A Uber anunciou um negócio que é histórico para os padrões da empresa, mas, por enquanto, o preço das ações permaneceu inalterado. Será que o mercado tem razão em tratar esta aquisição estratégica da empresa com indiferença, ou será que os resultados da Nvidia e o próximo evento de Jackson Hole estão a desviar a atenção de uma empresa considerada «mediana» para os padrões dos mercados desenvolvidos?
O negócio
A Uber prepara-se para adquirir ações da Delivery Hero no valor de cerca de 13 mil milhões de euros, a um preço de 41,5 euros por ação. Vale a pena referir que a Uber está a adquirir a empresa com um prémio de 108 % em relação ao preço de mercado, e muitos analistas não excluem um aumento do preço da oferta.
Também é importante referir que não se trata de uma reviravolta abrupta nem de uma aquisição impulsiva. A Uber já detém cerca de 53% das ações da Delivery Hero, tanto diretamente como através de vários veículos financeiros e de investimento.
Muito do que se pode inferir sobre a reação do mercado à transação não decorre tanto da reação do preço das ações da Uber (ou da ausência dela), mas também da própria avaliação da Delivery Hero. A DHER continua a ser negociada com um desconto em relação ao preço de oferta da Uber, o que, na prática, significa que o mercado está a refletir um desconto bastante significativo devido a prováveis obstáculos regulamentares.
Uma fusão de empresas desta dimensão pode, claramente, suscitar preocupações por parte de representantes de, entre outras, autoridades da concorrência.
O que a Uber ganha com isto
O cerne da estratégia de expansão da Uber consiste na criação de uma chamada «superaplicação». Já hoje, a Uber presta uma vasta gama de serviços de transporte de passageiros e possui um negócio desenvolvido como intermediária na entrega de refeições de restaurantes.
A escala seria enorme. Após a fusão, as empresas operariam em até 99 países, e o número de mercados com integração total dos serviços de transporte e entrega aumentaria de 34 para 58. A escala de expansão neste caso poderia, hipoteticamente, ser muito superior a um mero aumento linear implícito na aquisição da quota de mercado da outra empresa, devido aos efeitos de escala e às sinergias.
Implicações para o setor
Se a aquisição da Delivery Hero pela Uber for concretizada, tal significaria uma expansão significativa e uma aceleração da tendência de consolidação entre os operadores de serviços de transporte e de entregas. A consolidação é benéfica para as empresas, embora não necessariamente para os consumidores.
A consolidação que se verifica atualmente foi, de certa forma, o objetivo do setor desde o início, quando os investidores toleraram muitos anos de prejuízos antes de as empresas conseguirem sequer atingir o ponto de equilíbrio, justificados pelos lucros futuros. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a própria Uber.
Uma maior consolidação do mercado reduzirá a concorrência, permitindo margens mais elevadas que, ao longo do tempo, poderão financiar aquisições adicionais e/ou distribuições aos acionistas.
Análise técnica: Uber (D1)
O preço das ações sofreu uma correção significativa em relação ao pico mais recente, atingindo cerca de 35 %. Ainda assim, a manutenção de uma linha de tendência ascendente fundamental em torno dos 65 dólares sugere que o ponto mais baixo da correção em curso possa (mas não necessariamente) já ter ficado para trás. Por outro lado, a «cruz da morte» registada no final de 2025 pode suscitar alguma preocupação, tendo-se revelado apenas um catalisador para novas quedas. De um modo geral, o panorama técnico da empresa continua misto, sendo fundamental acompanhar a relação entre a EMA100 e a EMA200. Fonte: xStation5
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