10:46 · 1 de julho de 2026

Gráfico do dia: Ouro fica abaixo do nível psicológico dos 4 000 dólares, à medida que os receios de subida das taxas de juro se intensificam

O ouro voltou a cair abaixo da barreira psicológica dos 4 000 dólares por onça, mantendo-se preso nos mínimos dos últimos 8 meses. O metal precioso encontra-se sob intensa pressão devido às crescentes expectativas de subidas agressivas das taxas de juro nos EUA. Os volumes de negociação continuam reduzidos devido a uma série de dados macroeconómicos cruciais agendados para esta semana, e a tendência técnica de baixa não mostra, de momento, sinais de uma inversão.

Ouro (D1)

Fonte: xStation5

A pressão descendente levou os preços dos contratos de ouro para abaixo da média móvel exponencial de 300 dias (EMA300, a preto) pela primeira vez desde outubro de 2023. As principais médias móveis confirmam uma forte configuração de tendência de baixa, com as médias de curto prazo a situarem-se abaixo das de longo prazo e o preço a ser negociado consistentemente abaixo da EMA10 (amarela). O contrato continua a refletir a trajetória inversa do Índice do Dólar dos EUA (USDIDX, azul claro, invertido). Atualmente, está a testar os níveis de suporte de outubro de 2025, anulando completamente 100% dos ganhos dinâmicos registados na viragem de 2025/2026.

O que está a impulsionar o Ouro hoje?

  • O dólar retoma a sua recuperação: O Índice do Dólar dos EUA voltou hoje a registar ganhos claros (USDIDX: +0,2%), pondo rapidamente fim a uma breve correção de três dias. A moeda norte-americana oscila atualmente perto dos máximos de 14 meses, impulsionada pelas crescentes expectativas de medidas monetárias mais restritivas por parte da Reserva Federal em 2026. O mercado de swaps está agora a precificar uma probabilidade de quase 70% de um aumento das taxas de juro em setembro, o que pesa fortemente sobre ativos sem rendimento, como os metais preciosos.
     
  • O aumento dos rendimentos das obrigações atrai capital: Os rendimentos das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos subiram 10 pontos base nas últimas 24 horas (passando de 4,36% no início da sessão de ontem para os atuais 4,46%), situando-se cerca de 30 pontos base acima dos níveis registados em janeiro. Isto indica que o mercado de dívida já precificou efetivamente, por si só, um aumento das taxas de juro nos EUA, apesar de as taxas oficiais se terem mantido inalteradas entre 3,5% e 3,75% desde dezembro de 2025.
     
  • Um calendário macroeconómico denso atenua o interesse de compra: A recuperação temporária observada no início da semana, impulsionada por uma previsão otimista do Goldman Sachs, esmoreceu sob o peso dos dados que se avizinham. Ainda hoje, está prevista a intervenção de Kevin Warsh no Fórum de Bancos Centrais do BCE, em Sintra. O mercado estará extremamente atento para saber se o novo presidente da Reserva Federal abordará os comentários abertamente «hawkish» proferidos por outros membros do FOMC e o recente ressurgimento da inflação acima dos 4%. Com dados-chave do mercado de trabalho dos EUA também no horizonte, espera-se que a procura especulativa permaneça fortemente reprimida até que surjam novos sinais de direção.

João Cruz

Analista XTB

João Cruz é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde participa na produção de conteúdos educativos (artigos, vídeos e webinars) dirigidos a investidores de retalho. Possui experiência em trading e na análise de diferentes classes de ativos, com especial foco na análise técnica de índices e ETFs.

Colabora com a Rankia na criação de conteúdos financeiros e publica análises de mercado em plataformas como o Investing Portugal. É ainda o criador do projeto From Trader to Trader, que integra um canal de YouTube dedicado à análise técnica de ativos financeiros e um blog com cerca de 400 artigos publicados sobre análise macroeconómica e análise técnica.

Encontra-se atualmente em fase de conclusão da licenciatura em Finanças pela Universidade de Aveiro.

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