O mercado petrolífero tem estado totalmente exposto às questões geopolíticas, em que o risco de interrupção física da oferta se sobrepõe aos fundamentos tradicionais (como a equação entre a oferta e a procura e os níveis inventários, por exemplo). As fortes subidas registadas tanto no Brent e o WTI estão a ser impulsionadas sobretudo pela probabilidade de uma disrupção prolongada no Golfo e, em particular, a funcionalidade do Estreito de Ormuz.
Procura muito baixa face à oferta, mas os preços continuam a subir
No entanto, a situação atual em nada se pode comparar com o período de 2022 com o início da invasão da Rússia à Ucrânia. Na altura havia uma procura muito superior à oferta, algo que nos dias de hoje não se verifica. A procura tem estado muito baixa em relação à oferta e o aumento consistente dos preços deverá intensificar ainda mais esse gap.
Para dar um pouco de contexto, neste momento estão cerca de 130 milhões de barris de petróleo “parados no mar”, o que é um pouco mais do que o consumo mundial de um dia.
Visão geral do mercado do Petróleo
O Brent continua a ser o benchmark mais sensível ao choque no Médio Oriente, mas o comportamento do WTI confirma que os riscos atuais são globais, e não regionais.
Economias mais afetadas pelo aumento dos preços
Europa
A UE deixou claro que vê a situação como ameaça directa à liberdade de navegação, cadeias de abastecimento e estabilidade dos mercados globais de energia, com referência explícita ao Estreito de Ormuz.
Em paralelo, Bruxelas mantém a pressão sobre a energia russa, incluindo o novo price cap do crude russo em USD 47,6/bbl, o que reduz ainda mais a margem para absorver choques sem impacto em preços e inflação.
A indústria europeia está muito exposta à situação atual, onde os indicadores têm demonstrado sinais de recuperação do setor mas a um ritmo muito lento e o atual cenário de aumentos dos preços da energia deverá ter consequências severas para o setor, se esta situação se prolongar durante muito tempo e se não forem alcançadas soluções.
Ásia
A Ásia é o maior consumidor de petróleo e gás que passa pelo Estreito de Ormuz, com a China, Índia, Japão e Coreia do Sul representando, juntos, 69% de todo o petróleo que passa por essa rota. O Japão e a Coreia do Sul são os mais vulneráveis a possíveis interrupções no abastecimento, com cada país dependendo de Ormuz para 60-75% de suas importações de petróleo, enquanto a China tem reservas estratégicas maiores e fontes alternativas de abastecimento.
Posição de Donald Trump
Trump tem comentado a evolução da operação “Epic Fury”, dando a entender várias vezes que o impacto do preço da energia deverá ser limitado a curto prazo e a longo prazo deverá ser diluído por outros fatores ao mesmo tempo que também tem insistido que a operação conjunta com Israel era extremamente necessária para a paz global.
Através das redes sociais, no Truth Social o presidente americano tem dito também que os preços do petróleo no curto prazo são “a very small price to pay” para o “safety and peace”, sinalizando que aceita crude mais alto se isso servir objectivos estratégicos. A Reuters também reportou que os EUA recusaram, para já, recorrer à Strategic Petroleum Reserve, afirmando: “if they rise, they rise”.
Conclusão
Dito isto, enquanto o mercado não tiver evidência de normalização operacional no Golfo, a volatilidade nos mercados deverá manter-se elevada e o prémio geopolítico no petróleo deverá manter-se visível. Por outro lado, não devemos afastar um cenário de fortes quedas nos preços da energia e a uma recuperação generalizada dos índices bolsistas, assim que surgirem sinais de que pode haver uma diminuição da escalada do conflito.
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