A Oracle é a menor das empresas cotadas em bolsa que são habitualmente classificadas como «hiperescaladoras». Apesar de a Oracle ser a menor empresa do segmento, a administração não tem, claramente, qualquer intenção de aceitar investimentos mais modestos em «IA», o que se reflete na sua valorização.
Gráfico das ações da ORACLE (D1)
Desde o início do ano, no ponto mais baixo da correção, a queda atingiu cerca de 54%. Após a recuperação que teve início em julho (cerca de 40%), a cotação ainda se situa cerca de 36% abaixo do pico. Fonte: xStation5
Os resultados do segundo trimestre, embora tenham sido uma surpresa positiva em termos de receitas e lucros, desencadearam uma nova onda de vendas devido à expansão adicional das despesas de investimento e da dívida. Será que os resultados anteriores e a reação do mercado nos ajudam a preparar-nos melhor para a próxima teleconferência sobre resultados?
Consenso
O consenso dos analistas, no contexto do setor em geral e da situação da empresa, pode ser resumido da seguinte forma: «Está mau, mas pode sempre piorar.» Isto é importante porque a situação financeira da empresa é atualmente questionável, apesar do crescimento fenomenal das receitas.
A mediana das previsões disponíveis indica:
- Receitas previstas de cerca de 19,05 mil milhões de dólares: uma ligeira descida em relação ao trimestre anterior, mas ainda assim um aumento de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior.
- Lucro por ação (EPS) não GAAP de cerca de 1,75 dólares: mais uma vez, uma queda em relação ao trimestre anterior, mas um aumento de cerca de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Isto significa que o consenso dos analistas e do mercado parece estar, em grande medida, alinhado com as orientações da administração. No entanto, para empresas de IA e de hiperescala, os dados financeiros secos e superficiais têm, muitas vezes, pouco valor. Para a Oracle, os pontos-chave serão: receitas da nuvem, contas a receber, orientações, dívida e CAPEX.
- As receitas da nuvem (para a Oracle, isto corresponde a IaaS mais SaaS) precisam de atingir um crescimento anual de, pelo menos, cerca de 60% para, pelo menos parcialmente, acalmar as preocupações dos investidores e justificar os investimentos avultados.
- A carteira de encomendas deverá situar-se na faixa dos 630 a 650 mil milhões de dólares. Estes valores já estão descontados no preço das ações. Muito mais importantes serão as informações sobre os prazos de entrega, a duração dos contratos e a capacidade de pagamento dos clientes.
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O que procurar?
Uma questão decisiva para a próxima teleconferência sobre resultados poderá ser o estado da infraestrutura contratada e/ou a situação da dívida.
- Em Abilene, no Texas, a Oracle está envolvida na construção de um centro de dados com um consumo de energia de cerca de 1,2 gigawatts. Este é um dos investimentos mais importantes da empresa, e quaisquer novas atualizações, positivas ou negativas, poderão afetar o sentimento dos acionistas.
- Além disso, a Oracle já opera vários centros de dados mais pequenos ou mais antigos que, para que as previsões da empresa e as expectativas em relação à IA sejam cumpridas, deverão apresentar um aumento significativo na rentabilidade e nas taxas de utilização. Se for esse o caso, a administração provavelmente irá referi-lo na apresentação dos resultados. Caso contrário, isso poderá sugerir que a ocupação da infraestrutura não é tão forte quanto o mercado espera.
- O «elefante na sala» continua a ser a dívida. A Oracle é uma das poucas empresas do setor tecnológico que conseguiu contrair dívida a um nível que poderia ameaçar a solvência caso os investimentos em IA venham a revelar-se um fracasso. Isto não é uma hipótese, mas sim um sinal claro do mercado de CDS. Neste contexto, o mercado estará sensível a novos aumentos «acima do previsto» nas despesas de investimento, ao aumento dos custos de juros da dívida e à qualidade do financiamento atualmente garantido.
- O mercado de opções, à medida que se aproxima a sessão que antecede a divulgação dos resultados, aponta para uma volatilidade pós-divulgação de cerca de 10%, o que significa que tanto uma desilusão como uma surpresa positiva levarão provavelmente a uma variação significativa na valorização das ações.
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