títulos do Tesouro se mostra incerto quanto à sua abordagem à disciplina orçamental.
📊 MACROECONOMIA
- Fed: o mercado está cada vez mais a prever um aumento das taxas de juro. Na sequência da reunião «hawkish» do FOMC da semana passada, o mercado está agora a precificar uma probabilidade de 75% de um aumento das taxas já em setembro e um aperto de 41 pontos base até ao final do ano. Os juros dos títulos do Tesouro a 2 anos subiram para 4,2276% – o seu nível mais elevado desde o início de 2025.
- Dado-chave da semana: o PCE na quinta-feira. Espera-se que o PCE subjacente de maio (o indicador de inflação preferido do Fed) suba para 3,4% – um resultado acima das expectativas poderá acelerar o ritmo dos aumentos das taxas de juro. Também na agenda desta semana: o IPC canadiano, o PMI preliminar da zona euro e o IPC de Tóquio, no Japão.
- China: a LPR mantém-se inalterada pela 13.ª vez. O Banco Popular da China (PBOC) manteve a LPR a 1 ano em 3,00% e a LPR a 5 anos em 3,50% – mais um mês sem alterações. O PBOC fixou a cotação do USD/CNY em 6,8150, contra uma estimativa de 6,7733, sugerindo uma desvalorização deliberada do yuan. A China está a restringir as importações de petróleo (segundo o NYT), o que poderá pesar sobre os preços a longo prazo.
📈 MERCADOS – REAÇÃO AOS ACONTECIMENTOS
- Wall Street / futuros: ligeira pressão descendente. Futuros do S&P 500 –0,5%, futuros do Nasdaq-100 –0,6%, Dow –187 pontos / –0,4%, embora, no momento da redação deste artigo, estas perdas estejam a ser recuperadas. A semana anterior terminou, no entanto, em tom positivo: S&P +1%, DJIA +1%, Nasdaq +2% (a 11.ª semana de ganhos em 12). Os mercados aguardam os dados do PCE e novos desenvolvimentos nas negociações entre os EUA e o Irão.
- O Japão atinge um máximo histórico. O Nikkei 225 subiu +1,95%, ultrapassando a marca dos 72 000 pontos (CFD JP225: 72 777). O Topix subiu +1,29%. A recuperação foi impulsionada pelo alívio decorrente dos progressos nas negociações com o Irão. Coreia do Sul: Kospi +1,22%, Kosdaq –0,99%. Austrália (ASX 200): ligeira subida. Hong Kong (Hang Seng): –1,74%; China continental (CSI 300): +0,28% – a divergência decorre de tensões geopolíticas e riscos regulatórios.
💱 MOEDAS
- O iene está sob pressão. USD/JPY em ~161,66 (CFD +0,24%) – não muito longe de um mínimo de dois anos; uma quebra abaixo de 161,96 abriria caminho para o iene mais fraco desde 1986. O ministro das Finanças japonês, Katayama, anunciou que está pronto para intervir «a qualquer momento», mas o mercado mantém-se cético – uma intervenção num contexto de política monetária restritiva da Reserva Federal seria dispendiosa e arriscada. O vice-governador do Banco do Japão, Himino, alertou que adiar os ajustamentos de política monetária poderia desencadear um sobreaquecimento inflacionário, mas a primeira-ministra Takaichi apela à contenção.
- EUR/USD neutro. O par está a ser negociado a cerca de 1,1457, com uma variação próxima de zero (–0,01%). No mapa de calor das moedas, as que registaram as maiores quedas incluem: NOK (–0,6%), JPY (–0,9%), SEK (–0,4%–0,5%). O ZAR é a moeda mais forte (+0,9% face ao JPY).
🛢️ MATÉRIAS-PRIMAS
- Petróleo: Brent (CFD sobre Brent): 78,97 / –1,72%; WTI (CFD sobre OIL.WTI): 75,25 / –1,66%. Anteriormente, os preços do petróleo tinham subido +3% na sequência das notícias sobre o encerramento do Estreito de Ormuz, antes de perderem esses ganhos na sequência de uma declaração dos mediadores.
- Ouro e prata em alta. CFD sobre o ouro: 4 185 (+0,73%) – A Goldman Sachs registou uma procura estrutural por parte dos bancos centrais de 59 toneladas só em abril. CFD sobre a prata: 65,55 (+1,17%). Gás natural (NatGas): 3,316 (+2,41%).
🏢 EMPRESAS
- A SK Hynix ultrapassa a Samsung. Pela primeira vez na sua história, a SK Hynix (000660.KS) tornou-se a empresa com maior valorização na Bolsa de Valores de Seul, ultrapassando a Samsung Electronics. As suas ações subiram mais de 340% este ano, graças ao seu domínio no mercado de chips HBM para IA (clientes: Nvidia, Google). A empresa está a considerar uma cotação nos EUA, o que poderá alargar a sua base global de investidores.
- A Tesla sob pressão devido à sua reputação. Uma mulher morreu num acidente envolvendo um Tesla que utilizava o seu sistema de assistência ao condutor no Texas – o carro saiu da faixa de rodagem e colidiu com um edifício.
₿ CRIPTOMOEDAS
- Bitcoin: 64 099 USD (+0,75%) – uma subida ligeira na sequência de uma melhoria no sentimento do mercado após os progressos nas negociações com o Irão.
Petróleo volta a registar perdas, apesar da agitação em torno do Estreito de Ormuz
Calendário económico: Inflação no Canadá em destaque 💡
Três mercados a acompanhar na próxima semana: EURUSD, Petróleo, NASDAQ 100 (19.06.2026)
Ouro desce 1,5% após o Goldman Sachs ter revisto em baixa a sua previsão de preço para o ouro em 2026
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