13:34 · 29 de junho de 2026

Trump anuncia uma reunião com o Irão amanhã, em Doha 🚢

O tráfego marítimo comercial através do Estreito de Ormuz abrandou drasticamente durante o fim de semana. No domingo, registaram-se apenas 22 travessias — o número mais baixo desde a assinatura do acordo preliminar entre os EUA e o Irão no início deste mês. A causa imediata são dois ataques recentes a navios, que provocaram pânico entre as tripulações, os armadores e as seguradoras marítimas.

Esta desaceleração ocorre num contexto de rápida escalada militar e de relações diplomáticas tensas. Na passada sexta-feira, o Pentágono anunciou ataques contra vários alvos no Irão, descrevendo-os como uma resposta ao assédio contínuo de Teerão às rotas de navegação comercial. As forças iranianas retaliaram algumas horas mais tarde, atacando diretamente o Bahrein e o Kuwait na madrugada de domingo.

Diplomacia — Um regresso cauteloso à mesa de negociações

Apesar da escalada das tensões, o presidente Donald Trump anunciou na tarde de segunda-feira no Truth Social que o Irão tinha «solicitado uma reunião» e que as conversações de alto nível teriam lugar na terça-feira, em Doha. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner participariam na reunião e que, paralelamente, seriam realizadas conversações técnicas à margem das negociações.

«O Irão deve assinar um bom acordo com os Estados Unidos», afirmou Leavitt, acrescentando que Trump «se reserva o direito de recorrer à força militar, se necessário», ao mesmo tempo que salientou que o presidente «deseja que o processo de paz avance».

A reação de Teerão foi — como de costume — ambígua. Mesmo antes do anúncio de Trump, um alto responsável iraniano negou que estivessem previstas conversações técnicas para esta semana. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, advertiu no domingo que qualquer interferência externa na gestão do Estreito de Ormuz «apenas conduzirá a situações mais complicadas e a atrasos na sua reabertura». Algumas horas mais tarde, ambas as partes terão chegado a acordo sobre um cessar-fogo mútuo — uma trégua frágil que os mercados observam com grande apreensão.

Gráfico do petróleo: um regresso aos níveis pré-guerra

gráfico do petróleo

 

O petróleo Brent (OIL) registou uma queda acentuada em relação aos máximos atingidos durante o auge da escalada do conflito — os preços situam-se agora na faixa de 72,98–73,06 dólares, eliminando praticamente o prémio de risco geopolítico que se tinha acumulado desde o início do conflito, em 2026. Principais observações do gráfico:

  • MMA de 50 dias (~89 dólares), MMA de 100 dias (~88,60 dólares) e MMA de 200 dias (~82,91 dólares) — todas as três médias móveis situam-se claramente acima do preço atual, confirmando a tendência descendente prevalecente
  • O preço rompeu de forma decisiva por baixo das três médias móveis principais; a MMA de 200 dias funciona agora como resistência, em vez de suporte
  • As Bandas de Bollinger (verdes) mostram que o preço está a roçar a banda inferior (~67,54 $), sugerindo que o mercado se encontra em sobrevenda no curto prazo
  • O RSI (14) caiu para 28,8 — em território de sobrevenda acentuada — sinalizando que a onda de vendas pode estar a chegar ao fim, mas ainda não surgiu qualquer confirmação de uma inversão de tendência

O mercado está, essencialmente, a precificar um cenário de acalmia: se as negociações em Doha forem bem-sucedidas e o Estreito for totalmente reaberto, o prémio geopolítico desaparecerá. Se as negociações fracassarem, os operadores terão de restabelecer imediatamente o prémio de interrupção do abastecimento na curva de preços.

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times.

É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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