O ano de 2025 foi marcado por um ambiente de mercado desafiante para a Corticeira Amorim, resultando numa contração dos principais indicadores de rentabilidade. As suas ações têm estado em baixa nos últimos 12 meses, com a cotação a baixar 16.63% neste período.
Resultados 2025: vendas e lucros em retração
Principais indicadores financeiros (FY25 vs FY24)
- Vendas: Registaram uma queda de 8,3%, totalizando 861,0 M€. No 4T as vendas caíram 13.3% YoY.
- EBITDA: O valor situou-se nos 141,0 M€, uma diminuição de 10,5% face aos 157,6 M€ de 2024. A margem EBITDA comprimiu ligeiramente para 16,4% (contra 16,8% em FY24). No 4T o EBITDA caiu 21.8% YoY.
- Resultado Líquido: O lucro caiu 20,3%, fixando-se nos 55,6 M€. No 4T o lucro líquido caiu 54.8%, uma queda bastante expressiva.
- Dívida Líquida: Houve uma redução muito significativa da dívida para 75,9 M€ (face a 195,7 M€ no final de 2024), impulsionada por menores necessidades de fundo de maneio.
Desempenho por unidade de negócio
Amorim Cork (Rolhas)
As vendas baixaram 3,5% para 707,0 M€. A rentabilidade foi pressionada pelo mix de produtos negativo, embora beneficiada por preços de cortiça consumida mais baixos.
Amorim Florestal
As vendas recuaram 4,0% para 222,3 M€, afetadas pela menor atividade noutras unidades e preços de cortiça inferiores.
Amorim Cork Solutions
Foi a unidade mais impactada (-24% em vendas), refletindo a venda da Timberman e quebras nos segmentos de pavimentos e isolamentos.
ROIC em queda e dividendo em alta
- ROIC (Retorno sobre o Capital Investido): Verificou-se uma quebra na eficiência do capital, com o ROIC (pós-impostos) a cair para 6,4% (contra 10,2% em 2024).
- Dividendos: Apesar da queda no lucro, a empresa propõe aumentar o dividendo para 0,35€ por ação (a pagar em maio de 2026), o que representa um payout ratio muito elevado de 76,6%.
Estrutura financeira melhora apesar da quebra operacional
As métricas de rentabilidade evidenciam uma deterioração na capacidade da empresa de gerar lucro, situação que exige monitorização trimestral rigorosa daqui em diante. A progressão da contração ao longo do ano, culminando num quarto trimestre particularmente débil, sugere que as pressões sobre a rentabilidade poderão não ser meramente conjunturais, mas potencialmente estruturais.
Caso a empresa não consiga implementar medidas eficazes de recuperação das margens e relançamento do crescimento das vendas nos próximos trimestres, poderá ser forçada a reduzir o dividendo nos anos subsequentes, o que penalizaria significativamente os acionistas de longo prazo que investem na empresa pela sua histórica capacidade de distribuição de dividendos consistentes.
No que toca à liquidez e solvabilidade, a empresa demonstrou uma evolução positiva, com um aumento do capital próprio e uma redução drástica da dívida líquida. Estes indicadores sugerem que a Corticeira Amorim não enfrenta constrangimentos de financiamento de curto prazo nem riscos de solvabilidade no horizonte temporal dos próximos 12 meses, proporcionando alguma margem de manobra para implementar estratégias de recuperação operacional sem a pressão adicional de refinanciamentos ou covenants bancários exigentes.
Análise técnica: quebra do suporte dos 7,5€
Do ponto de vista da análise técnica, as ações evidenciam uma tendência baixista consolidada nos últimos 5 anos, tendo recentemente rompido o suporte crítico localizado na zona dos 7,5€. Esta quebra de um nível técnico significativo deve ser interpretada como um sinal de alerta, pois sugere que o sentimento do mercado relativamente às perspetivas da empresa se deteriorou substancialmente.
Caso os resultados trimestrais continuem a evidenciar uma dinâmica de enfraquecimento, com manutenção das pressões sobre vendas e margens, não se pode descartar a possibilidade de quedas adicionais nas cotações.
O que pode inverter a tendência?
Alternativamente, se o preço conseguir recuperar e consolidar acima dos 7,5€, tal poderá sinalizar uma potencial inversão da tendência baixista. Este cenário positivo estaria dependente de:
- Materialização dos retornos dos investimentos recentes, que começariam a refletir-se na rentabilidade operacional;
- Recuperação da procura por produtos de cortiça, seja por reativação dos mercados tradicionais (setor vinícola) ou por expansão em aplicações alternativas (construção sustentável, isolamentos técnicos);
- Melhoria do mix de produtos, com incremento da quota de produtos de maior valor acrescentado;
Conclusão
Em conclusão, a Corticeira Amorim atravessa um período particularmente desafiante, com deterioração generalizada dos indicadores operacionais e de rentabilidade. A decisão de manter uma política de dividendos generosa, apesar da contração dos lucros, é uma aposta ousada que poderá limitar a capacidade de investimento futuro.
Os próximos trimestres serão importantes para avaliar se a empresa consegue reverter esta trajetória descendente ou se, pelo contrário, estamos perante uma deterioração estrutural da sua posição competitiva. Os investidores devem manter uma vigilância apertada sobre os resultados trimestrais e estar preparados para reavaliar as suas posições em função da evolução dos fundamentos e do preço de mercado.
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Michael Burry e Palantir
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