A International Business Machines (IBM) divulgou os resultados preliminares do segundo trimestre de 2026. Descrever estes resultados como uma desilusão seria um eufemismo grave.
As ações da empresa desvalorizaram quase 20%, arrastando consigo também grande parte do setor tecnológico.
Análise técnica da IBM (D1) (13.07.2026)
A forte correção das ações da IBM ocorre quase exatamente no momento em que as médias móveis EMA100 e EMA200 geraram a chamada «cruz dourada», um fenómeno relativamente raro. Tendo em conta os intervalos de Fibonacci e as oscilações significativas dos preços nos últimos meses, a ação poderá encerrar a sessão abaixo do nível de Fibonacci de 78,6% (cerca de 240 USD). Um nível de resistência muito mais difícil de ultrapassar situar-se-á em torno dos 215 USD, que os compradores têm defendido repetidamente ao longo dos últimos dois anos. Fonte: xStation5
Porquê uma reação tão violenta?
O sinal negativo para o mercado decorrente destes resultados é muito forte, mas também não é totalmente claro. Os números principais do comunicado, sem contexto, não justificam uma reação tão extrema para uma empresa desta dimensão. Na abertura do mercado, a empresa perdeu mais de 50 mil milhões de dólares em capitalização bolsista.
- A receita situou-se nos 17,2 mil milhões de dólares, contra os 17,8 mil milhões de dólares esperados.
- O lucro por ação (EPS) apresentou-se melhor, subindo para 2,93 dólares, mas ainda abaixo das expectativas do mercado, que eram de, pelo menos, 3,00 dólares.
Este comunicado surgiu num contexto de forte subida da valorização da empresa, apoiada pela expansão na computação quântica e na IA. Desde maio de 2026, as ações subiram de cerca de 215 dólares para quase 300 dólares. Mesmo um pequeno desvio nos resultados pode ser suficiente para reavaliar significativamente uma ação da qual o mercado espera uma alavancagem operacional significativa, mas isso ainda não explica a magnitude da queda.
A chave para compreender a reação do mercado reside nos comentários do CEO sobre o capex.
O CEO observou que, no final do último trimestre, os clientes começaram, de forma repentina e acentuada, a redirecionar as despesas de capex para a memória, que se está a tornar um estrangulamento cada vez mais grave no ciclo de investimento. A administração reconheceu abertamente que isto poderia pesar nos resultados da empresa, pelo menos durante o resto do atual ano fiscal.
A posição da IBM também sugere que, se esta gigante está a enfrentar uma pressão real devido aos preços da memória, então o resto do setor encontra-se numa situação semelhante. Uma preocupação adicional decorre do facto de a empresa não costumar publicar «comunicados preliminares». Os resultados só deveriam ser apresentados a 22 de julho. Isto gera confusão e alimenta especulações e dúvidas, o que também é um fator que afeta o comportamento das ações.
Ainda assim, por enquanto, uma queda de 15% a 20% não reflete uma deterioração profunda da rentabilidade, mas sim um adiamento das receitas ao longo do tempo.
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