O milho ocupa uma posição pouco comum entre as matérias-primas agrícolas: é simultaneamente alimento e combustível, o que faz do seu preço um ponto de encontro entre o mercado alimentar e o mercado energético.
Nesta secção, explicamos o que é o milho enquanto commodity, como funciona o trading de milho através de CFDs e por que motivo o seu preço está tão ligado ao setor energético.
Na XTB, pode negociar CFDs sobre futuros de milho, especulando sobre a evolução do preço sem necessidade de coojamprar, armazenar ou receber fisicamente o cereal.
O que é o milho enquanto commodity?
Nos Estados Unidos, o maior produtor e exportador mundial, mais de um terço da produção anual de milho é destinada à produção de etanol, muito acima do que acontece com qualquer outro cereal importante. O restante divide-se entre alimentação animal, exportação e consumo humano.
A produção concentra-se numa faixa conhecida como "Corn Belt", que atravessa estados como Iowa, Illinois e Nebraska. Como o milho e a soja competem frequentemente pela mesma terra arável nos EUA, a decisão dos agricultores sobre qual cultura plantar em cada campanha (conhecida como "acreage battle") é, por si só, um fator observado por analistas antes mesmo da época de sementeira começar.
A referência de preço global é a Chicago Board of Trade (CBOT).
Como funciona o trading de milho?
O trading de milho via CFD permite especular sobre o preço dos futuros CBOT sem necessidade de entrega física, através de posições longas ou curtas, com alavancagem.
Uma característica que distingue este mercado é a sua exposição dupla: o preço do milho pode subir tanto por motivos agrícolas tradicionais (má colheita, seca) como por motivos puramente energéticos (subida do petróleo, que torna o etanol mais atrativo como aditivo aos combustíveis). Um trader de milho beneficia, por isso, de acompanhar simultaneamente relatórios agrícolas e dados do mercado petrolífero.
Tal como nos restantes CFDs sobre commodities agrícolas, a alavancagem pode amplificar ganhos e perdas, sendo essencial gerir o risco de forma disciplinada.
O que move o preço do milho?
O preço do milho tende a responder a uma combinação pouco comum de fatores agrícolas e energéticos:
- Mandatos de biocombustíveis nos EUA: alterações na política de incorporação de etanol na gasolina (Renewable Fuel Standard) podem alterar substancialmente a procura por milho de forma quase imediata.
- Preço do petróleo: quando o petróleo sobe, o etanol torna-se mais competitivo como aditivo, aumentando a procura industrial por milho.
- Condições na Corn Belt durante julho e agosto: este é o período crítico de polinização, em que ondas de calor ou stress hídrico têm o maior impacto potencial na produtividade final da colheita.
- "Acreage battle" com a soja: a decisão dos agricultores sobre quantos acres dedicar a milho versus soja no início de cada campanha antecipa parte da oferta antes mesmo da plantação.
- Exportações para a Ásia e México: enquanto grandes compradores de milho para ração animal, alterações na sua procura têm impacto direto nos fluxos de exportação dos EUA.
Como interpretar o gráfico do milho?
O calendário do milho é mais previsível do que o de outras matérias-primas, como a soja: sementeira entre abril e maio, período crítico de polinização em julho, e colheita entre setembro e novembro, o que faz do início do verão uma altura de particular atenção, já que é quando o mercado está mais sensível a qualquer anomalia climática na Corn Belt.
Um indicador particular a acompanhar é o spread entre os preços do milho e da soja: como competem pela mesma área de cultivo, uma variação acentuada neste diferencial pode antecipar mudanças na área que os agricultores decidem semear na campanha seguinte.
Do ponto de vista fundamental, os relatórios do USDA continuam a ser a referência central, mas para o milho é particularmente relevante cruzar esses dados com relatórios semanais de produção de etanol da Energy Information Administration (EIA) dos EUA.