Na quarta-feira, o USDJPY atingiu o seu nível mais elevado desde dezembro de 1986 (162,8). Desde então, no entanto, registou uma descida superior a 1%.
Uma mudança na abordagem às intervenções cambiais
As tentativas de intervenção realizadas pelas autoridades japonesas em junho revelaram-se infrutíferas. Na sequência de quedas temporárias, o par USDJPY atingiu novos máximos.
Consequentemente, de acordo com notícias da Reuters, as autoridades deverão abandonar a prática anterior de sinalizar riscos de intervenção, optando, em vez disso, por tomar medidas para exercer pressão sobre os especuladores e aumentar os custos associados às apostas contra o iene. Espera-se também que seja abandonada a comunicação que sinaliza níveis específicos da taxa de câmbio que poderiam desencadear uma ação por parte das autoridades.
Esta mudança de abordagem parece estar a ganhar a aprovação do mercado; ontem de manhã, o iene valorizou-se quase 0,9% face ao dólar, mantendo os ganhos até ao final do dia graças a um relatório de empregos não agrícolas (NFP) dos EUA mais fraco do que o esperado.
Hoje, a moeda japonesa está a registar um fortalecimento adicional, potencialmente influenciado por uma fraqueza mais generalizada do dólar, bem como pelos comentários da Ministra das Finanças, Satsuki Katayama, que afirmou que Tóquio continua pronta para intervir no mercado cambial, ao mesmo tempo que enfatizou a estreita cooperação com Washington a este respeito. Abordou ainda o aumento das taxas de rendibilidade das obrigações, salientando que a política fiscal será conduzida de forma a restaurar a confiança do mercado.
Mais subidas das taxas de juro à vista
O Banco do Japão encontra-se atualmente num ponto de viragem histórico, afastando-se de décadas de política monetária ultralaxista. Em meados de junho, elevou a taxa de juro de referência para o seu nível mais elevado desde 1995 (1%).
Em linha com o consenso do mercado e os sinais dos membros do conselho de administração (incluindo o «hawkish» Naoki Tamura), este não é o fim do ciclo de aperto monetário. O mercado espera que as taxas subam sistematicamente ao longo de intervalos de vários meses em direção à taxa neutra, que, segundo os decisores políticos, se situa atualmente entre 1,5% e 2,0%.
O governo está a exercer forte pressão no sentido de aumentos das taxas de juro para evitar uma depreciação excessiva da moeda. A título de nota, vale a pena acrescentar que um dos principais beneficiários desta situação é o setor bancário japonês.
Aperto monetário apoiado pelos dados macroeconómicos
Os dados continuam a ser a base para a continuação da viragem para uma política monetária mais restritiva. O Banco elevou significativamente as suas previsões de inflação, esperando que a inflação subjacente suba para 2,5-3% no ano fiscal de 2026, bem acima da meta de inflação de 2%.
As expectativas de inflação a médio e longo prazo também se mantêm elevadas. Além disso, a inflação já não é impulsionada exclusivamente por fatores externos. Os salários cresceram em abril (3,5%) ao ritmo mais rápido desde 2024, e as empresas japonesas mostram-se cada vez mais dispostas a repercutir os custos laborais mais elevados nos preços finais.
Análise Técnica
Figura 1: USDJPY (03.12.2025 - 03.07.2026)

Fonte: xStation, 03.07.2026
Apesar de uma correção significativa, o par continua numa tendência ascendente estável a longo prazo. A estrutura básica (um padrão de máximos e mínimos cada vez mais elevados numa base diária) ainda não foi definitivamente invalidada.
A zona dos 160,2 funciona atualmente como uma zona defensiva crítica, resultante da convergência de dois fatores técnicos significativos: a média móvel exponencial de 50 períodos (EMA 50 – 160,268) e o nível de retração de Fibonacci de 23,6% para a onda ascendente mais ampla.
O RSI saiu da zona de sobrecompra acentuada e estabilizou-se num nível quase totalmente neutro (50,2). Isto cria espaço para a geração de um novo impulso direcional.
O domínio a curto prazo do lado da venda é confirmado pelo MACD. O cruzamento da linha de sinal a partir de cima e o histograma negativo crescente refletem um impulso descendente, o que impõe cautela ao assumir prematuramente que a correção terminou definitivamente.
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