18:03 · 6 de julho de 2026

Atrasos na Nvidia: estará o projeto Kyber em risco?

Nos últimos trimestres, a Nvidia tem sido praticamente sinónimo de infraestrutura de IA para o mercado. Atualmente, continua na vanguarda da inovação e da eficiência das soluções de computação de IA, mas até a Nvidia está a começar a deparar-se com limitações tecnológicas, pelo menos de acordo com os analistas da SemiAnalysis.

Na indústria atual da IA, já não basta adquirir as melhores GPUs. É dada uma ênfase cada vez maior a sistemas de computação completos e integrados, ou seja, racks de servidores totalmente construídos, nos quais cada componente é concebido de raiz, feito à medida e perfeitamente sincronizado com o resto, de modo a maximizar a eficiência.

Um desses dispositivos que se espera que venha a integrar a gama da Nvidia é o «Kyber NVL144».

De acordo com os analistas da SemiAnalysis, o lançamento do sistema Kyber NVL144 poderá sofrer um atraso de cerca de 12 meses, passando de 2027 para 2028. A razão apontada é um problema na produção de um componente-chave (o chamado «midplane» de PCB, uma placa intermédia multicamadas que liga os módulos no interior de todo o rack).

O mercado não reagiu a estas notícias com pânico, e alguns analistas chegaram mesmo a descartá-las como «ruído», mas a natureza do problema é mais grave do que pode parecer aos investidores pouco familiarizados com questões técnicas. A informação é suficientemente significativa para que representantes da Nvidia tenham comentado junto da Bloomberg, negando os rumores e assegurando que o desenvolvimento do sistema está a decorrer conforme o planeado.

É precisamente por isso que as notícias da SemiAnalysis sobre um possível atraso na arquitetura Kyber NVL144 são importantes. Não se trata de um desvio superficial no roteiro, mas sim de um sinal de que o aumento da escala da IA está a começar a depender cada vez mais de restrições de engenharia muito concretas.

O Kyber NVL144 destinava-se a ser um dos elementos mais ambiciosos da próxima geração de infraestruturas de IA. O sistema, baseado na arquitetura Rubin Ultra, deveria albergar até 144 GPUs num único rack, oferecendo simultaneamente arrefecimento líquido integrado. Esperava-se que tal projeto proporcionasse um enorme aumento de desempenho e permitisse à Nvidia expandir ainda mais o chamado domínio «scale-up», ou seja, o número de GPUs ligadas através da interconexão NVLink, muito rápida e proprietária.

Nos maiores sistemas de IA, não basta ter mais chips. É também necessário fazer com que estes comuniquem entre si com rapidez suficiente. Assim, se a Nvidia tem um problema com o Kyber, não se trata apenas de um problema com uma única placa. Trata-se de um problema com o próximo salto na escala de toda a arquitetura e com as expectativas do mercado assentes nos avanços que se espera que a empresa concretize.

Estas notícias enquadram-se também no panorama mais alargado da crescente complexidade do plano de desenvolvimento da Nvidia. Para os concorrentes, isto poderá constituir uma oportunidade potencialmente importante. A SemiAnalysis sugere que um atraso no Kyber poderá melhorar a posição das

soluções da AMD ou dos chips desenvolvidos internamente por hiperescaladores, como o TPU da Google.

GOOGL e NVDA (D1)

 

Ambas as empresas evoluem de forma semelhante, com base em impulsos de preços semelhantes e em tendências de mercado mais amplas. No entanto, atualmente é difícil convencer o mercado de que existem mais catalisadores de crescimento para a Nvidia, enquanto a Google começa a dominar cada vez mais em termos do ritmo e da escala do crescimento da sua valorização, impulsionada, em parte, por diversas iniciativas da empresa destinadas à integração vertical e à redução da dependência de fornecedores externos.

Isto não significa automaticamente o fim do domínio da Nvidia neste segmento, mas, caso os relatórios dos analistas se confirmem, poderá representar um duro golpe para os planos a longo prazo da empresa.

João Cruz

Analista XTB

João Cruz é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde participa na produção de conteúdos educativos (artigos, vídeos e webinars) dirigidos a investidores de retalho. Possui experiência em trading e na análise de diferentes classes de ativos, com especial foco na análise técnica de índices e ETFs.

Colabora com a Rankia na criação de conteúdos financeiros e publica análises de mercado em plataformas como o Investing Portugal. É ainda o criador do projeto From Trader to Trader, que integra um canal de YouTube dedicado à análise técnica de ativos financeiros e um blog com cerca de 400 artigos publicados sobre análise macroeconómica e análise técnica.

Encontra-se atualmente em fase de conclusão da licenciatura em Finanças pela Universidade de Aveiro.

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