A volatilidade no mercado do petróleo durante a sessão de hoje é bastante elevada, o que está relacionado com o surgimento constante de novas informações contraditórias. Os preços do petróleo Brent voltaram a situar-se em cerca de 88 dólares por barril, e a perspetiva de uma subida para os 100 dólares está a tornar-se cada vez mais real, tendo em conta os fundamentos restritivos e o teste de hoje ao nível dos 90 dólares. Relatos diplomáticos contraditórios, novos atos de agressão no Médio Oriente e estrangulamentos logísticos na Europa estão a alimentar novamente a volatilidade, embora seja evidente que, essencialmente, ninguém deseja uma escalada definitiva da situação a partir do ponto atual.
Impasse diplomático em torno do Estreito de Ormuz
Apesar das declarações otimistas do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão sobre um suposto acordo iminente, a situação em torno deste ponto-chave está a agravar-se. Donald Trump procurou uma compensação de Teerão por décadas de conflito. Em resposta, os conselheiros do líder supremo do Irão afirmaram que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os EUA levantem o bloqueio marítimo, desbloqueiem os ativos e cessem as ações militares na região. Qual é o efeito? Nos primeiros dez dias de agosto, nem um único superpetroleiro VLCC partiu do porto iraniano de Kharg. Vale também a pena referir que surgiram notícias na comunicação social indicando que o Irão sugeriu que poderia esperar até 2029 para que se iniciassem as negociações para a abertura do Estreito de Ormuz, ou seja, até ao final do mandato de Donald Trump.
Intensificação dos combates e paralisia logística
Os bombardeamentos de infraestruturas e rotas comerciais estão a causar um impacto cada vez maior:
- Iémen e Mar Vermelho: Os houthis paralisaram a refinaria da Aramco em Jazan (400 000 b/d), colocando-a fora de serviço até setembro, e atacaram mais navios mercantes, causando vítimas mortais entre as tripulações dos petroleiros.
- Líbia e paralisia das refinarias: A NOC da Líbia declarou força maior após um ataque com drones à refinaria de Zawiya.
Diminuição dos stocks na Ásia e resposta da OPEP
Apesar dos bloqueios, a produção da OPEP aumentou em julho em 1,17 milhões de barris por dia, para 19,9 milhões de barris por dia (principalmente devido ao Iraque e ao Kuwait). Entretanto, os stocks de petróleo na província chinesa de Shandong foram reduzidos em até 35 milhões de barris em julho (uma queda de 1,1 milhões de barris por dia). As refinarias independentes chinesas («teapots») estão a preparar-se para compras agressivas de crude do Irão e da Rússia assim que as rotas ficarem desobstruídas.
Os preços do petróleo continuam atualmente a sua tendência ascendente, embora também tenhamos assistido a uma tentativa de redução ao longo do dia. Um fecho acima ou abaixo do retracement de 61,8% de todo o recente impulso ascendente relacionado com a guerra poderá proporcionar impulso ao movimento nas sessões subsequentes.
Resumo diário: O petróleo valoriza-se devido à incerteza; o mercado aguarda os dados sobre a inflação
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Abertura da sessão americana: A dívida e o Estreito de Ormuz alimentam preocupações crescentes.
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