Uma das evoluções mais marcantes dos últimos meses é a forma como o sentimento e as expectativas divergiram completamente — algo claramente visível na diferença entre os analistas do mercado de matérias-primas e os analistas do mercado bolsista.
Os analistas de matérias-primas estão a dar o alarme e a alertar para uma catástrofe decorrente da perda de cerca de 20 % do abastecimento global de petróleo e combustíveis. Ao mesmo tempo, os analistas do mercado bolsista explicam as sucessivas revisões em alta das previsões do EPS. Quem está certo?
US500 vs PETRÓLEO (W1)
Por enquanto, ainda se observa um misterioso impasse — os índices e os preços das ações estão a bater novos recordes, apesar de os preços do petróleo estarem muito acima dos níveis esperados há apenas alguns meses.
A Saudi Aramco é a maior empresa de energia do mundo, controlando uma indústria construída em torno do petróleo bruto na Arábia Saudita. O CEO da empresa comentou a situação do mercado.
O CEO utiliza uma linguagem forte. Segundo Amin Nasser, o mercado encontra-se num período de profundo desequilíbrio entre a oferta e a procura. Ele estima que, mesmo que o Estreito de Ormuz fosse reaberto amanhã, o mercado precisaria de cerca de um ano para se normalizar. O presidente da empresa fala de uma perda de mil milhões de barris de oferta de petróleo e salienta que a dimensão da crise é sem precedentes.
Também é difícil afirmar que a situação atual não seja benéfica para a empresa. A Arábia Saudita construiu o poderoso oleoduto «Leste-Oeste» através do Deserto da Arábia precisamente para um cenário como o que se desenrola agora. Ao mesmo tempo, os resultados da empresa mostram que a subida dos preços do petróleo impulsionou o lucro líquido em quase 25% no primeiro trimestre de 2025.
Qual poderá ser a razão pela qual os preços do petróleo parecem estar a reagir de forma bastante cautelosa a uma crise desta magnitude?
Um fator destacado tanto pelas análises do Morgan Stanley como da Bloomberg são os stocks — as reservas de petróleo estão entre os elementos mais importantes.
O interveniente mais importante neste contexto é a China. A China importava cerca de 25–35% do seu petróleo do Golfo Pérsico. Ao mesmo tempo, os dados mais recentes mostram que as importações de petróleo da China caíram de 12 milhões de barris para pouco mais de 8 milhões — uma queda de mais de 3 milhões de barris, ou mais de 30%. Isto não é coincidência: a China aproveitou a queda dos preços do petróleo em 2025 para constituir uma enorme reserva de crude. Terão estas reservas sido constituídas precisamente para uma contingência deste tipo?
É impossível afirmar — e, na prática, isso não importa. O que isso efetivamente significa é que, devido exclusivamente às ações da China, poderemos assistir a um atraso significativo na forma como a redução da oferta se reflete nos preços. A China está a absorver a escassez e a pressão inflacionária — e tem um forte incentivo para o fazer. A indústria chinesa permanece numa fase de abrandamento, enquanto a manutenção do comércio com o Ocidente é imperativa para a China.
Uma inflação interna mais elevada poderia, nas circunstâncias atuais, ajudar a reduzir o peso real do aumento da dívida e estimular o consumo e o investimento. Entretanto, o Ocidente evita uma recessão — algo que seria tão doloroso para a China como o seria para o próprio Ocidente. O que é crucial compreender é que este congelamento do mercado persistirá enquanto a China continuar a subsidiar de facto a desinflação global. Esta pode ser uma das questões-chave, mas raramente mencionadas, no contexto da próxima reunião entre Trump e Xi.
Kamil Szczepański
Analista de Mercados Financeiros da XTB
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