📈 Panorama do mercado e bolsas de valores
- Recuperação dos futuros: Na sequência de uma dolorosa onda de vendas no setor tecnológico durante as duas primeiras sessões desta semana, os futuros dos EUA e os principais índices estão a mostrar sinais de estabilização e a tentar formar um mínimo local. O US500 está a ser negociado perto do fecho de ontem, enquanto o US100 está a agravar as suas perdas, caindo 0,8% e a testar o nível dos 29 500 pontos.
- Os EUA superam o resto do mundo: O otimismo em Wall Street está a ser sustentado pelos comentários do Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que destacou a resiliência comprovada da economia americana. Enquanto regiões fortemente afetadas por conflitos geopolíticos registam um crescimento do PIB próximo de zero, o capital está a fugir em massa para ativos norte-americanos considerados portos seguros.
- J.P. Morgan eleva a fasquia: Impulsionando o sentimento do mercado, o J.P. Morgan elevou a sua meta para o S&P 500 no final de 2026 de 7 600 para 7 800 pontos, atribuindo a revisão em alta ao boom de investimento inabalável no setor da inteligência artificial.
🏢 Empresas e Ações
- Micron à espera dos resultados: Toda a atenção do setor tecnológico (incluindo gigantes como a Nvidia, a Microsoft e a Dell) está totalmente centrada no relatório financeiro da Micron Technology, que será publicado após o fecho do mercado. As ações da empresa registaram uma subida astronómica de 700% ao longo do último ano, levando os investidores a questionarem-se ansiosamente se estas perspetivas brilhantes já estão totalmente refletidas nos preços. Este relatório servirá como um teste decisivo para a sustentabilidade dos gastos globais em infraestruturas de IA, que se prevê que excedam 600 mil milhões de dólares em todo o setor.
- A inclusão histórica da Alphabet no Dow Jones: A gigante de Mountain View está a integrar-se oficialmente no índice de elite DJIA, substituindo a gigante das telecomunicações Verizon Communications, com a alteração a entrar em vigor na segunda-feira, 29 de junho de 2026. Isto marca a consagração simbólica de uma era dominada pela IA e pela computação em nuvem, desencadeando reequilíbrios massivos nas carteiras de ETF. As ações da Alphabet estão a valorizar 1% hoje, demonstrando um forte desempenho no meio da venda generalizada de títulos tecnológicos de hoje.
- Setor da Defesa em Profunda Retirada e Realização de Lucros: As ações do setor da defesa (incluindo a europeia Rheinmetall e os gigantes da defesa dos EUA) continuam a cair. Os investidores estão a liquidar capital em massa devido à ausência de novos fatores de escalada e à crescente especulação sobre uma reabertura diplomática do estratégico Estreito de Ormuz. Consequentemente, a Rheinmetall está a perder 18% hoje, tendo perdido quase um quarto do seu valor desde o início deste ano.
🛢️ Matérias-primas energéticas
- Queda do preço do petróleo e eliminação do prémio de guerra: O preço do petróleo bruto WTI desceu abaixo do limiar psicológico dos 70 dólares por barril, recuando até aos níveis observados durante a primeira sessão de negociação após o início da guerra no Médio Oriente. Os Estados Unidos indicaram que não estão a ser cobradas taxas de trânsito no Estreito de Ormuz, e que o regresso à normalidade deverá ser alcançado dentro de algumas semanas, assim que as operações de remoção de minas estiverem concluídas. Além disso, o Secretário da Energia observou que os EUA podem garantir a passagem segura pelo estreito, mesmo sem um acordo com o Irão.
- A armadilha nos dados oficiais de inventário da EIA: O relatório semanal de hoje do Departamento de Energia apresentou um resultado aparentemente excelente para os otimistas do mercado, mas os seus detalhes técnicos subjacentes aceleraram a onda de vendas da matéria-prima. Os stocks de petróleo bruto registaram uma redução de -6,088 milhões de barris (mais acentuada do que a queda prevista de -4,461 milhões). Em contrapartida, os stocks de gasolina apresentaram um aumento inesperado de +2,064 milhões de barris (contra uma redução esperada de -0,578 milhões), enquanto os stocks de destilados registaram um aumento de +3,064 milhões de barris (contra uma redução esperada de -0,505 milhões).
