O Millennium BCP continua a destacar-se na bolsa portuguesa e aproxima-se de novos máximos anuais, prolongando a forte tendência de valorização registada desde 2023. Os resultados do primeiro semestre de 2026 evidenciam um sólido desempenho operacional e financeiro, impulsionado pelo crescimento do negócio core, pela robustez da posição de capital e pela redução dos riscos legais na operação internacional. Após a divulgação das contas, as ações valorizavam cerca de 3%.
Os números que marcaram o segundo trimestre de 2026
- Lucro Líquido: O resultado líquido consolidado do Grupo aumentou 12,7% face ao período homólogo, atingindo 565,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2026. Este desempenho reflete uma forte capacidade do Banco para gerar valor.
- Métricas de Retorno: A rentabilidade do Grupo é robusta, com um Retorno sobre o Capital Próprio (ROE) de 14,6% e um Retorno sobre o Capital Tangível (ROTE) de 15,2%.
- Margem Financeira e Comissões (Core Income): A margem financeira (Net interest income) subiu 3,4%, totalizando 1.493,8 milhões de euros. As comissões líquidas cresceram 5,8%, alcançando os 438,0 milhões de euros.
- Custos Operacionais e Eficiência: Os custos operacionais registaram um aumento de 5,4%, atingindo 720,2 milhões de euros. Apesar desta subida, o rácio de eficiência (Cost-to-income) manteve-se estável e controlado na ordem dos 37%.
Portugal e Polónia impulsionam o crescimento do Millennium BCP
A operação em Portugal voltou a ser um dos principais motores do crescimento do Millennium BCP. O lucro líquido aumentou 10,9%, para 470,2 milhões de euros, enquanto a margem financeira registou uma subida de 11,3%, atingindo 733,2 milhões de euros, refletindo o bom desempenho do negócio doméstico.
Na Polónia, o Bank Millennium apresentou um crescimento ainda mais expressivo, com o resultado líquido a aumentar 38,7%, para 166,9 milhões de euros. Este desempenho foi impulsionado, sobretudo, pela redução de 64,9% nas provisões relacionadas com os créditos hipotecários em francos suíços (CHF), embora a margem financeira tenha recuado 3,5% devido à descida das taxas de juro pelo banco central polaco.
Em sentido contrário, a operação em Moçambique (Millennium bim) registou um resultado líquido de 13,9 milhões de euros, abaixo dos 23,7 milhões alcançados no período homólogo, refletindo o contexto económico mais desafiante e o aumento das imparidades.
Millennium BCP mantém capital sólido e reduz o risco
O banco continuou a reforçar a qualidade do balanço durante o semestre. As exposições não produtivas (NPE) diminuíram 187 milhões de euros face a junho de 2025, enquanto o custo do risco permaneceu controlado nos 32 pontos base, tanto ao nível do Grupo como da atividade em Portugal.
A posição de capital mantém-se confortável, com um rácio CET1 fully loaded de 15,1% e um Rácio de Capital Total de 19,3%, ambos acima dos requisitos regulamentares. Também a liquidez permanece robusta, refletida num LCR de 326%, num NSFR de 183% e num rácio de transformação de 68%.
Além disso, o Millennium BCP dispõe de cerca de 30 mil milhões de euros em ativos elegíveis para financiamento junto do Banco Central Europeu.
Crédito, depósitos e digitalização continuam a crescer
A atividade comercial do Grupo manteve uma evolução positiva. Os recursos totais de clientes aumentaram 9,8%, para 116,7 mil milhões de euros, enquanto a carteira de crédito cresceu 8,3%, para 65,2 mil milhões de euros. Na Polónia, destacou-se o forte crescimento do crédito a empresas, que avançou 31,8%.
O banco continuou igualmente a investir na transformação digital. A base de clientes ativos aumentou 4%, para 7,4 milhões, enquanto o número de clientes mobile cresceu 8%, representando já 75% da base total de clientes do Grupo.
Análise técnica das ações do Millennium BCP
As ações do BCP desde o início do ano mostram uma tendência altista com uma performance de cerca de 17%. Nesta altura o preço encontra-se perto da zona de suporte dos 1.014€ e tem formado uma lateralização nos últimos quase 2 meses. A queda de ontem no suporte coincide com a confluência de uma linha de tendência de curto prazo (linha azul) que reagiu de forma positiva como suporte.
Caso ocorra o rompimento da resistência dos 1.06€, haverá espaço para mais subidas em direção aos 1.15€. Contudo uma quebra do suporte dos 1.01€ pode sinalizar fraqueza a curto-prazo e não podemos descartar quedas mais rápidas até à zona dos 0.91€.
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