O presidente Donald Trump mudou de posição duas vezes no espaço de um único dia — primeiro ao anunciar que o acordo com o Irão estava «morto» na sequência dos ataques a navios mercantes no Estreito de Ormuz e, em seguida, ao sugerir que Teerão procurava desesperadamente chegar a um acordo. Esta mudança de 180 graus no espaço de cerca de uma dúzia de horas ilustra claramente como a comunicação imprevisível de Trump afeta o sentimento do mercado em tempo real.
De «o acordo acabou» a «eles querem tanto o acordo»
Na quarta-feira, 8 de julho, os futuros dos índices norte-americanos caíram e os preços do petróleo dispararam mais de 5% depois de Trump ter declarado que a trégua com o Irão estava «acabada», na sequência do ataque iraniano a navios mercantes. O S&P 500 encerrou a sessão com uma descida de 0,28%, nos 7 482,71 pontos. Apenas algumas horas depois, Trump mudou de tom, afirmando que o Irão tinha «acabado de ligar» e «deseja muito, muito mesmo, um acordo», embora tenha referido que não sabia se se podia confiar em Teerão para honrar os termos. Esta notícia desencadeou imediatamente uma reviravolta no sentimento do mercado — os contratos de futuros sobre os índices norte-americanos passaram a apresentar ganhos. Quando um repórter perguntou por que razão o Irão estava a atacar navios mercantes se desejava tanto um acordo, Trump respondeu sucintamente: «Porque são um pouco loucos.»
Este padrão não é novidade — desde março que os contratos de futuros têm reagido repetidamente de forma acentuada às sucessivas rondas de retórica de Trump em relação ao Irão, caindo por vezes na sequência de ameaças de ataques e recuperando noutras ocasiões após sinais de um acordo iminente.
Espanha: de um «país perdido» a um «parceiro muito generoso»
Uma mudança semelhante na narrativa afetou a Espanha. Na cimeira da NATO em Ancara, Trump descreveu Madrid como uma «causa perdida» e um parceiro «completamente sem esperança», ordenando ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, que suspendesse imediatamente todo o comércio com a Espanha, incluindo os vistos. O motivo foi a recusa da Espanha em aceitar a nova meta de despesas com a defesa da NATO, de 5% do PIB, bem como o facto de ter bloqueado anteriormente a utilização de bases militares conjuntas para ataques contra o Irão.
No voo de regresso a Washington a bordo do Air Force One, Trump alterou o seu tom, afirmando que a Espanha tinha «mudado completamente de opinião» e se tinha mostrado «muito generosa» — tendo «honrado o pedido de numerosos pagamentos». O primeiro-ministro Pedro Sánchez, por seu lado, descreveu a conversa como «muito cordial», salientando que esta se tinha centrado principalmente no Campeonato do Mundo de Futebol e no golfe, em vez de nos gastos militares.
Quão provável é um embargo à Espanha?
Apesar das suas declarações, Trump dispõe de meios legais reais, ainda que limitados, para impor um embargo.
O Departamento do Tesouro, o Departamento do Comércio e o Gabinete do Representante Comercial dos EUA deverão elaborar, nos próximos dias, uma «lista» de produtos espanhóis potencialmente sujeitos a um embargo, o que sugere uma abordagem seletiva, em vez de uma abordagem generalizada. É importante ter em conta que as regras comerciais da UE exigem uma abordagem uniforme em relação a todos os países da UE, o que complica a adoção de medidas unilaterais exclusivamente contra a Espanha.

Fonte: xStation
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