- Situação das operações das refinarias dos EUA e das reservas estratégicas: As refinarias dos EUA estão atualmente a operar a plena capacidade, o que explica diretamente a queda massiva nos stocks de petróleo bruto; no entanto, os stocks de combustíveis acabados aumentaram inesperadamente, interrompendo a tendência descendente agressiva das últimas semanas. Simultaneamente, a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA (SPR) encolheu para os seus níveis mais baixos desde a década de 1980.
🪙 Metais Preciosos
- Queda dos metais preciosos e mínimos de 2026: Tanto o ouro como a prata estão a registar os seus níveis mais baixos de 2026. Os preços do ouro romperam o suporte-chave, capitulando abaixo do nível dos 4 000 dólares e perdendo quase 30 % em relação aos máximos históricos de janeiro (quando atingiram os 5 600 dólares). Esta liquidação é impulsionada pela nova doutrina do presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh — apesar do petróleo mais barato, Warsh aponta para uma inflação subjacente persistente (com o índice PCE projetado em 3,6%) e não tem qualquer intenção de flexibilizar a política monetária. Como resultado, o mercado está a descontar seriamente o risco de um aumento das taxas de juro em setembro de 2026, deixando o próximo suporte técnico em 3 570 dólares.
- A prata cai abaixo dos 60 dólares: A prata está a atravessar o seu pior período dos últimos 5 anos, testando os seus níveis mais baixos desde dezembro do ano passado. A par de um dólar em alta (com o índice do USD a situar-se em máximos de 13 meses), a valorização do metal é fortemente prejudicada pela fraqueza industrial na China e pela diminuição da procura de painéis solares.
- Forte recuperação da relação ouro/prata e projeções de preços: A relação ouro/prata está a recuperar fortemente em direção à faixa de 70–80. Se os preços do ouro se consolidarem em torno dos 4 000 dólares, isso implica uma queda matemática da prata para a região dos 50–57,15 dólares, enquanto um cenário mais pessimista poderá levar o metal a descer até aos 45–46 dólares.
🌾 Mercados agrícolas
- Ameaça do «Super El Niño» e anomalias meteorológicas extremas: Os dados meteorológicos mais recentes apontam para uma probabilidade de 60–67% de que se desenvolva um fenómeno destrutivo denominado «Super El Niño» na viragem 2026/2027. Esta anomalia poderá classificar-se como uma das mais fortes flutuações térmicas registadas desde 1950.
- Pressão sobre a oferta de matérias-primas agrícolas: A anomalia iminente ameaça diretamente as culturas de matérias-primas agrícolas na África Ocidental (cacau) e no Sudeste Asiático (café Robusta). Os preços do cacau mantêm-se em níveis extremamente elevados devido a um equilíbrio entre a oferta e a procura extremamente restrito. O cacau está a registar mais uma sessão forte hoje, com uma subida de 7% e a testar a proximidade imediata da marca dos 5 000 dólares por tonelada.
- Destruição da procura e beneficiários do mercado relacionados com as condições meteorológicas: Os analistas alertam para uma assimetria comercial, salientando que estes preços extremos já começaram a sufocar a procura (destruição da procura), um fator que os investidores devem ter em conta ao posicionarem-se no mercado das matérias-primas. Por outro lado, os principais beneficiários relacionados com as condições meteorológicas poderão ser a soja e o gás natural dos EUA, cuja produção costuma aumentar durante um fenómeno de El Niño, criando um claro potencial de descida dos seus preços.
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Palantir continuará em queda? Michael Burry dá a sua opinião.
Resumo do dia: Tempo de correção (23.05.2026)
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