18:02 · 30 de julho de 2026

Nasdaq regista uma subida superior a 3%

Os futuros do Nasdaq 100 (US100) registaram uma subida de 3,1%, impulsionados por uma rotação maciça de capitais dos setores de valor e defensivos para os setores da tecnologia, dos semicondutores e da IA.

US100 (D1)

Os futuros do Nasdaq 100 estão a registar uma forte recuperação em relação aos mínimos recentes, com o RSI diário (14) a subir para 41,8. No entanto, a evolução dos preços continua limitada abaixo da importante EMA100 (D1), perto dos 28 276, que atua como resistência imediata, a par do nível dos 28 400. Recuperar esta zona é essencial para confirmar uma inversão de tendência sustentável. Notavelmente, os ganhos do setor tecnológico continuam a superar os das ações de valor clássicas representadas pelos futuros do DJIA (US30; azul claro), sublinhando uma forte divergência de mercado que favorece o desempenho superior do setor tecnológico.

Fonte: xStation5
 

O que está por trás desta recuperação?

  • Alta setorial: O setor tecnológico, no seu conjunto, registou uma valorização de +4,8% no Nasdaq;
     
  • Rotação profunda: No entanto, verificou-se uma rotação clara mesmo entre as empresas de mega-capitalização e os títulos tradicionais de valor, o capital saiu da Apple, Google, Walmart, PepsiCo, Pfizer, Chevron e Honeywell para financiar as compras no setor tecnológico;
     
  • Dinâmica do SaaS: As empresas de Software como Serviço (SaaS) registaram um forte impulso, impulsionadas pelo desempenho notável na nuvem por parte dos principais hiperescaladores.
Fonte: XTB Research Team

Porquê: Os resultados reanimam o setor da IA

Após semanas de dinâmica fraca no setor tecnológico, particularmente entre as ações de semicondutores (o Índice PHXL de Semicondutores continua a registar uma queda de 21% em relação ao mês anterior), dois relatórios de resultados impressionantes ajudaram a revitalizar o Nasdaq. Os resultados sólidos da Microsoft, um interveniente-chave na computação em nuvem de IA, e da Lam Research, um importante fornecedor da ASML, deram um impulso ao índice depois de este ter caído abaixo da sua média móvel exponencial de 100 dias pela primeira vez desde abril.

  • Microsoft (MSFT): As ações subiram quase 17% na sequência dos resultados do 4.º trimestre, que superaram as expectativas tanto em termos de receita (90,01 mil milhões de dólares, +18% em termos homólogos) como de lucro por ação (4,81 dólares). O crescimento foi impulsionado pela receita da nuvem Azure, que acelerou 43% em termos homólogos (ultrapassando os 100 mil milhões de dólares anualizados), enquanto o Microsoft 365 Copilot atingiu os 30 milhões de utilizadores pagantes. O otimismo dos investidores foi ainda mais reforçado quando a previsão de investimento (capex) para o ano inteiro foi reduzida de 190 mil milhões de dólares para cerca de 175 mil milhões de dólares, devido a ajustamentos contabilísticos;
     
  • Lam Research (LRCX): As ações subiram quase 20% depois de a fabricante de equipamentos para semicondutores ter apresentado resultados do quarto trimestre que superaram as expectativas e levaram a uma revisão em alta das previsões, impulsionados por um aumento de 30% na receita em relação ao ano anterior, para 6,72 mil milhões de dólares, e um EPS ajustado de 1,82 dólares. Um aumento de 43% nas receitas de apoio ao cliente (2,47 mil milhões de dólares) ampliou as margens, enquanto a previsão para o lucro por ação ajustado do primeiro trimestre, de 2,00 a 2,30 dólares, superou facilmente as estimativas de Wall Street (1,84 dólares).

Análise macroeconómica: repercussões da postura moderada do FOMC

Os mercados também beneficiaram da posição ambígua do presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, durante a conferência de imprensa de ontem, após a decisão sobre as taxas de juro. Apesar da sua linguagem firme em relação à inflação e da ênfase na importância da meta de 2%, Warsh não manifestou dissidência em relação à decisão, mesmo que três membros do FOMC tenham votado a favor de um aumento das taxas de juro. Isto suscitou algumas dúvidas quanto à credibilidade da sua postura mais restritiva.

Esta mudança atenuou claramente as expectativas dos mercados quanto a subidas agressivas das taxas de juro para o resto de 2026, ajudando a abrir caminho para uma recuperação das ações, que tinham vindo a sofrer pressão devido ao aumento das taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro.

Fonte: XTB Research, com base em dados da Bloomberg Finance LP

A trajetória das taxas de juro dos EUA implícita no mercado registou uma descida ao longo de todo o horizonte de previsão, na sequência da conferência de imprensa de Kevin Warsh, estando o primeiro aumento das taxas agora totalmente descontado apenas para dezembro de 2026.

João Cruz

Analista XTB

João Cruz é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde participa na produção de conteúdos educativos (artigos, vídeos e webinars) dirigidos a investidores de retalho. Possui experiência em trading e na análise de diferentes classes de ativos, com especial foco na análise técnica de índices e ETFs.

Colabora com a Rankia na criação de conteúdos financeiros e publica análises de mercado em plataformas como o Investing Portugal. É ainda o criador do projeto From Trader to Trader, que integra um canal de YouTube dedicado à análise técnica de ativos financeiros e um blog com cerca de 400 artigos publicados sobre análise macroeconómica e análise técnica.

Encontra-se atualmente em fase de conclusão da licenciatura em Finanças pela Universidade de Aveiro.

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Antevisão aos resultados da Amazon

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