A Galp acaba de apresentar o melhor resultado trimestral da sua história. O lucro líquido ajustado (RCA) atingiu 682 milhões de euros, mais 68% face ao 3.º trimestre de 2025, impulsionado pelos preços elevados do petróleo, margens de refinação excepcionais, maior produção no Brasil e preços elétricos favoráveis na Península Ibérica.
Ainda assim, as ações começaram a sessão com um gap de baixa na ordem dos 8%, após o comunicado da empresa acerca do fim das negociações com a Moeve, depois das duas partes não terem conseguido alcançar um entendimento final após meses de negociações.
Antes da divulgação dos resultados, a antevisão dos resultados da Galp para o terceiro trimestre destacava as margens de refinação e a evolução da produção como fatores determinantes para o desempenho da petrolífera.
Principais resultados da Galp
Motivos por detrás dos resultados
Brent elevado e maior produção no Brasil
O Brent médio situou-se em 97$l no trimestre, face aos 69,1$ em termos homólogos, uma subida de 40%.
A produção total atingiu 131 kboepd, mais 14% em termos homólogos, apoiada pelo ramp-up do FPSO de Bacalhau, no pré-sal brasileiro. O EBITDA do Upstream aumentou 53% para 708 milhões de euros, refletindo preços mais altos e maior produção.
Importa sublinhar que a realização média do petróleo foi de 87,3 USD/bbl, com um desconto de 9,7 USD/bbl face ao Brent, devido a custos de transporte elevados e a prémios mais fracos para o crude brasileiro, num contexto de procura asiática mais fraca. A Galp, portanto, não beneficiou completamente dos preços de referência do Brent.
Margens de refinação excepcionais
A margem de refinação da Galp atingiu 34,0 USD por barril equivalente, mais do que o triplo dos 9,5 USD/boe registados no 3.º trimestre de 2025. O resultado reflete a subida acentuada dos diferenciais internacionais de preço do gasóleo e do jet fuel, devido às perturbações persistentes na oferta global.
O diferencial de preço do gasóleo aumentou mais de 200%, passando de 194,3 para 590,3 USD por tonelada. A refinaria operou com disponibilidade próxima do máximo, permitindo à empresa aproveitar estas margens sem um aumento relevante do volume processado.
Trading e Midstream
O segmento de Industrial & Midstream registou um EBITDA de 639 milhões de euros, apoiado pela refinaria e por uma contribuição das atividades de trading. Os volumes de fornecimento e trading de gás natural e LNG subiram 31% para 20,8 TWh.
Comercial e Renováveis
O EBITDA Comercial aumentou 24% para 147 milhões de euros, impulsionado pelo negócio B2B, especialmente em Espanha. As vendas de eletricidade subiram 37% para 2,5 TWh e as de gás 16% para 4,2 TWh, enquanto as vendas de produtos petrolíferos se mantiveram estáveis em 2,0 milhões de toneladas.
Nas Renováveis, o EBITDA aumentou 67% para 48 milhões de euros, com a capacidade instalada a crescer 64% para 2,7 GW, refletindo as aquisições de carteiras eólicas em Espanha. O preço realizado no eólico foi de 141 €/MWh, mais 99% em termos homólogos, beneficiando da subida do preço do gás natural ibérico, com o MIBGAS a aumentar 97% para 64,7 €/MWh.
Conclusão
O trimestre foi excepcional que resulta essencialmente de dois fatores:
- O primeiro é cíclico e potencialmente reversível: as margens de refinação, os diferenciais de preço entre o crude e os produtos refinados, nomeadamente o gasóleo e o combustível de aviação, o prémio geopolítico associado ao Brent e os preços elevados da eletricidade explicam a maior parte do aumento do EBITDA e podem normalizar rapidamente.
- O segundo é estrutural: o arranque progressivo do projeto de Bacalhau elevou a produção para 131 kboepd e continua a ser o principal motor de crescimento da produção e dos fluxos de caixa a médio prazo.
Ainda assim, é importante notar que o free cash flow caiu 50%, para 271 milhões de euros, não porque a atividade operacional tenha piorado, mas porque o capex aumentou para 646 milhões de euros. Este valor inclui 420 milhões de euros na aquisição de uma carteira eólica operacional em Espanha, além de investimentos em Sines e no desenvolvimento de Bacalhau. A dívida líquida manteve-se estável, em 1,4 mil milhões de euros, mesmo após o pagamento de um dividendo intercalar de 253 milhões de euros e de recompras limitadas de ações.
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