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11:12 · 9 de março de 2026

Preços do petróleo em alta: quais os riscos para a economia mundial?

Grant Durr / Unsplash
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O mercado petrolífero tem estado totalmente exposto às questões geopolíticas, em que o risco de interrupção física da oferta se sobrepõe aos fundamentos tradicionais (como a equação entre a oferta e a procura e os níveis inventários, por exemplo). As fortes subidas registadas tanto no Brent e o WTI estão a ser impulsionadas sobretudo pela probabilidade de uma disrupção prolongada no Golfo e, em particular, a funcionalidade do Estreito de Ormuz.

Procura muito baixa face à oferta, mas os preços continuam a subir

No entanto, a situação atual em nada se pode comparar com o período de 2022 com o início da invasão da Rússia à Ucrânia. Na altura havia uma procura muito superior à oferta, algo que nos dias de hoje não se verifica. A procura tem estado muito baixa em relação à oferta e o aumento consistente dos preços deverá intensificar ainda mais esse gap.

Para dar um pouco de contexto, neste momento estão cerca de 130 milhões de barris de petróleo “parados no mar”, o que é um pouco mais do que o consumo mundial de um dia.

Preço do petróleo face ao número de transporte marítimo de petróleo parado no mar
Bloomberg Finance LP

Visão geral do mercado do Petróleo

Visão geral do mercado do Petróleo
XTB

O Brent continua a ser o benchmark mais sensível ao choque no Médio Oriente, mas o comportamento do WTI confirma que os riscos atuais são globais, e não regionais.

Economias mais afetadas pelo aumento dos preços

Europa

A UE deixou claro que vê a situação como ameaça directa à liberdade de navegação, cadeias de abastecimento e estabilidade dos mercados globais de energia, com referência explícita ao Estreito de Ormuz.

Em paralelo, Bruxelas mantém a pressão sobre a energia russa, incluindo o novo price cap do crude russo em USD 47,6/bbl, o que reduz ainda mais a margem para absorver choques sem impacto em preços e inflação.

A indústria europeia está muito exposta à situação atual, onde os indicadores têm demonstrado sinais de recuperação do setor mas a um ritmo muito lento e o atual cenário de aumentos dos preços da energia deverá ter consequências severas para o setor, se esta situação se prolongar durante muito tempo e se não forem alcançadas soluções.

Bloomberg Finance L.P.
Os níveis de reservas na Europa caíram para 30%. Este é um dos valores mais baixos dos últimos cinco anos.  Atualmente, a maior parte do gás da Europa provém da Noruega, mas mais de 50% do GNL provém dos EUA. A importância do Qatar já é limitada.
 

Ásia

A Ásia é o maior consumidor de petróleo e gás que passa pelo Estreito de Ormuz, com a China, Índia, Japão e Coreia do Sul representando, juntos, 69% de todo o petróleo que passa por essa rota. O Japão e a Coreia do Sul são os mais vulneráveis a possíveis interrupções no abastecimento, com cada país dependendo de Ormuz para 60-75% de suas importações de petróleo, enquanto a China tem reservas estratégicas maiores e fontes alternativas de abastecimento.

Os maiores dependentes do estreito de Ormuz são todos originários da Ásia. Gráfico com valores de 2020 ao Q1 de 2025.
Bloomberg Financial Lp

Posição de Donald Trump

Trump tem comentado a evolução da operação “Epic Fury”, dando a entender várias vezes que o impacto do preço da energia deverá ser limitado a curto prazo e a longo prazo deverá ser diluído por outros fatores ao mesmo tempo que também tem insistido que a operação conjunta com Israel era extremamente necessária para a paz global.

Através das redes sociais, no Truth Social o presidente americano tem dito também que os preços do petróleo no curto prazo são “a very small price to pay” para o “safety and peace”, sinalizando que aceita crude mais alto se isso servir objectivos estratégicos. A Reuters também reportou que os EUA recusaram, para já, recorrer à Strategic Petroleum Reserve, afirmando: “if they rise, they rise”.

Conclusão

Dito isto, enquanto o mercado não tiver evidência de normalização operacional no Golfo, a volatilidade nos mercados deverá manter-se elevada e o prémio geopolítico no petróleo deverá manter-se visível. Por outro lado, não devemos afastar um cenário de fortes quedas nos preços da energia e a uma recuperação generalizada dos índices bolsistas, assim que surgirem sinais de que pode haver uma diminuição da escalada do conflito.

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