16:26 · 29 de junho de 2026

Apple Pressiona Trump por Chips de Memória da Lista Negra Chinesa

A Apple (AAPL.US) viu-se no centro de um grave conflito geopolítico e regulatório — a empresa está a exercer pressão ativamente junto da administração Trump para obter autorização para adquirir chips de memória à ChangXin Memory Technologies (CXMT), um fabricante chinês que consta da lista 1260H do Pentágono como uma entidade incluída na chamada «lista negra».

Porque razão a Apple está a recorrer à CXMT?

As pressões de custos são reais e já se fazem sentir nas tabelas de preços. A Apple aumentou os preços dos iPads e dos MacBooks, afirmando abertamente que já não consegue proteger os clientes dos aumentos acentuados nos custos de memória e armazenamento, impulsionados pela construção de centros de dados para IA. Os esforços de pressão junto do Departamento do Comércio têm vindo a decorrer há mais de um mês, e a Apple alargou a sua campanha a outras agências e aliados em Washington. Tecnicamente, a Apple não está proibida de adquirir chips da CXMT — mas a presença da empresa na lista 1260H cria uma barreira política e de reputação significativa.

Plenário do Senado: o aviso de Cotton

O senador Tom Cotton não deixou margem para dúvidas — a utilização pela empresa de produtos deste fornecedor chinês seria um «erro fatal», tanto para o valor a longo prazo para os acionistas como para a privacidade dos clientes e a segurança dos EUA. Isto não é apenas retórica: a CXMT foi designada como empresa militar chinesa pela administração Biden e, posteriormente, aprovada por um comité interagências para inclusão na Lista de Entidades do Departamento do Comércio. As licenças para comprar a entidades incluídas nesta lista são, por norma, negadas.

Riscos reais para a Apple

O caso destaca um problema estrutural que afeta todo o setor das grandes empresas tecnológicas:

  • Os custos da memória estão a aumentar devido ao boom da IA nos centros de dados — a Apple não é a única afetada, mas, enquanto fabricante de eletrónica de consumo para o mercado de massas, é particularmente vulnerável
  • Concentração na cadeia de abastecimento — O mercado de DRAM, dominado por Taiwan e pela Coreia do Sul (Samsung, SK Hynix), não oferece grande margem de negociação
  • Riscos legislativos e regulamentares — qualquer aprovação por parte da Casa Branca teria um custo político elevado e poderia desencadear uma resposta bipartidária do Congresso
  • Reputação nos EUA — Um dos ativos mais valiosos da Apple é a confiança dos consumidores, especialmente no segmento premium

Avaliação no contexto histórico — O que dizem os números?

O EV/EBITDA (NTM) situa-se atualmente em 23,6x, o que coloca a empresa ligeiramente acima da mediana de 3 anos de 23,2x. O intervalo de desvios-padrão mostra que os múltiplos atuais situam-se exatamente no limite superior da norma histórica — +1 desvio-padrão corresponde a 24,9x — pelo que a empresa não é extremamente cara, mas também não é barata. Em comparação, durante a crise da COVID-19 na viragem de 2023 para 2024, a Apple era regularmente negociada abaixo da mediana, mais próxima do nível de -1 desvio-padrão (~21,2x).

 

 

Do ponto de vista técnico, a situação é igualmente ambígua:

  • O preço (~281 dólares) está abaixo da EMA50 (289 dólares) e está atualmente a testar a EMA100 (280 dólares) como suporte
  • A EMA200, em cerca de 268 dólares, mantém-se bem abaixo desse nível, indicando uma tendência ascendente de longo prazo que se mantém
  • RSI(14) = 40,2 — a empresa saiu claramente da zona de sobrecompra (70+, onde se encontrava em maio de 2026) e aproxima-se da zona neutra, com potencial para testar novamente os níveis de suporte

Vítor Madeira

Analista XTB

Vítor Madeira é economista e responsável pela área de Research na XTB Portugal, com uma forte paixão pelos mercados financeiros. Dedica-se à produção de análises aprofundadas, focadas na identificação de tendências e oportunidades de investimento nas várias classes de ativos.

Com vasta experiência em trading e especialização em análise técnica e fundamental, destaca-se pela capacidade de transformar informação complexa em insights claros, acessíveis e práticos para os investidores, tendo como principal foco o trading de ações.

Concluiu recentemente com sucesso o Nível I do CFA e encontra-se atualmente a preparar o Nível II. O seu trabalho contribui para decisões de investimento mais informadas, reforçando a missão da XTB de promover conhecimento financeiro rigoroso e confiável.

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