O fracasso das negociações de paz e o regresso de Moscovo a uma estratégia de escalada direta constituem um sinal claro de que a diplomacia anterior chegou a um beco sem saída. As notícias de que a Rússia está a preparar ataques maciços com mísseis balísticos contra Kiev, incluindo contra o centro da cidade e infraestruturas críticas, mostram que o Kremlin está a utilizar fugas de informação como elemento de pressão nas negociações, na sequência da visita do diretor da CIA. É improvável que a pressão das sanções ou os ataques ucranianos a refinarias russas obriguem Putin a fazer concessões: para o regime, a falta de sucesso militar torna o compromisso uma ameaça existencial.
A reação dos mercados financeiros após as 18h00, quando surgiram informações sobre a falta de vontade de Putin para negociar, foi bastante clara nos índices e no mercado cambial. Vale a pena notar, no entanto, que quando surgiram anteriormente vários tipos de informação, principalmente relativas à visita do chefe da CIA a Moscovo, alguns mercados reagiram com calma.
Como estão a reagir os mercados? Índices, matérias-primas e moedas
O pico nos preços do petróleo, devido à falta de perspetivas para a reabertura do Estreito de Ormuz, confunde um pouco o panorama do mercado no que diz respeito ao que está a acontecer no Oriente. As preocupações com o aumento da inflação desencadearam uma onda de vendas de obrigações do Tesouro dos EUA (um aumento dos seus rendimentos), o que elevou o custo do dinheiro e afetou as valorizações dos ativos de risco e do ouro. Hoje ficámos a saber que a inflação PCE se manteve num nível elevado e, além disso, a publicação da inflação «ajustada» de Dallas aponta para um valor superior a 2%, o que reaviva as preocupações quanto a potenciais subidas das taxas de juro. No entanto, como se relaciona a reação do mercado com a situação relacionada com a Rússia?
Índices
Os ativos polacos podem servir como um barómetro eficaz da situação geopolítica no Oriente relacionada com as ações de Putin.
- Reação tardia do WIG20: O aumento de +0,78% do WIG20 deve-se exclusivamente ao facto de a sessão à vista em Varsóvia ter encerrado às 17h05, ou seja, antes da publicação de relatórios-chave da Bloomberg por volta das 18h00. A abertura da próxima sessão acarreta o risco direto de um gap de ajustamento em baixa. Um melhor barómetro poderá ser o par USDPLN, embora a reação nesse mercado também esteja relacionada com o fortalecimento do próprio dólar.
- Recuo em Wall Street e na Europa: Os contratos sobre o DE40 e o US500 registaram uma clara descida no final da tarde e no início da noite. O sentimento geral nas bolsas de valores deteriorou-se (S&P 500 -0,17%, DAX -0,09%, Dow Jones -0,32%), refletindo o crescente prémio de risco geopolítico.
Os índices na Europa registaram uma queda na sequência das notícias sobre Putin. Fonte: XTB

O USDPLN subiu após a divulgação dos dados da inflação nos EUA e na sequência das notícias da Bloomberg sobre Putin. Fonte: xStation5
Ouro
- Pressão decorrente do aumento das taxas de rendimento: Embora o ouro funcione como um porto seguro, a onda de vendas de obrigações dos EUA e o fortalecimento do dólar aumentam o custo de oportunidade de deter o metal precioso. Isto impede, na prática, uma subida imediata dos preços em resposta às notícias sobre a guerra.
Depois de romper o canal descendente de longo prazo e sair da zona dos 4 000 USD, o metal encontrou resistência na região dos 4 600 USD. A correção atual é o resultado da realização de lucros e do impacto direto do aumento das taxas de rendimento da dívida e dos preços do petróleo.
O ouro regista uma descida, principalmente devido ao aumento das probabilidades de um aumento das taxas de juro nos EUA, na sequência dos recentes dados económicos do país que revelaram alguns sinais de inflação. Fonte: xStation5
Ruído geopolítico vs. dados concretos: o que está realmente a acontecer no mercado do petróleo?
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