07:44 · 3 de agosto de 2026

Destaques da manhã (03.08.2026)

🌍 Geopolítica

O conflito entre os EUA e o Irão continua no centro das atenções, determinando a evolução dos preços do petróleo e do gás natural. O fim de semana trouxe vários acontecimentos importantes a este respeito.

No sábado, foi anunciado um ataque que, segundo as declarações de Donald Trump, seria «o maior desde a Segunda Guerra Mundial». Por fim, os líderes dos países da região terão, alegadamente, convencido Trump de que um acordo estava próximo, o que levou ao cancelamento da ação militar.

As negociações também avançam entre o Irão e Omã relativamente a um novo acordo sobre a navegação pelo Estreito de Ormuz.

Além disso, a OPEP+ decidiu aumentar o limite de produção de petróleo em 188 barris por dia.

🛢️ Matérias-primas

Tudo isto resultou numa nova descida dos preços do petróleo e do gás.

  • Neste momento, o Brent está a ser negociado nos 83 dólares por barril, o que representa uma desvalorização de cerca de 5% face à última semana.. Observamos uma descida de magnitude semelhante no petróleo americano WTI (atualmente abaixo dos 80 dólares por barril).
  • Depois de atingirem os níveis mais elevados desde 2023, os preços do gás na bolsa holandesa TTF também estão a registar uma descida. As cotações do gás natural (NATGAS) mantêm-se estáveis (cerca de 2,76 dólares por MMBtu).

📈 Ações

Os preços mais baixos das matérias-primas energéticas favorecem os mercados bolsistas. Analisando os contratos de futuros, podemos observar uma subida de 0,8% no índice americano Nasdaq 100 e de 0,6% no S&P 500. Os contratos de futuros dos índices europeus também apresentam tendência positiva. Tudo indica que o DAX alemão abrirá com uma subida de cerca de 1%.

O otimismo é um pouco menor na Ásia. Tanto o Nikkei 225 japonês (-1,1%) como a Bolsa de Xangai chinesa (-0,8%) registam perdas. O KOSPI coreano está com uma queda de 5%, arrastado pela Samsung e pela SK Hynix (ambas com perdas de cerca de 8%).

Vale a pena recordar que, na sexta-feira, o KOSPI registou uma subida superior a 15% — a mais forte de um índice bolsista de referência de um país desenvolvido no século XXI. Apesar disso, encerrou o mês com uma perda de cerca de 20%.

Hoje, serão publicados os resultados da Palantir, da Snap e da Trump Media & Technology (todos após o encerramento do mercado bolsista dos EUA).

🧈 Metais preciosos

As yields das obrigações a 10 anos dos EUA mantêm-se próximas dos máximos locais (4,69%), o que pesa sobre os preços dos metais preciosos. No entanto, a pressão é relativamente reduzida – tanto a prata como o ouro estão a encerrar julho em níveis praticamente inalterados.

  • Temos de pagar cerca de 4070 dólares por uma onça troy de ouro e 58,2 dólares pela prata.

📈 Dados macroeconómicos e política monetária

Após uma semana repleta de reuniões dos principais bancos centrais, teremos agora uma pausa mais prolongada no que diz respeito à política monetária. Apenas o Banco Central da República Checa (CNB) se reunirá esta semana (quinta-feira) e é improvável que altere o nível das taxas de juro.

No que diz respeito aos dados macroeconómicos, a atenção centrar-se-á principalmente na publicação, na sexta-feira, do relatório NFP. Novos dados mais fracos do que o esperado poderão reforçar a reavaliação «dovish» relativamente à trajetória projetada das taxas de juro da Reserva Federal.

Na primeira parte da semana, aguardamos principalmente a publicação das revisões dos indicadores PMI. Uma vez que se trata de revisões e não de valores preliminares, o seu potencial para desencadear volatilidade é bastante reduzido. Uma exceção foi constituída pelos dados da RatingDog da China, que são publicados um pouco mais tarde do que os restantes – o primeiro valor relativo a julho foi divulgado durante a noite.

China

  • O PMI da RatingDog de julho para o setor industrial surpreendeu negativamente (50,9 contra um consenso de 52). Vale a pena recordar que, na China, os indicadores PMI são publicados por duas instituições diferentes. A S&P (RatingDog) proporciona-nos uma visão mais clara da situação das pequenas e médias empresas privadas, localizadas principalmente no cinturão costeiro da China. Grande parte delas está orientada para a exportação. O NBS, por outro lado, inclui mais grandes empresas estatais dos setores da indústria pesada e das infraestruturas, cuja produção se destina, em muito maior medida, ao mercado interno.

💱 Mercado cambial

O dólar continua a desvalorizar que teve início na sequência da reunião da Reserva Federal de quarta-feira. O par EUR/USD mantém-se bem acima do nível de 1,15, o seu valor mais elevado desde meados de junho.

No entanto, a atenção centra-se principalmente no iene, devido à primeira intervenção coordenada levada a cabo conjuntamente pelos Estados Unidos e pelo Japão. De acordo com estimativas baseadas em dados publicados pelo Banco do Japão, poderão ter ocorrido compras de cerca de 8,45 biliões de ienes (na altura equivalentes a cerca de 53 mil milhões de dólares), o que representaria a maior intervenção num único dia da história do Banco do Japão.

O par USDJPY caiu mais de 4%, para cerca de 156 — um nível registado pela última vez no início de maio.

 

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times.

É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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