O USDJPY está a ser negociado ligeiramente em baixa esta manhã, a 162,70 (-0,15 %), depois de ter atingido novos máximos de vários anos em torno dos 163, enquanto o mercado aguarda o importante relatório sobre o emprego nos EUA.
Contexto dos dados de hoje sobre o NFP
O relatório de hoje sobre o emprego de junho é o principal catalisador do dia — o consenso aponta para um abrandamento acentuado para cerca de 110 000 postos de trabalho, na sequência de um resultado surpreendentemente forte em maio, de 172 000, com a taxa de desemprego a manter-se estável nos 4,3% e o crescimento salarial a acelerar para 3,5% em termos homólogos. O mercado procura avaliar se o aumento registado em maio representou uma recuperação genuína do mercado de trabalho ou se foi apenas um efeito pontual (incluindo o Campeonato do Mundo de Futebol nos EUA). O crescimento do emprego este ano tem-se situado, em média, acima dos 80 000, o que corrobora o cenário de um mercado de trabalho resiliente. A CBA alerta que outra surpresa positiva poderá empurrar o USD/JPY para os 165 e pôr à prova a determinação das autoridades japonesas em defender o iene, enquanto um resultado fraco (abaixo dos 70 000–90 000) aliviaria a pressão sobre a Reserva Federal para se manter hawkish e poderia desencadear uma correção em baixa no par.
Análise Técnica
O preço ultrapassou os níveis-chave de resistência em 159,52 e 160,52 JPY, situando-se claramente acima da MME de 50 dias (160,29), da MME de 100 dias (159,21) e da MME de 200 dias (157,31), confirmando uma forte tendência de alta. No entanto, o RSI entre 71,8 e 76,2 aponta para condições de sobrecompra no gráfico diário, o que, historicamente, tem precedido consolidações ou correções de curto prazo, especialmente perto de máximos de vários anos. A tendência mantém-se claramente de alta para o dólar (de baixa para o iene), e o intervalo entre 162 e 163 representa também uma zona de risco acrescido de intervenção cambial por parte das autoridades japonesas. Fonte: xStation
Uma breve análise dos dados do Japão
O Banco do Japão elevou a sua taxa de juro de referência para 1,0% em junho — o nível mais elevado em 31 anos —, mas o mercado não espera outro aumento até ao período de outubro a dezembro de 2026, apesar de cerca de 90% dos economistas anteciparem mais um aumento até dezembro. Este ritmo lento de normalização da política monetária por parte do Banco do Japão, aliado à postura restritiva da Reserva Federal, constitui a principal razão estrutural pela qual o diferencial de taxas de juro entre os EUA e o Japão permanece amplo e está a sustentar a tendência descendente de longo prazo do iene — as intervenções verbais por parte das autoridades japonesas não conseguiram, até ao momento, reverter esta tendência de forma permanente.
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