10:40 · 22 de julho de 2026

Nasdaq 100 tenta subir com IA e Semicondutores antes dos resultados da Google e Tesla

A terça-feira foi o dia mais bem-sucedido de julho para o índice Nasdaq 100 dos EUA, apesar da escalada contínua do conflito entre os EUA e o Irão.

Será que a IA está a voltar a ganhar popularidade?

O índice registou uma valorização de 1,9%, apoiado por uma melhoria no sentimento em relação às empresas do ecossistema mais alargado da IA. Encontra-se agora a menos de 5% abaixo do máximo histórico atingido em junho.

Figura 1: Impacto dos setores no desempenho do Nasdaq 100 (21.07.2026)

Fonte: XTB Research, 22.07.2026

 

Entre os maiores vencedores de terça-feira destacaram-se empresas dos setores dos semicondutores, DRAM e «neo-cloud». O Índice de Semicondutores de Filadélfia (SOX) subiu aproximadamente 5% ontem. A Nebius, a Sandisk, a Micron, a Teradyne e a Seagate registaram ganhos superiores a 10%.

Figura 2: Vencedores e perdedores do dia no Nasdaq 100 (21.07.2026)

Fonte: XTB Research, 22.07.2026

O apoio veio, entre outros fatores, de um relatório muito otimista dos analistas do Bank of America, que adicionaram a Micron à sua «Lista US 1», uma carteira de ações na qual têm a maior convicção de investimento.

Nos últimos dias, tem-se falado muito também sobre a crescente popularidade dos modelos chineses de IA de código aberto, que estão a impulsionar a procura por memória de alta velocidade. Mesmo os modelos com acesso à API muito barato requerem quantidades massivas de memória HBM e DRAM.

Os preços do petróleo continuam a subir

Tudo isto está a acontecer num contexto de escalada contínua do conflito entre os EUA e o Irão. Assistimos à 11.ª noite consecutiva de bombardeamentos. Embora os mediadores (Catar, Egito e Paquistão) devessem apresentar ontem uma proposta de cessar-fogo de 10 dias a ambas as partes, os preços do petróleo bruto e do GNL continuaram a subir. Um barril de Brent custa agora mais de 94 dólares, o que representa um aumento superior a 10% em relação à semana passada.

A hora das gigantes

Estamos, sem dúvida, perante o dia mais intenso desta semana no que diz respeito à divulgação dos resultados das maiores empresas norte-americanas. A atenção do mercado centrar-se-á, naturalmente, nas gigantes – Tesla, Google, AT&T e IBM. O seu desempenho poderá influenciar significativamente os índices de que fazem parte (incluindo o Nasdaq 100) e o sentimento geral do mercado.

A Tesla acaba de registar um trimestre com resultados recorde em termos de entregas. A questão que os investidores se colocam é: em que medida as margens foram afetadas? O mercado quer saber se eventuais reduções de preços e custos para estimular a procura afetaram significativamente a rentabilidade do negócio.

Igualmente importantes (se não mais) serão quaisquer comentários de Elon Musk sobre o futuro da empresa (por exemplo, os progressos no modelo de baixo custo da Tesla ou o desenvolvimento de veículos autónomos).

No caso da Google, a atenção centrar-se-á em saber se os gastos astronómicos em inteligência artificial já estão a começar a dar frutos. No primeiro trimestre, a carteira de encomendas para serviços na nuvem cresceu para 460 mil milhões de dólares. Os investidores querem a confirmação de que isto não foi um fenómeno pontual, mas sim uma tendência duradoura impulsionada pela implementação de soluções relacionadas com a IA.

Isto é particularmente importante, uma vez que a empresa elevou recentemente a sua previsão de CAPEX para este ano para o intervalo de 180 a 190 mil milhões de dólares. Wall Street estará atenta ao crescimento das receitas resultante destes investimentos mais elevados.

Análise técnica

Figura 1: US100 [D1] (19.01.2026 - 22.07.2026)

Fonte: xStation, 22.07.2026

Atualmente, o mercado encontra-se numa fase de correção, após uma recuperação muito dinâmica que se prolongou desde o final de março até ao início de junho. O índice oscila em torno dos 29 100 pontos, testando níveis de suporte-chave, nomeadamente a média móvel de 50 dias (EMA 50) e a retração de Fibonacci de 23,6%.

O indicador RSI (14) sugere uma ligeira vantagem para o lado vendedor, situando-se atualmente ligeiramente abaixo do nível neutro de 50 (em 45,7). O MACD também se encontra na zona de baixa, embora seja importante referir que as barras estão a começar a achatar-se lentamente.

Manter os níveis atuais em torno da média móvel de 50 dias será fundamental para um rápido regresso à tendência de alta. Se os vendedores empurrarem o preço para níveis mais baixos de forma permanente, o próximo nível de suporte natural será a média móvel de 100 períodos (em torno dos 28 300 pontos).

Vítor Madeira

Analista XTB

Vítor Madeira é economista e responsável pela área de Research na XTB Portugal, com uma forte paixão pelos mercados financeiros. Dedica-se à produção de análises aprofundadas, focadas na identificação de tendências e oportunidades de investimento nas várias classes de ativos.

Com vasta experiência em trading e especialização em análise técnica e fundamental, destaca-se pela capacidade de transformar informação complexa em insights claros, acessíveis e práticos para os investidores, tendo como principal foco o trading de ações.

Concluiu recentemente com sucesso o Nível I do CFA e encontra-se atualmente a preparar o Nível II. O seu trabalho contribui para decisões de investimento mais informadas, reforçando a missão da XTB de promover conhecimento financeiro rigoroso e confiável.

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